2017 será um bom ano.

Neste tempo de consensos mornos, oferecem-nos o espectáculo do histerismo mediático como paliativo para a falta de política. O pais ocupa-se com os tropeções do discurso de Manuela Ferreira Leite. A dinâmica da democracia televisiva, como arte de entreter serões, transforma a falta de articulação, da estimável líder do PSD, num apelo singelo à ditadura. Na realidade as as coisas são muito mais corriqueiras e as mudanças mais interesseiras. O rotativismo parlamentar transformou as alternativas em alternância. Os políticos do PS e do PSD afirmam querer mudar a vida, quando, do mal o menos, só conseguem mudar de vida.  A Mota-Engil tornou-se o horizonte possível da transformação. A esquerda dos interesses defendida por Blair e protagonizada, na terrinha, por Sócrates apenas garante um simulacro de esquerda.

É preciso defender a proposta que o João Pinto e Castro fez no Jugular: sobre aquilo que ele chamou um estalinismo 2.0 (se não te importas podemos mudar-lhe o nome, JPC? ). Afirmar a falta de consenso. Defender o conflito. Criar a vontade extrema de destruir o que está mal e de edificar, contra o presente, algo de novo. Tenhamos a vontade de esboçar um gesto de ruptura, criar um pensamento e reinventar práticas que passam por não aceitar o que há: nem as regras, nem os limites, nem as espectativas do possível.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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