O ataque à Escola pública, democrática e livre

Os últimos anos de políticas educativas, seja de governos PS ou PSD, têm vindo a acentuar a tendência para um esvaziamento e degradação de qualidade do ensino público, polvilhados por medidas de carácter fascizante, como os quadros de honra ou as aulas de substituição.
Se por um lado esta realidade decorre dos últimos anos de políticas neoliberais fundadas na ideia de quem quer uma educação de qualidade para os seus filhos deve pagar por ela, o governo Sócrates com a dama-de-ferro Maria de Lurdes Rodrigues, tem vindo a conseguir destruir princípios estruturais da Escola do pós-25 de Abril.

Foi com estupefacção que, ao visitar um liceu de Lisboa, me apercebi que os alunos são proibidos de andar nos recreios dos liceus fora dos tempos de recreio com as chamadas aulas de substituição (aulas nas quais um professor de educação física pode ter de ir vigiar uma aula de inglês). Para além de ter a consequência directa de colocar professores como polícias, esta medida é ainda mais aviltante quando recordo tudo aquilo que se podia fazer nos “furos” (onde se construíam as amizades, as primeiras paixões e os jogos de bola), e que agora passou novamente à clandestinidade.
A cultura dos exames, dos quadros de honra, das Escolas sem tempo para associações de estudantes, jogos de futebol e namorados, representam um claro regresso à Escola de Salazar, das quais a minha geração ouvia falar como de um passado distante e irrecuperável.
A juntar a isto, a progressiva desvalorização e subalternização do estatuto do professor alicerçado no desdém demonstrado publicamente pelos governantes, procurando impor nas Escolas a lógica dos seus partidos, onde quem mais cala é quem mais ganha, atinge o âmago da nossa estrutura social.
Através da análise dos rankings onde se constata o progressivo desaparecimento das escolas públicas dos primeiros lugares ou pelo exponencial aumento de professores a reformarem-se antecipadamente, podemos concluir que esta Ministra está a ter sucesso.
Mas os professores resistem, pela Escola pública, por nós e pelos nossos filhos.


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