Da desobediência

No meu modesto entendimento, o julgamento do Carlos Vidal neste seu texto parte da confusão frequente por parte das pessoas entre “democracia” e “liberdade”, que já aqui referi. O Carlos apela à “desobediência”. A desobediência é um atributo fundamental da liberdade, mas inaceitável em democracia (pelo menos sem sofrer as consequências). Em democracia os governos são eleitos por sufrágio universal para fazerem leis, que os cidadãos devem acatar. Tal aplica-se a todos, mas mais ainda aos funcionários públicos (incluindo neste caso os professores). As profissões onde cada um é livre de fazer tudo o que quiser chamam-se justamente – voilà – “liberais”. Não consta que a profissão de professor o seja.
Dito isto, é evidente que os governos devem negociar com os sindicatos tudo o que tenha a ver com legislação laboral. Principalmente um governo que se diz de esquerda deve procurar chegar a acordos com os sindicatos. Mas na impossibilidade de esse acordo ser atingido, o governo tem legitimidade para seguir o seu programa, que será julgado nas eleições livres seguintes. Os sindicatos têm o direito de continuar as suas lutas, mas não podem desobedecer às leis do governo escolhido por todos os cidadãos. O trabalho (neste caso o dos professores) diz respeito a toda a sociedade, e não somente à classe profissional. Cada sindicato é escolhido somente pela classe profissional e não por todos os cidadãos. Tal desobediência seria assim profundamente antidemocrática.
Não digo com isto que não seja possível (e às vezes até desejável) a desobediência mesmo em democracia, mas em democracia quem desobedece tem que sujeitar-se às consequências. A desobediência é um acto de liberdade, e todos os actos de liberdade têm responsabilidades associadas. Mais do que desejável, indispensável é a desobediência na ausência de democracia, em regimes ditatoriais. Neste caso não consta que o governo seja ditatorial. Se quem apela à desobediência pensa ser esse o caso, deve assumi-lo claramente.

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40 Responses to Da desobediência

  1. Ricardo Santos Pinto diz:

    «A desobediência é um atributo fundamental da liberdade, mas inaceitável em democracia (pelo menos sem sofrer as consequências)»

    Filipe,

    De acordo com a lei, as únicas consequências que os professores podem sofrer por se recusarem a ser avaliados é não progredirem na carreira. Mais nada. Mas como nos últimos anos as carreiras já estiveram congeladas durante tantos anos, a não progressão é algo com que vivemos bem. E o Ministério até fica todo contente, porque assim poupa uns tostões.

    «Não consta que o governo seja ditatorial.»
    Por isso é que o professor que disse em privado que o primeiro-ministro era filho da puta foi suspenso e a sua comissão de serviço terminada e a bufa que o suspendeu defendida e reconduzida no cargo. É esta a democracia deste Governo. Ele é daqueles que não instaura aqui uma ditadura porque não pode.

  2. Luis Rainha diz:

    Mas afinal a desobediência é inaceitável ou por vezes até desejável? A mim parece coisa evidente que devemos cumprir a lei e sujeitarmos-nos às respectivas sanções, quando for caso disso. Aliás, como o RSP apontou, tal não irá penalizar grandemente os professores. E então, what’s new?

    Já agora, numa profissão liberal pode fazer-se o que nos apetece? Era bom, não era?

  3. Filipe Diniz diz:

    Tenho a confessar que me pareceria este um texto apropriado para o “Blasfémias”, mas surpreendente (ou talvez não) para o 5 dias. Para além do extraordinário tema da “confusão entre democracia e liberdade” (que certamente afecta tantos espíritos desorientados), a extraodinaríssima tese da legitimidade irrestrita de um governo, desde que democraticamente eleito, para exercer o poder como um cilindro compressor, contra tudo e contra todos.
    Convirá portanto que o sr. Filipe Moura releia a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o artº 21º, Direito de Resistência.

  4. Chico da Tasca diz:

    Senhor Ricardo Santos Pinto se eu fosse primeiro-ministro e se um porco de professor me chamasse filho da puta, primeiro ia-lhe aos cornos com a força toda, depois metia-lhe um processo de despedimento pelo cu. acima, e depois enfiava-lhe com um processo por difamação pelo mesmo sitio.

