A Sagrada Esperança aconteceu há 33 anos

Hoje celebra-se o dia mais importante para todos os angolanos: a Independência. A festa do povo deu-se na noite de 10 para 11 de Novembro quando Agostinho Neto proclamou oficialmente Angola como país independente. Foi em Luanda, entre muito fogo de metralhadoras e de todos os tipos de armas, mas com a cidade quase cercada. A Sul, as tropas sul-africanas, do regime do “apartheid”, estacionavam a 100 quilómetros. A Norte, os mercenários pagos por Mobutu, ajudados pelos Estados Unidos, também tentavam entrar na cidade.

Apesar disso tudo, a independência iria ser celebrada com a pompa que o acto merecia na tarde de 11 de Novembro. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer o novo Estado, seguindo-se os países ditos socialistas. Portugal só o iria fazer em Fevereiro do ano seguinte, sendo o 88.º país a reconhecer a Angola independente. Estavam dados os sinais do que o futuro reservava.

No dia 11 de Novembro de 1975, Angola alcançava a primeira independência. A segunda iria acontecer 26 anos depois, com a morte do assassino e torcionário Jonas Savimbi.

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22 Responses to A Sagrada Esperança aconteceu há 33 anos

  1. Model 500 diz:

    “Esquecer eu não consigo
    O massacre de Kifangondo
    Ali morreram camaradas
    Ali morreram angolanos (…)”

  2. Aproveito para lembrar o livro do jornalista polaco Ryszard Kapuscinski,”Mais um dia de vida: Angola 1975″, editado pela Campo das Letras. Imagens do nascimento de uma nação. Do idealismo que então animava as gentes do MPLA e tb alguns portugueses, que a essa nobre causa se associaram.

  3. fernando antolin diz:

    Com a Sagrada Esperança instalou-se por lá também a Sagrada Família…

  4. jorge c. diz:

    Por momentos julguei que estava a ler o Avante.
    “a morte do assassino e torcionário Jonas Savimbi.”
    Extraordinário!

    E sobre o presidente angolano, nem uma palavrinha?

  5. Emídio Fernando diz:

    Não, meu caro Jorge, não está a ler o Avante. Está a ler alguém que levou com uma guerra sem justificação durante anos, viu a sua terra a ser destruída. Mas melhor do que eu ou de alguém que ficou com uma terra devastada, talvez lhe sobre para ler isto um livro de Alcides Sakala, “Memórias de um guerrilheiro”, para perceber a loucura de um único homem. E no livro o louco até é tratado com admiração. Mas, olhe, só não é tão anedótico porque foi trágico. E depois tem a conclusão da História: desde o Glorioso dia em que Savimbi foi morto, Angola vive em paz. Imagine. E mais: até anda a salvar a economia de outros países, como Portugal. E há muita gente que deveria pedir desculpas pelo que disse e fez. Mas terei oportunidade de escrever sobre o assunto. O dia e hoje é de festa!

  6. Saloio diz:

    Senhor Emídio Fernando: Não sei se o senhor está a brincar, ou se é uma piada de gosto discutível mas, para mim, que sou cá do rectângulo e vou para os 60 anos, uma coisa é certa: estou convicto de que ainda se lá vive pior agora que durante o anterior regime.

    Por isso, e com todo o respeito, o senhor Emídio Fernando poderá com alguns malabarismos de retórica soviética, tentar fazer passar a ideia de que Jonas Savimbi era assassino e torcionário e que Eduardo Santos é um santinho (salve a redundância). Mas tudo o que o senhor adiantar é, para nós portugueses, apenas isso: retórica da cartilha vermelhusca que poderá ter aprendido na Universidade Patrick Lumumba a expensas governamentais.

    Quanto à realidade: nada!!!!(e corrija-me, se puder ou quizer perder tempo).

    Já agora: as filhas do Eduardo Santos, também comemoram como o senhor o dia do filão/tacho, perdão…da independência.

    Se o senhor conhece Angola, gostaria é de saber se o povo anónimo, esfomeado e explorado até ao tutano por uma oligarquia ditatorial e eterna, também comemorará?

    Digo eu…

  7. Luis Rainha diz:

    Sem querer tirar o gozo ao Emídio, respondo-lhe, com a parca autoridade que uma visita recente me dá, só à última pergunta: comemorará sim.

  8. É sempre bom ler comentários sérios sobre Angola e a independência do seu povo proclamada pelo Presidente António Agostinho Neto, já que o mais frequente nos media portugueses são as diatribes mais reaccionárias que, saudosos do antigamente enterrado para sempre, tentam reescrever a História .
    Entretanto, creio não ser desadequado recordar, como elemento histórico relevante, que o comandante dos mercenários que reforçaram os zairenses e que tentaram invadir Luanda para impedir a proclamação da independência, era o tenente-coronel Santos e Castro.

  9. jorge c. diz:

    Estou definitivamente a ler o Avante!
    Emídio Fernando, não sou propriamente um conhecedor da política angolana. Interesso-me como outras pessoas. Mas deixe-me que lhe diga que a sua visão é de um social-fascismo* tal que fui verificar se estávamos em 2008, não fosse dar-se o caso de me ter enfiado numa máquina do tempo.

    *fui buscar esta expressão interessantíssima ao Dr. Arnaldo Matos só para chatear, não a tome como insultuosa. Faço esta observação apenas para não ferir susceptibilidades que as coisas neste meio andam a azedar em demasia.

    Cumprimentos da reacção.

