Eu bushista-comunista me confesso

Já vi que houve quem percebesse onde eu queria chegar. Caro Filipe, a ironia é arriscada, eu sei. Mas, se levarmos tudo à letra, é uma carga de trabalhos. Transformamos a coisa num tal espírito de gravidade, que acho que uma pessoa como o Nietzsche não apreciava nada, justamente. E aqui os seus ensinamentos são muito válidos. Como não apreciava a marcha militar que achava a antítese do movimento e da dança. Por dança (e há um belíssimo texto de Alain Badiou sobre isso) deve-se entender não a obediência a um impulso, mas precisamente o contrário: a desobediência a um impulso, e só daí nasce o movimento livre. Um outro “fascista” percebeu isto lindamente: Paul Valery. Badiou, comunista, e eu próprio, comunista, tentamos percebê-lo (Badiou melhor do que eu, naturalmente).
Temos então o espírito da gravidade e o espírito da leveza.

O que estes posts sobre Sócrates pretendem é, no fundo, simples: à nossa escala, repito: à nossa escala, considero José Sócrates um dos piores governantes de que me lembro. E os piores só podem ser comparados aos piores.

Mas, para aligeirar a coisa, vai aí uma foto do Nijinsky, que dançava de acordo com a leitura de Nietzsche, Badiou ou Valery, e aproveito para recomendar (a propósito de dança e Nijinsky) desde já a vinda a Lisboa de Valery Gergiev, com o “Pássaro Fogo” e a sua Orquestra do Mariinsky-Kirov: Janeiro, Coliseu.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

7 Responses to Eu bushista-comunista me confesso

Os comentários estão fechados.