Gostamos mesmo é de Governos Fortes!


Marco Fortes fez de si o novo grande ícone português quando reivindicou a primazia do descanso sobre o esforço; o inevitável triunfo da nossa indolente e divertida forma de ser. Por aqui, o Rui Tavares condenou todos os críticos deste bravo atleta a «uma vida triste e seca». So be it.
Somos madraços, procrastinadores e pouco rigorosos? Façamos então de tais defeitos as virtudes que nos vão armar para vencer os desafios do amanhã. E não paremos ao nível chão dos atletas. Vamos até ao topo, até ao nosso governo, se preciso for.
Mas não é mesmo preciso. Já todos sabemos das trapalhadas em redor do Orçamento de Estado. Da graçola a propósito do Magalhães, dos problemas informáticos, da entrega aos bochechos. Mais: todos ouvimos falar das noitadas à última hora para ter uma espécie de documento pronto a tempo. Mesmo à boa portuguesa: deixa-se tudo para o fim, remenda-se a obra à pressa, oferece-se uns pastéis de nata aos jornalistas e a coisa há-de passar.
Marco Fortes fez escola. E já ninguém se indigna com esta forma trangalhadanças, manhosa e medíocre de fazer as coisas. Alguém imagina quantas gralhas, quantos erros estarão escondidos num Orçamento feito em contra-relógio, em noitadas insones? Mas não há crise: com Santana Lopes, habituámo-nos a esperar o pior. Só que este governo está a fazer o seu melhor por baixar ainda mais a fasquia.

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