Chamem a polícia! Mas não a deixem entrar…

Cadilhe não se cansa de atirar com a maior carga de culpa no caso BPN para os ombros do Banco de Portugal. «Sabemos que houve falhas de vários lados. Num desses lados, houve grave e demorada falha de supervisão. Uma falha de Estado, portanto».
Agora, imaginem que se tratava da directora de um reformatório a tentar desculpar actos de alguns dos pupilos da sua instituição. Afastando as culpas dos rapazes, clamando que a polícia é que não tinha andado de olho neles, etc. Resultado imediato? Lá se alçaria toda a nossa direita em mais um animado coro contra a desresponsabilização do indivíduo, contra os “profetas do social”.
Temos assim que as anteriores administrações do BNP, incluindo alguns accionistas, incluindo uma fatia jeitosa do baronato PSD, estão completamente excluídas desta justa teoria da responsabilidade. O próprio Cadilhe não viu problema em pedir dinheiro ao Estado mal a necessidade apertou; nem, a bem da verdade, tratou de se afastar daquele local tóxico quando soube onde se metera. Aliás, para quem reclama contra a falta de supervisão, não deixa de ser irónico que se demita mal o Estado maximiza os seus poderes… de supervisão.

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