Uma gravidez histérica


Rogério, vamos lá sem mais delongas abortar essa gravidez incómoda, gerada pelas dúvidas sobre o meu carácter que tanta comichão te causam (ou isso era das pulgas? No meio das tuas metáforas saloias, já me confundo).
Não deixa de ser uma admirável – ainda que pouco bem-vinda – vitória da chamada justiça poética, que aqui recorra à ERC para espalhar a luz nas mioleiras mais embotadas por vidas dedicadas ao servilismo. Mas enfim, lá terá de ser. Viajemos até ao site oficial da maligna entidade. E procuremos os documentos das audições no âmbito do processo reveladoramente chamado «Impulso irresistível de controlar».
Calma, que não temos de ter a coisa toda. Francisco Sarsfield Cabral é claro: «houve pressão»; «neste caso acho, foi com ameaças». A indignação oriunda do assessor governamental era quase plangente: «A RR é a única que está a dar esta coisa, isto é uma coisa horrorosa, é uma calúnia, é uma cabala». E depois, as instruções já mais claras: «Se suspenderem a notícia e tirarem do site», «O PM fica satisfeito, não fará coisas.» Conclusão de FSC: «Roçou o inadmissível, roçou».
Raquel Abecassis, subdirectora da tal emissora que se atrevia a pegar na história do “Público”, corrobora: «é uma pressão no sentido em que tenta alterar as decisões editoriais que a RR tomou.»
Podia agora evocar as divertidas declarações de Ricardo Costa, de acordo com quem é «absolutamente normal» que o primeiro-ministro lhe telefone a pedir explicações sobre notícias que o visam; mesmo que seja certo que «quando uma pessoa telefona, quer dar a sua opinião, quer influenciar qualquer coisa, quer pedir qualquer coisa, é normal». Mas isto nada acrescentaria ao que ficou demonstrado pelas declarações das chefias da Renascença.
Como vês, talvez, talvez se trate de malta algo mais relevante para o caso do que os teus feirantes. Não são bem provas do calibre de uma impressão digital de Sócrates no gasganete do JMF, mas são testemunhos de gente de bem. Repara que nem citei todos. E até deixei de fora o JMF.
Portanto, não se trata de emprenhar pelos ouvidos, mas sim pelo gravador. Será menos pitoresco, mas um poucochinho mais fiável.

Depois de tudo isto, tenho uma má notícia para te dar: não é a engravidares pelo que lês sei lá onde que te vai nascer tino.

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