Obama e a Europa branca

No primeiro discurso, como vencedor das eleições presidenciais, Barack Obama começou por fazer uma constatação que nos deve fazer pensar: “Isto é a prova que na América tudo é possível”. E parece que é.
A Casa Branca despede-se de um troglodita e ferozmente ignorante. E recebe um homem inteligente, cultíssimo, persistente, capaz de mover montanhas para atingir os seus fins e filho de imigrantes, produto de uma mistura de raças, oriundo de uma classe média baixa.
O que é possível acontecer nos Estados Unidos, dificilmente poderia ocorrer na Europa iluminista, arrogante da sua História e da sua Cultura.
Se o pai de Barack Obama tivesse imigrado para Portugal, Inglaterra ou mesmo França, dificilmente deixaria de viver num bairro social, depois de ter amargado umas décadas numa barraca, e o filho, Barack, teria 90 por cento de possibilidades de estar a engrossar o número de desempregados ou integraria o exército de trabalhadores indiferenciados, que alternam entre a construção civil e a estiva.
Exceptuando o caso francês – que tem uns membros do governo filhos de africanos – o resto da Europa é branca. Tão branca que as oportunidades de “subir na vida” estão vedadas aos filhos de imigrantes. Tão branca que até propõe grossas muralhas a quem vem de fora.
A vitória de Barack Obama, mais do um marco histórico para os Estados Unidos, é um exemplo para a Europa. E, já agora, para o resto do Mundo sempre tão resistente a aceitar “o outro”.

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