O contra-ataque da agência de comunicação governamental

Aparentemente, o governo recebeu conselhos autorizados para conseguir ultrapassar a crise de popularidade criada pela contestação dos professores. Nesses conselhos há pelo menos quatro ideias:

1. Dizer que nunca houve avaliação dos professores e que os ditos cujos não querem ser avaliados.

2. Reputar de extremistas os sindicatos, afirmando que eles não querem negociar , abandonam reuniões, etc…

3. Afirmar que os professores, se fossem um exército, quereriam todos atingir o lugar de general, o que é um absurdo.

4. Os professores são uma corporação que defende os seus direitos contra a qualidade do ensino das nossas crianças.

Para estabelecer estes pontos, o governo não se importa de recorrer à mentira, como fez o ministro Santos Silva ao dizer que a FENPROF abandonou a reunião com ministério.

E não se importam de torcer a verdade. Se não, vejamos:

1. Desde sempre houve avaliação de professores basta ver a legislação anterior. Todos os sindicatos aceitam que os professores devem ser mais avaliados. Hoje, a plataforma sindical entrega uma proposta alternativa de avaliação.

2. O governo criou esta avaliação para justificar que os professores não podem progredir na carreira. A comparação entre um general e um professor titular é imbecil. Um professor titular não tem funções de comando de tropas, nem funções educativas substancialmente diferentes de um professor normal. O que o governo defende é uma enormidade, é fazer com que alguém que entre numa carreira não possa progredir para que seja sempre pago como se fosse um trabalhador sem experiência que aos longo do seu trabalho não tem capacidade para melhorar e ser melhor remunerado. É como se as redacções pagassem a todos os jornalistas, independentemente dos anos de profissão, o ordenado de estagiário, dizendo que nem todos os jornalistas podem chegar a director.

3. Os professores são importantes para o sistema de ensino. Uma reforma economicista feita contra eles, apontando-os como culpados dos males do sistema de ensino, vai ter como efeito piorar o ensino em Portugal. O sistema, apesar das sucessivas imbecilidades do ministério, ainda não ruiu completamente graças, em grande parte, à capacidade de sacrifício de milhares de professores.

Nota: Para mais discussões podem ser lidos excelentes blogues ,sobre o assunto, como este.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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