Tango para um

O João Miranda esconde-se da crise e dá a volta ao mundo para encontrar mais malfeitorias do papão-Estado. Aterrando na Argentina, comenta a forma como a presidente Kirchner abichou os fundos privados de pensões, colocando-os sob controlo estatal. E descreve assim o ocorrido: «Na Argentina, o sistema privado de pensões era um sistema de capitalização. Os descontos eram investidos no mercado de capitais e os trabalhadores eram proprietários das suas contas poupança-reforma. A capitalização garantia que, a longo prazo, o valor descontado aumentaria progressivamente. Pelo contrário, o sistema público de pensões é um sistema de transferência entre trabalhadores e pensionistas. Não há qualquer acumulação de capital. As pensões dos actuais trabalhadores dependem dos descontos dos futuros trabalhadores.»

Estranho. Pelo que li, fiquei com a ideia de que há mais de um ano que o Fondo de Garantía de Sustentabilidad del Régimen Público de Reparto já funcionava da mesma forma que os fundos privados. Até estava capaz de apostar que li coisas como «Ese Fondo de Garantía de Sustentabilidad (FGS) se maneja con un criterio parecido al de las AFJP, con un menú que incluye títulos públicos, fideicomisos, plazos fijos, acciones de sociedades anónimas nacionales, mixtas o privadas, letras del Banco Central y hasta títulos de Estados Extranjeros u organismos internacionales.» E imagine-se, até parecia dotada de alguma liquidez, contrariamente à visão catastrofista do nosso blasfemo preferido: «Es una cuenta especial creada el año pasado para acumular los excedentes presupuestarios de la seguridad social, dado que en los últimos años la recaudación viene superando lo que se paga de jubilaciones. Ese fondo ya cuenta con unos 20.000 millones de pesos.» Mas pode ser que esteja enganado. As minhas certezas nunca foram tão firmes quanto as do João Miranda.

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