À atenção da ainda ministra, de M. Gago e também do professor Vital Moreira: aprendam o que é ser professor

A fotografia é da Faculdade de Belas-Artes, ao Chiado. O texto é de um dos seus mestres mais conservadores, como se costumava dizer. Deve ser datado de finais dos anos 50. Sugiro pois, com esta prova documental, que os fanáticos governantes e seus apoiantes suspendam o autor deste texto (que cito com extremo prazer) das suas funções académicas. Exigo-o mesmo; leiam e procedam adequadamente:

“A lei na burocracia escolar era a do menor esforço, adorável condição para a rotina sem quezílias dos artistas-funcionários, sonhadores do isolamento criador, mas infalíveis nas três visitas semanais das aulas; três horas de oito em oito dias. Bons tempos ! Elucidativa fisionomia do ambiente: os professores de há sessenta anos, os três de Pintura [Columbano, Carlos Reis, Veloso Salgado], outro de Escultura, Simões de Almeida, e dois de Desenho, Ernesto Condeixa e Luciano Freire, seis ao todo, beneficiavam de um atelier particular na colina sagrada do velho Convento de S. Francisco, uma dependência para cada um, isenta de renda, inalienável e vitalícia. E os dias úteis, mais os domingos, repartiam-se pelas duas ocupações, as de interesse privativo no aposento-oficina, recebendo amigos e a freguesia dos admiradores, e as de obrigação docente no mais tolerável dos exercícios, assinando o ponto quando calhava. Assim era o mundo risonho e franco da antiga Escola.”

Por mim, nada li melhor sobre o trabalho do professor.

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