  10. Emídio Fernando diz:

    O Dr. Arnaldo Matos era aquele senhor que comandava uma pandilha que está agora no PS, PSD e dirigem bancos e grandes empresas?? Será esse? Que queria educar o povo e acabou educando tanto que é vê-los por aí.
    Sobre Angola, comemora sim os 33 anos. E mais: celebra o nascimento de uma potência (espero que não me chamem social-fascista por isso, mas a noção de Ímpério é coisa que impera em muitas cabecitas, das mais fascistas às mais liberais, como nos EUA). Esperem e verão.

  11. Confesso que não é muito ao meu gosto andar a fazer publicidade às coisas minhas em blogues alheios. Mas acho que os 33 anos da independência de Angola e o Kapuscinski merecem:

    http://officelounging.blogspot.com/2008/11/angola-33-anos-de-independncia.html

  12. Sérgio diz:

    “E há muita gente que deveria pedir desculpas pelo que disse e fez. Mas terei oportunidade de escrever sobre o assunto.”

    Já pediram desculpas pelos massacres de civis no norte de angola?
    Quanto a ser uma potência, podemos esperar sentados. Coutadas familiares nunca chegam a ser potências.
    Entretanto os miúdos vão brincando aos países com as migalhas que as Totais e as Exxons deixam cair…

  13. Sérgio diz:

    Já agora, o tipo de escrita deste senhor lembra-me o do The Studio, mas ao contrário…

  14. xatoo diz:

    “o estilo de escrita deste senhor” é o estilo de escrita do Sionismo internacional
    até quando teremos de esperar pela resposta à questão de qual foi e é o papel dos Israelitas no assassinato de Savimbi e na subsquente ajuda ao regime totalitário em vigor em Angola?

  15. pedro tarquínio diz:

    Emídio Fernando:por lapso esqueceu-se de adicionar uma última frase. A saber, a terceira indepêndencia de Angola acontecerá com a morte do ditador assassino e torcionário José Eduardo dos Santos.

  16. Emídio Fernando diz:

    Ao xatoo:
    Se os israelitas ajudaram a matar o Savimbi só lamento que essa ajuda tenha sido tardia. Muito tardia. Além dos angolanos agradecerem aos israelitas – e já agora os portugueses que passam a vida de joelhos e de mão estendida a caminho de Luanda – só devemos criticar os israelitas por demorarem tanto tempo. Poderiam tê-lo feito uns 30 anos antes e a História seria outra. Mas sobre essa e outras ajudas ainda há muito por contar. Um destes dias, retomo a conversa

  17. Luis Rainha diz:

    Mas não é também certo que as Fapla tiveram algumas hipóteses de liquidar o Savimbi, sendo sempre travadas pelas chefias máximas?

  18. Sérgio diz:

    “e já agora os portugueses que passam a vida de joelhos e de mão estendida a caminho de Luanda”

    E se fosses insultar a tua mãezinha?

  19. MG diz:

    Emidio: para o que havias de estar reservado – ser acusado de comunista! Irónico, não achas?

    Para o que agora interessa: Parabéns ao povo angolano e português nesta data histórica para ambos. E viva angola livre e independente!

    Um abraço,

    MG

  20. Emídio Fernando diz:

    Pois, Luís, altos interesses, altos interesses. Está prometido voltar a vários temas: as mortes que nunca aconteceram e outras que se tivessem acontecido há muito Angola estaria diferente.
    Caro Sérgio,
    Como é simplesmente ignorante sobre o que quis dizer, dê um salto ao aeroporto de Lisboa, basta às 10horas da manhã e veja com os seus olhos: não dá trabalho e não precisa de ler. Se conseguisse ler, ainda lhe recomendaria uma vista de olhos diária pelo jornal Diário Económico. Mas isso cansa, deixe estar.

  21. Já cá faltava o antisovietismo, de quem não tem argumentos. Faz-me lembrar a velha anedota do busto do Napoleão….
    Como é que alguém se atreve a afirmar que em Angola se vive agora pior do que no tempo colonial!!!!. Quem é que assim vive em Angola? A grande diferença é que, apesar das muitas e grandes dificuldades que a maioria dos angolanos ainda sofrem passaram a ser gente, são agora donos de si próprios o que certamente para si nada significa. Sem qualquer encenação, vá pelas ruas de Luanda ou de qualquer outra cidade angolana ou vila ou sanzala e pergunte a quem encontrar se acha melhor o tempo actual, depois da independência do país, comparado com o antigamente quando tinham um governo colonial.
    O Savimbi, que tinha uma ambição cega do poder absoluto, era efectivamente um torcionário e um assassino que torturou e eliminou todos o que, dentro da UNITA, lhe fizeram frente, bem como os seus familiares. Sobre o Savimbi apenas uma constatação: com o seu desparecimento terminou a devastadora guerra por si desencadeada, a perda de vida de inúmeros angolanos, a destruição do país, possibilitando a paz e a progressiva e a sua reconstrução, tendo actualmente um dos maiores índices de crescimento a nível mundial.

  22. Sérgio diz:

    Caro Emídio,

    Os tais Portugueses vão para Angola vender os serviços e o know-how que lá não existem. É que ter a sorte de nascer num bocado de terra riquíssimo (e na família certa, claro) não implica competência nem saber. E pode crer que, ao nível do melhor novo-riquismo, há de ser tarde que Angola tenha os quadros necessários para não depender do conhecimento exterior.

    E olhe que continuo a ver imensos angolanos de joelhos e mão estendida rumo a Portugal… mas estes não têm “dos santos” no nome.

    Mas você, de certeza que tem.

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