    Os professores desobedecem porque são uma pandilha que sabem que isto é um Estado fraco, porque têm todos os garantismos sem práticamente nenhuma responsabilidade. Pelas manifs que eu tenho visto são gentalha indigna, mal educada, vulgares arruaceiros.

    Se a Ministra ou o Governo cederem, especialmente ao porco comuna do Mário Nogueira, que fala como se fosse o verdadeiro ministro, um porco arrogante que mete nojo, eu tenho toda a liberdade para ir pela desobediência civil no que toca ao pagamento de impostos.

    Eu não quero andar a pagar ordenados principescos à porcaria dos professores, à custa do meu esforço. Porque eu, ao contrário deles sou obrigado a obedecer.

    Os professores enojam-me !

  5. Zunkruft diz:

    Considero ser uma concepção ideologicamente demasiado redutora e restringida por alguns padrões da desobediência. A desobediência foi necessária para que – por exemplo – minorias pudessem reclamar direitos ou alterar situações legislativas e sociais. Em muitas dessas circunstâncias, essa desobediência por parte dessas pessoas ou desses grupos também foi anti-democrática porque foi contra aquilo que as maiorias já haviam escolhido, elegido, tido como correcto.

  6. Filipe Diniz, se a bitola forem os textos publicados a este respeito no Cinco Dias nos últimos tempos, é evidente que este destoa. Mas era essa mesma a ideia, caso não tenha percebido.
    Antes de estabelecer comparações com o Blasfémias, convinha que lesse o Blasfémias de vez em quando. Desde quando é que o Blasfémias defende um governo central e um estado?

    Luís, não disse que numa profissão liberal se pudesse fazer tudo o que se quisesse. Agora evidentemente a nível laboral há muito menos restrições que para um funcionário público. E há outro tipo de responsabilidades. São escolhas.
    Lê bem: a desobediência é inaceitável em democracia pelo menos sem sofrer as consequências. Desde que se sofram as consequências é possível e por vezes até desejável, como refiro. Justamente a pensar nos casos referidos pelo Zunkruft.

  7. Chico da Tasca diz:

    Se os professores podem desobedecer sem sofrerem sanções, sejam elas disciplinares ou laborais, ou mesmo serem despedidos, então todos podemos desobedecer. Eu posso desobedecer e não pagar impostos, os alunos podem desobedecer e fazerem o que muito bem lhes apetece, toda a gente pode fazer o que muito bem quiser. Se não fôr assim estamos perante mais um privilégio sómente para alguns.

    A MInistra não pode ceder a esta gente, porque se o fizer e o Governo se vergar, eu deixo de votar, porque as eleições são uma fraude. Chego à conclusão que o país é ingovernável, que há gente que se subtrai a qualquer tipo de responsabilidade e de hierarquia, e que quem manda nesta democracia da treta é o PCP e o BE.

    Não pode ser !

  8. Filipe Diniz diz:

    Pode crer que eu leio o Blasfémias. O Filipe Moura é que não leu a Constituição.

  9. pisca diz:

    Oh CHico
    Você deve ser daqueles que é o unico que trabalha, o resto é tudo uma cambada de calaceiros e incompetentes, pela conversa só pode ser

    Pobre País que tem que viver com esta corja de neo-grunhos, às tantas vive pendurado de alguma mordomia do governo do dito-engenheiro

  10. Jacinto diz:

    E porque:
    O poder vai até onde o deixam ir!
    E é aqui que a desobediência sempre foi e será necessária, nesse mesmo sentido do não tolerar mais, o que é completamente intolerável.

  11. Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilipe!!!
    “A desobediência é um atributo fundamental da liberdade, mas inaceitável em democracia (pelo menos sem sofrer as consequências). ”
    Disparrrrrrrrrrrrrrrattttttttte!
    Ler já! John Rawls ” Uma Teoria da Justiça.” Cap. VI – Dever e Obrigação, pp. 281 a 305 ( Editorial Presença). ( O livro é caro y é difícil, mas vale pelo ganho!).

  12. N tenho scanner … vale.

  13. Luis Rainha diz:

    Eu ajudo:
    Civil disobedience is by its nature an act responding to injustices internal to a given society, appealing to the public’s conception of justice. (Section 57)

    Civil disobedience can be justified if the following three conditions are all met:

    1. If the injustice is substantial and clear, especially one that obstructs the path to removing other injustices (e.g., poll taxes and other burdens on the right to vote). This certainly includes serious infringements of the principle of liberty and blatant violations of the principle of fair equality of opportunity.

