Que conte tudo!

Enquanto uns militares portugueses andam a ameaçar, veladamente, com golpes de Estado, um outro militar, Manuel Pedro Pacavira, hoje sentado na vida diplomática com cadeirão na embaixada de Angola em Itália, promete contar tudo o que se lembra dos anos de brasa entre 1974 e 1976. Sobretudo as conversas e os encontros havidos com outros militares que fizeram a Revolução.

Pacavira lutou, na mata, pela independência de Angola; foi embaixador da ONU no tempo em que Reagan tratava de enviar armas e mercenários para Angola e dava uma ajuda ao “apartheid” da África do Sul; liderou a embaixada de Luanda em Cuba; e dedicou-se à escrita de romances antes de começar a desfiar as suas memórias. Nas polémicas angolanas, Manuel Pedro Pacavira consta de uma célebre acusação de Nito Alves, o homem que ousou afrontar Agostinho Neto, de ter sido um informador da PIDE.

O livro, a ser apresentado a 6 de Novembro, conta as negociações com os militares de Abril. Se Pacavira tiver uma excelente memória, certamente irá divulgar os nomes dos militares que tentaram, a todo o custo, travar a independência de Angola.

Na História de Portugal, sempre foi assim: nem os mais revolucionários, aqueles que quebraram regimes e práticas, fugiram de uma linha estratégica: Angola foi sempre a “Jóia da Coroa”. Espera-se portanto revelações.

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