O vigilante da banca

O João Miranda talvez tenha ficado algo abalado pelas recentes convulsões financeiras. Agora, dá-nos eco de uma notícia que atribui ao BCP na Polónia o pecadilho de «fazer empréstimos denominados em francos suiços.» Depois, «o franco suiço valorizou 30% em relação ao zloty. Isto implica que os polacos que contraíram esses empréstimos e que ganham em zlotys passaram a dever mais 30% do que deviam.»
O uso do verbo “dever” neste contexto revela alguma perturbação. Mas que poderia/deveria ter acontecido então? O BCP ter-se escusado a propor aos seus clientes empréstimos em francos suíços, dado o risco de câmbio; o governo da Polónia ter impedido o esbulho; os bancos suíços terem recusado o dinheiro aos incautos polacos; ou quê?
Há uns anos, até fiz um empréstimo em ienes, pesando o risco e a vantagens das reduzidas taxas de juro japonesas. Vejo agora que o meu banco de então teve um comportamento censurável. O que vale aos gajos é que o tal banco já desapareceu.

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4 Responses to O vigilante da banca

  1. jcd diz:

    Dever de dívida. Deviam 100 e agora devem 130.

  2. Luis Rainha diz:

    OK, está certo; precipitação minha. Mas, mesmo assim, qual é o problema do JM com essa operação?

  3. Ricardo Duarte diz:

    o problema é que emprestimos de longo prazo (habitação) e de valor significativo numa moeda diferente daquela em que se obtem proveitos não é lá muito inteligente.

    grouchomarx

  4. Luis Rainha diz:

    O empréstimo só será de longa duração, nesses moldes, se assim o quiser. Eu passei o meu para euros mal tal coisa começou a existir.

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