Em caso de emergência, corram para a malga do Estado

Quem será que, há coisa de três anos, andava a pregar por todo o lado os malefícios do Estado e o seu urgente emagrecimento? Quem estava então certo de que «o Estado deve abster-se de intervir salvo em funções sociais, de soberania e em algumas funções de regulação»?
Quem é que apontava o dedo justiceiro ao «peso do Estado» graças ao qual ele «perde eficiência por erro próprio e faz perder ao sector privado»? Quem nos garantia que «o Estado sobrepesa os contribuintes, as empresas, os investidores, as famílias», sabendo de fonte segura que «só uma reforma profunda e transversal poderia aliviar isso e libertar recursos para o sector privado»?
Uma pista: é a mesma individualidade que num destes dias acordou e achou que seria boa ideia pedir ao mesmo Estado que entrasse com 600 milhões de euros para salvar o BPN. Aparentemente, agora já não faria grande diferença ao bom do contribuinte ser “aliviado” de uns quantos “recursos”, a enviar numa viagem, provavelmente só de ida, rumo ao virtuoso sector privado.
Se pensarmos que o “PSD profundo” sempre teve em Miguel Cadilhe o Desejado que um dia ainda irá redimir Portugal, a coisa fica ainda mais divertida.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

3 Responses to Em caso de emergência, corram para a malga do Estado

  1. Pingback: cinco dias » Chamem a polícia

Os comentários estão fechados.