A partir de hoje, sou benfiquista na clandestinidade

Pode não haver almoços grátis. Mas barrigadas de riso inteiramente à borla, essas não param de nos chegar à mesa. Como a crónica de hoje de um João Malheiro, no gratuito Destak. Se bem percebi a coisa antes de ficar com a visão toldada pelas lágrimas, o homem está a anunciar o lançamento de um seu livro, algures na Av. da Liberdade, essa «sublime alameda, onde melhor bate o coração da cidade».
Não consigo fazer justiça ao encaracolado da prosa, à arca de Noé lexical que aqui aportou. Fiquem com o miolo da coisa, salvo seja: «Os textos, esses, valem o que valem, mas sempre valem porque valem futebol. Futebol que vale por ser o forro de tudo. De tudo o que, mais ou menos forrado, é do esguardo de todos.
Desfilam ideias, ideais, ideários. Desfilam identidades, idionomias, idílios. Desfila bem-dizer, até bendizer. Sempre que desfila maldizer é para bem-dizer, até bendizer do que a bola tem de mais bem-fadado, mais bem-merecido. De mais genuíno. E bem.
O futebol, escrevi num dia de sincera devoção, é a comitiva que não pára, que não vai parar no século XXI. Segue virtuosa, segue selecta, rejeita a prostituição futebolística. Segue compacta, segue sorrabada, percebe a saudade aflita.
O povo que honra a tribo, ao vê-la passar, põe rosto suplicante, esquece-se de ter medos, de ter outras fomes. Lança-lhe a flor. E a flor vale o amor.»
Contaram-me que o autor entretido em tão gongórica autopromoção já foi director de comunicação do Benfica. Não admira que ninguém entenda o que por ali se passa.

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