Quem tem medo da avaliação?

A propósito da avaliação dos professores, o Daniel Oliveira faz a pergunta errada a João Pinto e Castro: «se alguma vez, na sua vida profissional, foi avaliado pelos seus colegas?»
Basta ler as respostas no próprio Arrastão para se entender o engano central da questão: não há nada errado na avaliação pelos pares, em si mesma. Mais: mesmo a avaliação pelos subordinados ou pelos alunos pode ser coisa pacífica e desejável. Há por aí bons exemplos disso, mesmo sem chegar ao ponto de desconversa atingido por alguns comentadores, que tomam os superiores hierárquicos por “colegas”.
Mas convém não misturar processos de avaliação que funcionam com isto que o ministério da Educação quer, à viva força, enxertar nas escolas dos nossos filhos: sistemas kafkianos que consomem já grande parte do tempo dos docentes; um método que pede o domínio dos programas alheios para avaliar colegas (por muito que o João Miranda ache aceitável ter um professor de Francês a vigiar a proficiência das aulas de Matemática); um quadro de funcionamento que já degradou o ambiente entre colegas em muitas escolas.
Podemos pura e simplesmente concluir que os professores liceais são todos madraços irresponsáveis que ficam com urticária mal alguém ousa sugerir que também eles deveriam ser avaliados. Ou podemos pensar um pouco, perguntar a quem sofre estas agruras na pele, investigar. Se calhar, até chegaremos à conclusão que o processo poderia ser bastante melhorado. Só isso.

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