    2. If the normal appeals to the political majority have already been made in good faith and have failed. Civil disobedience is a last resort.

    3. If there are not too many other minority groups with similarly valid claims. The just constitution would be eroded if too many groups exercised the choice of civil disobedience. The resolution of this situation is a political alliance of these multiple minorities to form a working majority coalition.

  14. Luis Rainha diz:

    Não vejo o que tem a parte de sofrer as consequências a ver com a desobediência ser ou não ser desejável. Se fumar um charro estou a desobedecer conscientemente a uma lei, mas tal não me parece mais justificado se for apanhado…

  15. Ricardo Santos Pinto diz:

    Exmº. Sr. Francisco,

    Em democracia, uma pessoa pode dizer o que lhe apetece em privado, em conversa com um colega, sem que lhe acontece nada. Quantos milhões de portugueses já não disseram, em casa, no café, ou no emprego, «aquele filho da puta», referindo-se ao primeiro-ministro?
    Já agora, porco será V. Ex.ª e com cornos ficará V. Ex.ª sempre que vai para a tasca.
    Quem é V. Ex.ª para falar de gente mal educada?
    Também eu dou por mal empregue o dinheiro dos meus impostos para pagar as deslocações de V. Ex.ª ao Hospital sempre que vai para a tasca e fica indisposto; ou sempre que chega a casa e bate com os cornos na porta de entrada.

    Mas se V. Ex.ª é assim tão corajoso como demonstra, é pena que não utilize o seu nome verdadeiro.

    Filipe, desculpa a linguagem, mas se este tipo de linguagem é aceite no «5 Dias», então qualquer um pode perder a cabeça e utilizar a mesma linguagem de tasca.

  16. Filipe,

    Quando uma lei é iníqua, e as democracias não são imunes à sua produção, então a desobediência ao Estado é da ordem da ética. É um ensinamento que já vem dos gregos, basta lembrar Antígona.

  17. jms diz:

    Eleger um governo não é dar-lhe carta branca para fazer o que entender, é dar-lhe licença para governar de acordo com um programa eleitoral. Se Sócrates enlouquecesse e decidisse invadir Vigo, os portugueses tinham toda a legitimidade para embarcar ou não com ele nessa aventura. Não tinham é que o seguir, pois nada no programa eleitoral do PS fazia prever essa aventura. De igual modo, os eleitores não deram ao governo autorização para destruir o que resta do ensino público, que é o que a mulherinha da educação anda a fazer, e como os professores são, antes de mais, cidadãos eleitores, não vejo porque não hão-de poder boicotar as políticas da ex-anarquista.

  18. Ricardo Santos Pinto diz:

    As 376 escolas que comunicaram à Ministra que tinham suspendido o processo de avaliação estão a desobedecer à lei.
    Mas as várias centenas de escolas que pediram á ministra para suspender, que adiaram, que pediram esclarecimentos para ganhar tempo, que simplesmente não estão a fazer avaliação nenhuma, não estão a desobedecer à lei. Mas, no fundo, estão a fazer exactamente a mesma coisa. Só não o assumem.
    Todos nós infringimos a lei várias vezes ao dia. Grande coisa!
    E o primeiro-fax que fez o curso da forma que fez e que fumou dentro de um avião também não pode falar!

  19. Luis Rainha diz:

    E se eu fosse professor e estivesse, em consciência, convencido de que este modelo de avaliação vai danificar severamente o ensino liceal e, em última análise, a qualidade do ensino recebido pelos meus alunos? Se desobedecesse estaria a tomar uma acção “profundamente antidemocrática”, porque o PS ganhou as eleições? A sério?

  20. Luís Marvão, não é a Antígona que me vai convencer…

    jms, bom ponto. Mas – felizmente! – nem o Sócrates nem nenhum outro governante de um país democrático pode decidir começar uma guerra sozinho. É claro que, pensando na invasão do Iraque pelos EUA, por exemplo (aprovada no Congresso), não foi isso que fez muitas pessoas nos EUA (eu incluído) desistirem de lutar contra essa guerra. Mas esse não é um acto de desobediência. Acto de desobediência seria os militares recusarem-se a combater.

