Obamofobia

Barack Obama «domina a retórica e tem carisma». Quem nele acreditou tem uma queda «irracional por discursos vazios e programas políticos utópicos e inconsistentes» tendo desistido «da razão e do espírito crítico». O que vale é que, num suposto «futuro», os historiadores poderão vir «a concluir que a acção de Bush teve um efeito estruturante e positivo no desenrolar da história e que a eleição de Obama não passou de um fogacho sem consequências.» A ideia dos historiadores como árbitros finais do mérito seja lá de quem for já é cómica qb. Mas a crença no «efeito estruturante e positivo» que umas quantas personagens terão já se aproxima de uma religião; daquelas mais divertidas, tipo Cientologia.
Tudo isto para concluir o que já mil originais concluíram: ter esperança em Obama é meio caminho andado para a desilusão. Provavelmente, Bush II é que estava bem e por lá deveria continuar, no seu papel por certo «estruturante» do futuro, seja isso o que for.
Quem nos traz estas pérolas alucinadas é o fornecedor do costume: o João Miranda. O sábio que se coloca muito acima da populaça, com os seus entusiasmos e ilusões, sabendo bem que a esperança na mudança aparece de quando em vez e «é uma crença que passa depressa».
Não sei o que será mais grotesco: se o mau perder ou a forma como a ignorância tenta à viva força transformar-se numa espécie de ponto de vista, inevitavelmente altaneiro e pesporrente.

PS: o inevitável Alberto Gonçalves, tão a leste do planeta Terra quanto o JM mas muito menos esperto, viu a sua última croniqueta recomendada pelo blasfemo. Isto apesar de afirmar que McCain merecia ganhar «graças à sua história pessoal e ao seu carácter. Sobretudo por isso, é curiosa a leveza com que, nas televisões, na Internet e nos cafés, especialistas desvalorizam um sujeito que possui um currículo e uma grandeza superiores ao de qualquer outro líder contemporâneo.» Tendo em vista que JM detectara na “obamania” um «culto de personalidade pouco comum nas democracias liberais» e que para ele «os cultos de personalidade valorizam as qualidades do líder e menorizam o papel das instituições», uma tal recomendação é mesmo um primor de coerência.

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