Um parágrafo, três frases

Editorial de João Marcelino no DN de hoje, último parágrafo:

A Casa Pia foi do PS, o BPN é do PSD. Não tenho nada contra isso, mas é pouco saudável para o regime que nem o Presidente da República, Cavaco Silva, escape à intriga e esteja a ser visado por campanhas sujas. Já Jorge Sampaio teve o mesmo a propósito do escândalo de pedofilia. Num país pequeno vale sempre tudo, até não haver princípios.

Três frases:

1 – “A Casa Pia foi do PS, o BPN é do PSD. Não tenho nada contra isso…” – Se não tem, devia ter; no sentido penal do termo, a culpa é sempre de indivíduos e não de “sistemas”, e os crimes são cometidos por pessoas e não por partidos;

2 – “…é pouco saudável para o regime que nem o Presidente da República, Cavaco Silva, escape à intriga e esteja a ser visado por campanhas sujas. Já Jorge Sampaio teve o mesmo a propósito do escândalo de pedofilia.” – Que “intrigas” ou “campanhas sujas” são ou foram essas? Eu não as conheço, e julgo que a maior parte das pessoas também não, por isso, duas duas uma, ou os jornais e os jornalistas contam que campanhas são essas, ou, se não querem ou podem contar, também não as devem referir nem muito menos construir argumentos sobre elas;

3 – “Num país pequeno vale sempre tudo, até não haver princípios.” – A tese de uma relação entre o tamanho de um país e a fortaleza dos seus princípios é interessante e original: em boa lógica, implica nomeadamente que a Rússia, como maior país do mundo, deve ser também o país de mais bons princípios; pelo contrário, o Luxemburgo, digamos, deve ser um grão-ducado sem princípios nenhuns, onde os directores de jornais “de referência” se referem a boatos sobre o Chefe de Estado (que de resto não esclarecem quais sejam) e declaram nada ter contra a existência de uma espécie de bloco central dos escândalos, por via do qual o escândalo A é pertença do partido x e o escândalo B do partido y.

O DN de hoje inclui ainda a habitual coluna do biotecnólogo João Miranda; amanhã, será dia do sociólogo Alberto Gonçalves.

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SEXTA | António Figueira
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