    Não ponho e nunca porei em causa os direitos à manifestação e à greve.

    Noutra perspectiva: consegues provar que a avaliação dos professores contraria o programa eleitoral do PS? Duvido. Um programa eleitoral não tem que ser uma lista de projectos-lei prontos a apresentar.

    De qualquer maneira – e aqui respondo também ao Ricardo e ao Luís Rainha – este texto intitula-se “Da desobediência”. É genérico, e visa responder ao Carlos Vidal quando afirma que “o problema já não é o do conflito entre Ministério da Educação e professores – o problema é o da qualidade da democracia em Portugal.” Não é suposto ser um texto sobre a situação específica da educação. Sobre isso pode ser que ainda venha a escrever (mas gosto de ler os teus textos, Ricardo).

  21. Jacinto diz:

    Caro Luís Rainho
    Essa sua atitude entra no âmbito da ética ou de uma não tolerância para o que é considerado de intolerável. E inevitavelmente nessas situações há que tomar uma atitude ou escolha certa. E é isso exactamente o que está acontecer com toda esta agitação de professores na rua e que não se deve só o tal de «modelo» mas talvez esteja de certa forma, a funcionar como um reflexo de todos os outros problemas sociais e económicos que existem no nosso país e que se têm vindo a agravar dia após dia.

  22. Ricardo Santos Pinto diz:

    Também gosto de ler os teus textos, Filipe, à excepção das alturas em que dizes mal do Porto. Já em relação aos textos que escreves sobre os senhorios, são um bocado marados, mas acho-lhes piada.

  23. Ricardo Santos Pinto diz:

    Com efeito, e respondendo a alguém da caixa de comentários (não sei se foi o Luis), no programa eleitoral do PS em 2005 está lá explicadinho: «Avaliação do desempenho dos alunos e do currículo nacional, avaliação dos educadores e professores».
    Eles cumprem o que dizem!
    Mas logo a seguir diz: «A avaliação do desempenho dos professores deve ser acompanhada por iniciativas quevaumentem a motivação e a auto-estima dos professores.»
    Grande motivação, sim senhor. Só se for o Lurditas d’Ouro!
    Neste sentido, não estão a cumprir o seu programa.

  24. Carlos Fernandes diz:

    È, é pena o Sr. Chico da Tasca não ser o primeiro-ministro. Certamente não tiraria o diploma de engenheiro passado ao Domingo, nem faria o exame de inglês por fax.
    Os professores são uma cambada, a ministra é excelente, e o magalhães – se exceptuarmos o processador que é da Intel- é certamente tão português, como o dizem o primeiro e a ministra, como o vinho VPQRD que o Chico bebe , em demasia, na tasca…

  25. viana diz:

    O Filipe Moura tem alguma razão, mas falha redondamente na sua noção de Democracia. Para ele numa Democracia basta haver eleições de 4 em 4 anos para o governo do país. Eleições baseadas em programas que depois nem se é obrigado a cumprir. Para mim um governo em Democracia é um governo que sabe dialogar, motivar a sociedade a agir em prol do bem-comum, e que em virtude dessa acção tem permanentemente apoio maoritário na sociedade. Não é um governo que toma medidas a que se opõe uma maioria da população, em particular medidas irreversíveis.

    Quanto aos sindicatos, tal como qualquer pessoa nas organizações onde nos inserimos, têm direito a tentar influenciar o modo como as organizações onde estão os seus filiados se organizam e agem. A sua acção não é antidemocrática, mesmo que se oponha à opinião maioritária na sociedade. Todas as minorias têm o direito de lutar como quiserem pelo que acham ser os seus direitos, obviamente podendo-se sujeitar a consequências negativas.

  26. viana diz:

    O Filipe Moura tem alguma razão, mas falha redondamente na sua noção de Democracia. Para ele numa Democracia basta haver eleições de 4 em 4 anos para o governo do país. Eleições baseadas em programas que depois nem se é obrigado a cumprir. Para mim um governo em Democracia é um governo que sabe dialogar, motivar a sociedade a agir em prol do bem-comum, e que em virtude dessa acção tem permanentemente apoio maoritário na sociedade. Não é um governo que toma medidas a que se opõe uma maioria da população, em particular medidas irreversíveis.

