Manuela Ferreira Leite, o PSD, o PS, o Bloco Central e os amigos deles

Com os sucessivos disparates de Ferreira Leite, um PSD suicidário, um PS que governa mal, e com o Bloco Central sempre presente nas grandes negociatas do regime, interroga-se o cidadão: O que fazer?
Desde o PREC que temos assistido impávidos e serenos à progressiva imposição do circo do Bloco Central, feito de alegóricas figuras cheias de autoridade moral e discursiva que nos apresentam sempre o discurso do caminho possível. Este inevitabilidade ganha sempre mais força quando nos aproximamos das eleições e somos confrontados com um ou outro folclore com que se pretende afirmar as diferenças entre PS e PSD. Ora, na prática, a pobre Ferreira Leite até estava a dar conselhos à Ministra da Educação (a quem, estou convicto, também não lhe desagradaria uma suspensãozinha da democracia para poder aplicar uns correctivos nos sindicalistas da FENPROF).
Mas vamos à matéria de fundo.
Atente-se bem à necessidade que os blogues próximos do PS tiveram em atacar o discurso de Ferreira Leite para forçar a inevitabilidade do voto em Sócrates e para afirmar a diferença. Este princípio de “ordem”, de “inevitabilidade” ou da “alternância” é, em si mesmo, um ataque muito mais violento à democracia do que o discurso de Ferreira Leite, desvalorizando-se e ridicularizando-se os restantes partidos e demais alternativas políticas.
Aliás, não é difícil identificar no Bloco Central um discurso comum, “inevitabilista” e nada moderado como se pretende fazer crer. Repare-se na obsessão no combate ao deficit, nas políticas económicas fundamentais, no aumento dos salários, no financiamento à banca, nas administrações das grandes empresas que trabalham para o Estado, e no estado do país…
Contudo, a revolta perante o circo, é cada vez maior. As pessoas começam a perceber que quando alternam entre votar PS ou PSD não estão, de facto, a escolher entre a esquerda e a direita ou entre duas opções políticas distintas, mas sim, entre o Partido de Sócrates, Lello, Vara e Canas e o Partido de Ferreira Leite, Dias Loureiro, Alberto João Jardim e Santana. O mais curioso é que quando se opta dentro deste circo, nem sequer se está a escolher entre grupos económicos, porque quando passam para os “terrenos privados” estes ferozes adversários políticos se transformam em grandes amigos.
Não me parece por isso abusivo, identificar nas palavras de Ferreira Leite uma progressiva irritação do Bloco Central para com as manifestações de descontentamento popular e afronta da “ordem” pela qual Ferreira Leite e o governo querem zelar. A resposta à provocação de Ferreira Leite, não está no discurso de um qualquer representante do PS, mas sim na “corporação” povo.

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