O milagre do Sol

Há 91 anos, andava um milagre anunciado lá para as bandas da Cova da Iria. O povo (mas não só) acorreu e, seguindo a deixa da vidente de serviço, pôs-se todo a olhar para o Sol, em busca da prometida maravilha. Claro está que, com as retinas em sobressalto, logo começaram a ver o nosso astro aos pulos pelo céu afora. E pronto, cumpriu-se a profecia miraculosa (um meu bisavô, pronto a embarcar com o Corpo Expedicionário, saiu de lá com a queixa de nada ter visto, aliás como o fotógrafo Judah Ruah).
Agora, são os novos negacionistas que se agarram ao Sol como mensageiro dos seus milagres. João Miranda, entre muitos outros, evoca os ciclos das manchas solares e o seu provável efeito no clima terrestre como prova da inexistência de um aquecimento global causado pelas actividades humanas. Claro que existirão resmas de factores capazes de exercer uma tal influência. Se calhar, os gases digestivos das baleias também têm a sua responsabilidade no caso. Mas onde estará o modelo que sugere que podemos mandar para a atmosfera toda a porcaria que quisermos, sem que isso tenha consequências nafastas? Por um simples princípio de precaução, não deveríamos pelo menos ter cuidado com o que fazemos até encontrarmos certezas absolutas?

Há, ao que parece, quem pense que não. Fiquemos então com as manchas solares ou os trânsitos de Saturno em Aquário. Se estes explicarem sequer 1% do fenómeno, para quê procurar mais?

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