    Quanto aos sindicatos, tal como qualquer pessoa nas organizações onde nos inserimos, têm direito a tentar influenciar o modo como as organizações onde estão os seus filiados se organizam e agem. A sua acção não é antidemocrática, mesmo que se oponha à opinião maioritária na sociedade. Todas as minorias têm o direito de lutar como quiserem pelo que acham ser os seus direitos, obviamente podendo-se sujeitar a consequências negativas.

  27. Pinto diz:

    Filipe, escreveu um bom texto num espaço frequentado por meninos pedantes que acham que a democracia é o direito que orbita em volta dos seus umbiguinhos e falar de Direito é fazer Ctrl C a meia dúzia de leis e artigos.
    Os blogues estão impregnados de juristazinhos “de bancada”.

    A melhor é a do “Direito de Resistência” para o caso em questão. Ó santa ignorância…ainda por cima impregnada em presunção.

  28. A. Moura Pinto diz:

    Quanto a isto, do Ricardo Santos Pinto,

    “Por isso é que o professor que disse em privado que o primeiro-ministro era filho da puta foi suspenso e a sua comissão de serviço terminada e a bufa que o suspendeu defendida e reconduzida no cargo. É esta a democracia deste Governo. Ele é daqueles que não instaura aqui uma ditadura porque não pode.”

    nunca defenderia a delação. Mas tb nunca teria como correcto este comportamento de um professor, a menos que o queiramos colocar ao nível de qualquer outro sujeito. E, se assim for, muita da argumentação sobre a função, missão, o que se queira, de um professor vai porta fora.

    E ser em privado ou em público pode ter relevância em sede do Código Penal, mas não dá para mais.

    Por outro lado, o artigo referido pelo Filipe Diniz, é este.
    Artigo 21.º
    (Direito de resistência)
    Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

    E em que é que se aplica, a menos que os direitos (regalias) de hoje se tenham como garantias para toda a vida? Mas para isso teria que ter consagração constitucional, e apenas enquanto tal dispositivo não fosse posto em causa por qq revisão da CRP, ou não?

    É que, sem ser perito na matéria, certamente que quando aqui, no artigo, se fala de direitos, liberdades e garantias, estamos perante direitos, liberdades e garantias consagrados na CPR. Para todos.
    Quais são então os que respeitam, na CRP, especificamente (como se tal fosse possível ) aos professores e que agora estão a ser postos em causa?

    E qual a agressão em causa? Uma lei da AR que ninguém contesta no plano constitucional é uma agressão?

    A irmos para a CRP, talvez por lá se arranje um argumento que contraria quem não quer ser avaliado (eu sei que os professores dizem que querem, dizem…) e que é algo que impõe que todos sejam tratados por igual, não permitindo que uns se considerem acima de outros.

  29. lb diz:

    ó filipe quer dizer então que o que se quer é comer e calar? desde que se vá a votos está tudo bem! ah granda gajo, fossem todos como tu e o professor marcelo era agora ministro do ultramar.

  30. A. Moura Pinto diz:

    Ib
    Marcelo ministro hoje? Claro, desde que através do voto. Ou o argumento é mais profundo que isso e não entendi?
    De qq jeito, em democracia, os destinatários da lei não têm direito de veto. Seria bonito se assim não fosse.

  31. Carlos Vidal diz:

    Não A. Moura Pinto, não entendeu nada do que disse nem o Ib nem o Luís Rainha. Nada de nada.
    O que Ib disse é que escrupulosamente aplicada a lei não era, de forma alguma, legal derrubar o professor Marcelo. Como não foi legal, e ainda bem. Percebeu? Paciência, a si, não explico.
    Subscrevo, modestamente, as quatro linha acima de Luis Rainha, sintéticas e certeiras:
    “E se eu fosse professor e estivesse, em consciência, convencido de que este modelo de avaliação vai danificar severamente o ensino liceal e, em última análise, a qualidade do ensino recebido pelos meus alunos? Se desobedecesse estaria a tomar uma acção “profundamente antidemocrática”, porque o PS ganhou as eleições? A sério?”
    É o ponto central da questão, pelo menos tal como o coloquei, ou quis colocar, no meu post “Agora ou Nunca”.
    E continuo a achar: “agora ou nunca”.

