Lluís Llach: Revolta permanente


A memória vem do passado, para muitos, muito distante. A polícia fuzilava grevistas, que se tinham refugiado numa igreja de Vitória/Gasteiz, à queima roupa . Foram quase 32 anos que escorreram sobre a canção que canta os mortos daquele dia. Gente que parece de um passado a preto e branco. Mas as notas e os acordes continuam a fazer ressoar a memória. Lluís Llach cantou-a, 30 anos depois no dia 3 de Março de 2006, na cidade de Gasteiz perante os sobreviventes.

LLach só tinha voltado a cantar a canção em 2000, como protesto contra o assassinato do economista Ernst Lluch pela ETA.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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16 Responses to Lluís Llach: Revolta permanente

  1. o sátiro diz:

    de vez em quando convém lembrar-visto k é censura total e permanente na comunicação social- os mais d 52 (cinquenta e dois) mil cubanos fuzilados contra “el paredón” desde a revolução.

  2. António Figueira diz:

    Sátiro,
    Eu acho que V. tem carradas de razão: o apoio mediático ao regime cubano é um escândalo e é uma vergonha a censura total que se abate sobre os horrores da revolução;
    Nuno,
    A cidade de Gasteiz sempre se dirá em português Vitória – não só porque foi sempre assim que a conhecemos, como porque o castelhano é infinitamente mais próximo do português que o basco, e a palavra Vitória muito mais fácil de pronunciar que Gasteiz; acresce ao facto que Vitória – tal como a província de Alava, de resto – é maioritariamente castelhanófona, e foi também nesta região que teve origem a língua que no mundo se conhece hoje como espanhol.

  3. Ó Figueira,
    Deve ser o comentário menos interessante que eu te vi fazer e já te aturo há 30 anos. A música que é catalã, o músico que é catalão, o documentário, de onde foi filmada esta versão da música, e parte da população chamam-lhe Gasteiz, que a propósito é basco. Eu apeteceu-me chamar-lhe Gasteiz, por deferência com gajos mais limitados dei-lhe a dupla designação. Não me parece que tenha de te pedir autorização para isso. E, sobretudo, dispenso a lição do meu amigo que coloca uma palavra estrangeira, em três palavras que escreve. Capici?

  4. Luis Rainha diz:

    Relembro-vos as imortais palavras do presidente Dale: «Why can’t we work out our differences? Why can’t we work things out? Little people, why can’t we all just get along?»

    Chamamos-lhe “Gastória” e pronto.

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Só se puder chamar ao animal, Figueireteak. Bai?

  6. Carlos Vidal diz:

    Nuno, Llach é um cantautor de expressividade intensa.
    Mas percebo o comentário de António Figueira – que também penso não ter sido um comentário político -, até porque julgo que todo o país basco é castelhanófono, como se sabe. Talvez também António Figeira esteja sabendo que nunca o nacionalismo basco ganhou eleições em Alava província e a cidade de Vitória-Gasteiz é governada ora pelo PP ora pelo PSOE. Por mim, que por lá passo às vezes (o centro de arte ARTIUM é mais interessante do que o Guggenheim, este um enjoo) gosto de dizer Vitoria-Gasteiz.

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Carlos,
    Deixa-me discordar: a questão é política, a música é sobre centenas de grevistas baleados à porta de uma igreja de Gasteiz. Estes homens e mulheres lutavam por melhores condições de vida e salários, mas também exigiam o direito a chamar à cidade de Gasteiz. Durante anos foi proibido ensinar e aprender o basco. Para mim, eles conquistaram esse direito, pelo menos quando eu escrevo.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Acho fantástico que tu me justifiques uma imposição linguística por um resultado eleitoral. A história das eleições não é para aqui chamada. O nacionalismo basco é maioritário no conjunto das três províncias – apesar de haver partidos proibidos – , mas mesmo que não fosse, isso não impedia que eu achasse que aqueles que querem falar basco devem ser livres de o fazer. E que eu sou livre de optar entre as duas designações de uma cidade. Aliás, faço-o para outras cidades e países, em outros pontos do planeta. Faço-o por uma questão política, por embirração e, porque me apetece.

  9. António Figueira diz:

    Nuno:
    1 – “Em cada três palavras…” nunca coloquei uma palavra de basco;
    2 – Nem Figueireteak, nem Higuera; só Figueira, António para os amigos;
    3 – Padeces de uma incurável doença chamada “excesso de seriedade”; aproveita o aniversário da Minnie e descontrai.
    Abraço, AF

  10. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Essa merda de me quereres oferecer uma rata de 80 anos é inqualificável, ó Figueireak

  11. Carlos Vidal diz:

    Nuno, de acordo a questão até é mais do que política, se for caso disso – é de sobrevivência de uma narrativa; mas falo de uma narrativa, desculpa a citação, no sentido em que fala George Steiner, que diz que uma língua é um mundo, uma forma de mundo, uma narração do mundo (não me refiro à narrativa nacionalista, pois na sua génese estão textos tenebrosos de Sabino Arana, como sabes). Eu só disse que o comentário de António Figueira não me parecia político, mas ligeiro e brincalhão. Além do mais, quanto ao falar basco eu nem me prenunciei de tão evidente que é a minha opinião. E, já agora, se não estu do lado do nacionalismo é por causa do que li de Sabino Arana, sangue puro,
    RH +, etc, meu deus. Agora quanto ao nacionalismo da ETA se eu o condeno é por causa da ideologia, nunca por ser violento. A violência tb é uma forma de luta, e nunca seria eu a condená-la. Mas creio que a população de Gasteiz usa também Vitoria, e não em pouca quantidade.

  12. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Por momentos assustei-me, pensei que ias citar o Homi K. Bhabha. Caro, há bastantes diferenças entre Sabino Arana com o seu nacionalismo racista e os operários de Gasteiz. Tanta, como há, entre o nacionalismo xenófobo e a ideia de autodeterminação.

  13. Carlos Vidal diz:

    Pois o Homi Bhabha, foi uma das conferências mais irritantes a que assisti nestes últimos tempos. Insuportável, o homem do Forum de Davos. O seu discurso em torno das “zonas de hibridação-negociação”, sinceramente. Estou do lado da conflitualidade, como também estás, e do lado dos operários de Gasteiz. Mas, é um facto, por lá pouca gente diz Gasteiz, que a mim soa muito melhor do que Vitoria. A propósito, Vitoria de quê? Sobre o quê? Quem?
    Entretanto, a música, neste post, também é importante. Gosto muito de Llach.

  14. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Uma cena lateral, li há uns anos o pop philosophie , livro que o jornalista Philippe Nassif entrevista durante 500 páginas Mhedi Belhaj Kacem. Confesso que me soube demasiado a Actuel. Nada de mau, até gosto daquela radicalidade burguesa misturada com gajas boas, mas não deu para perceber o homem. Na altura, comprei o L’affect e ainda está por ler. A cena do jovem autodidacta com romances publicados tirou-me um pouco a vontade de ler. O facto de elogiar Badiou não é tudo na vida. Depois do teu post, vou esforçar-me a ler a coisa.

  15. filinto diz:

    Se me permitem meter a foice,
    Carlos, violência a mais vira-se contra o seu autor, mata a possibilidade de conseguir os objectivos e creio que é isso que se passa naquelas terras. E o Sabino Arana – cujos textos são também um produto da época – influenciará mais parte do PNV do que propriamente os movimentos “mais radicais”.
    Emocionante o vídeo.

  16. filinto diz:

    Como se dirá Gasteiz em francês? 😉

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