Nome de guerra

Efemérides: faz anos no dia 13 de Fevereiro o meu amiguinho e muitos anos vizinho da frente Helder, Helder Abreu. Apesar da rue du Helder, ao pé da Opéra, em frente de cuja placa toponímica me fiz fotografar um ror de vezes para ele sentir que Paris e o mundo o reconheciam, a verdade é que eu sempre achei o nome Helder um bocadinho incompleto, falho de qualquer coisa, e não era só eu. Decidimos então mudar-lhe o nome para Heldério, que é assim mais arredondado, polissilábico, e tem outra gravitas. O propriamente dito suspeito que não apreciou excessivamente, mas nada a fazer, Helderius est. O que também ficou desde essa altura foi o hábito de fazer variações sobre o seu nome: quando foi preciso criar um pseudónimo literário, arranjou-se Helder A., quando alguém quer produto, chama-se o grande H. e quando o Heldério se arma em fonas, passa logo a Alder Hebreu: é politicamente incorrecto e sabe um tudo nada a sumás de ananol, mas é mais forte que a gente. Parabéns, pá, pelos anos.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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