Do Algarve a Abu Ghraib


Já não é a primeira pessoa civilizada que me diz algo assim: «A tal que cortou a filha às postas? Olha que pena que eu tenho.» Isto vem de gente que não consegue reprimir um justo frémito de indignação a cada nova história de abusos e sevícias em Guantánamo, em Bagram ou em qualquer outro dos entrepostos de tortura export USA. A história de Leonor Cipriano é abominável. E os motivos de quem a “interrogou” talvez fossem excelentes. Mas as desculpas dos torcionários da CIA também são bem engendradas: «conseguimos assim obter informação que salvou centenas de vidas». E lá volta o mesmo dilema: será aceitável chafurdarmos na abjecção e no mal se tivermos em mente objectivos nobres? Na minha modesta opinião, não. Nem numa esquadra em Portimão nem numa prisão em Bagdade. Mas isto sou eu a falar; eu que até me imagino capaz, nas circunstâncias extremas certas, de me deixar cair nos mesmos remoinhos.

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