A inultrapassável cabriola

Ao que parece, João Miranda pensa que a culpa da débâcle do BPN é da deficiente regulação, não de administradores talvez criativos demais com as contas. Leiam e maravilhem-se: «Vital Moreira, em vez de reconhecer os limites do sistema de regulação pública que este caso revela, prefere responsabilizar os regulados. É um pouco como responsabilizar a falta de ética dos ladrões pela ineficácia da polícia.»
Quer isto dizer que qualquer assalto será sempre da responsabilidade dos polícias que se esqueceram de estar à porta daquele banco; não dos ladrões que o roubaram. Naquela estranha cabeça, se calhar nem faz sentido mandar os tais ladrões para a cadeia, pois a sua «falta de ética» terá sempre uma culpa menor face à «ineficácia da polícia».
Imagino as sentenças: «o agente Silva é condenado por estar a um quilómetro do local do furto. Os senhores Xico Manitas e Zeca Maluco são obviamente inocentes.» Ou talvez a mirandesa ideia aponte antes para a inserção de inspectores em cada agência bancária, para impossibilitar esbulhos futuros. Seja como for, é coisa admirável.

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