Fedorento?

A SIC continua a sua inteligente estratégia de promoção do novo programa dos Gato Fedorento (ao contrário do que a RTP parece ter feito com uma sua aposta homóloga). Francamente, estou com vontade de ver a coisa, mas já me farta um pouco tanta aparição promocional. Enfim, ontem lá vi uma espécie de entrevista com a Rita Ferro Rodrigues. E aquilo correu bem, com momentos delirantes.
Mas o clima galhofeiro anuviou-se de repente, mal uma palavra proibida entrou naquele estúdio: “política”. Aí, a vontade de brincar deu logo lugar à pressa de fugir para o tema seguinte. A propósito da brilhante charge ao professor Marcelo, os Gato meteram os pés pelas mãos, tentando provar o improvável: que aquilo podia ter tido “efeito”, mas não tinha tido “intenção” política – dando como exemplo o efeito, inocente e livre de intenções pecaminosas, de um Domingo soalheiro na afluência a umas eleições.
O pior foi quando se falou do cartaz com que arrasaram há uns tempos a propaganda ranhosa de um partido xenófobo. Três deles preferiram desconversar, assobiar para o lado, ignorar aquele episódio como se fosse um embaraço. A conversa acabou por ser desviada, imagine-se, para o frutífero tema do… futebol. Valeu Miguel Góis, o único com a coragem de justificar a coragem pretérita, afirmando que “era o que faltava, os imigrantes virem cá fazer trabalhos que recusamos e ainda serem mal tratados” (cito de memória).
Espero que este tenha sido apenas um pequeno passo em falso. Que o contrato com o Dr. Balsemão não lhes limite as incursões na política às patuscas caricaturas de governantes e presidentes de clubes de futebol, assim à laia de bonecos do Contra Informação: engraçados mas sem intenções e, melhor ainda, sem efeitos.

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