Aprende com o teu inimigo

Se não é um milenar provérbio chinês, devia ser. E se esta história da ampliação do porto de contentores de Alcântara não é um negócio duvidoso, bem que parece. Não é que a colecção de monumentos em busca de pedestais do costume – de Helena Roseta a Miguel Sousa Tavares – mereça, por si só, grande crédito. Nem é que qualquer empresa que dê guarida a um ex-político deva ser votada automaticamente ao ostracismo. Mas tudo aquilo cheira a madeirização da política nacional: a confusão entre o privado e o público, a amizade alcandorada a factor crucial nos negócios, a visão dos concursos públicos como empecilhos a evitar, o desprezo altaneiro pelo que possa ser o interesse público, a utilização do deus Progresso como caução para tudo e mais alguma coisa. Na Madeira os amigalhaços fluem da administração pública para empresas interessadas em concessões atribuídas pelo governo? Na Madeira os negócios portuários andam submersos em opacas brumas? Na Madeira tudo se faz às escuras e tudo tem vencedores antecipados? Olhem bem para este caso e vejam lá se não estamos cada vez mais perto do arquipélago do soba Jardim.

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