    Quanto aos argumentos de Filipe Moura. Respeito-os, claro. Li e reli-os. Mas não estou de acordo.

  32. O meu texto é claro. Na parte final: a desobediência é indispensável “na ausência de democracia, em regimes ditatoriais. Neste caso não consta que o governo seja ditatorial. Se quem apela à desobediência pensa ser esse o caso, deve assumi-lo claramente.”
    Só não lê quem não quer.

    Não sei o que é que o prof. Marcelo Caetano tem a ver com desobediência em democracia, que é o que se está a discutir. Marcelo Caetano era um ditador, apesar de ter sido um bom crítico de arte.

  33. A. Moura Pinto diz:

    Carlos Vidal

    Medalha de ouro para o seu esforço e isto porque não lhe posso dar mais.

    Ib escreveu isto

    “ó filipe quer dizer então que o que se quer é comer e calar? desde que se vá a votos está tudo bem! ah granda gajo, fossem todos como tu e o professor marcelo era agora ministro do ultramar.”

    Ou terá sido outra coisa?

    Ali, no que Ib escreveu, está muito claro “desde que se vá a votos”. E, de qq modo, Marcelo poderia, a irmos pela sua interpretação, ser ainda primeiro-ministro. Foi ministro da presidência, do ultramar parece que não, mas posso estar enganado.

    E o “era agora” em que tempo coloca a afirmação? No presente ou no passado?

    Mas pior que isso: para si, estar em ditadura ou em democracia é exactamente a mesma coisa. Sendo assim, haja quem lhe explique a diferença, a menos que Marcelo estivesse legitimidade pelas eleições que tb permitiu. Não sei se lhe bastava isso.

    Quanto à frase que cita, imagine-a assim, uma vez que não sou professor, mas sou cidadão e contribuinte:

    “E se eu cidadão e contribuinte estiver convencido de que sem avaliação se paga a todos por igual, esbanjando recursos e prejudicando severamente o ensino liceal e, em última análise, a qualidade do ensino recebido pelos alunos? Se me recusar a pagar os impostos, isso é-me permitido ou vinga o que um grupo profissional, contra uma maioria que votou no partido que governa, entende?”

    Mas pode ser que nada tenha entendido. Consigo até já estou habituado a tiradas desta natureza.

  34. Carlos Vidal diz:

    Que o governo de José Sócrates é o mais desolador e medíocre e ditatorial desde 1974? Já o disse e assumi vezes sem conta.
    Que prefiro ouvir as Conversas em Família de Marcello às justificações de Maria de Lurdes Rodrigues? Claro que sim.

  35. A. Moura Pinto diz:

    E, quando Vidal afirma, está dito. Nada de contrariar o menino.

    Que diferença existe então entre si e Sócrates, nos termos em que o retrata, se você se impõe ou quer impôr, sobretudo deste modo, a quem de si discorda?

    Bom, atrevo-me a uma diferença: consigo estaríamos feitos. Aquele vai a votos, de si teríamos as conversas de família, mesmo temendo que não saiba conversar, tendo em conta as evidências que aqui vai espalhando.

  36. Carlos Vidal diz:

    Eu não sei se o grupo profissional que refere entende ou não entende, A. Moura-Pinto, mas agradecia que levasse aquilo que V. entende para um outro qualquer lugar que não o meu entendimento. Sff.

  37. A. Moura Pinto diz:

    Por quem é, Carlos Vidal. Fique por aí muito bem.

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  40. Desobidiência e liberdade e não sei o que mais.
    Lembrei-me hoje de uma «estória» engraçada. Na~sei se tem alguma coisa a ver com o que tu querias dizer para este «post», mas aqui vai na mesma.
    Em tempos, fui voluntário numa associação de defesa de animais. Quando sabíamos que algum animal estava a ser maltratado, tentávamos falar com os donos, fazíamos queixa ao SPENA, chamávamos a Polícia, etc.
    Mas quando nada resultava, havia uma «equipa especial» (tudo informal, claro) que assaltava as casas e levava embora os bichos. Nunca fiz parte dessa equipa, mas sei que nos casos mais graves se recorria a uns ciganos muito jeitosos.
    Pronto, apeteceu-me dizer isto. Às vezes, tem de se passar mesmo por cima da lei e da legalidade. E desobedecer.

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