Na semana da mobilidade

Mais uma vez, o “Dia sem carros” que, em Lisboa, consiste em fechar o trânsito entre o Rossio e o Terreiro do Paço. De utilidade muito duvidosa esta medida. Bem mais úteis são as medidas anunciadas para o transporte público nocturno ao fim de semana e véspera de feriado. De parabéns a Câmara Municipal de Lisboa, Secretaria de Estado dos Transportes e Ministério da Administração Interna.
O “Dia sem carros” é presentemente uma iniciativa simbólica que não incomoda ninguém, e não resolve o problema principal – andar de carro, em Portugal, é uma questão de status. Ainda “parece mal” andar de transporte público ou bicicleta. O “crédito fácil”, a “bolha” que parece que está a rebentar e que se traduz em os portugueses viverem aima das suas possibilidades também se reflecte no número elevado de carros novos. No entanto, conforme é visível, cada vez há mais portugueses a andarem de bicicleta. Por muito que isso custe aos bondosos proponentes destas campanhas cívicas, tal atitude dos portugueses só começou quando começaram a sentir no bolso os efeitos da – abençoada! – “crise do petróleo”.
É útil aliás perder um pouco de tempo a ler os comentários dos leitores destas notícias e comparar os comentários dos portugueses residentes no estrangeiro com alguns dos de residentes em Portugal. Como sempre, em Portugal, o bom exemplo tem que vir de fora – dos países onde há muito andar de bicicleta é um hábito corrente. Talvez assim se torne moda – se torne chic!

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18 Responses to Na semana da mobilidade

  1. Carlos Fernandes diz:

    Bicicletas electricas tá bem, agora as outras já nem os chineses andam nelas quanto mais…

  2. manuel monchique diz:

    oK! Mas Lisboa não é plana.
    Países da bicicleta são planos …. não andam aos altos e baixos porque nessas circunstancias não andam sem motor… raramente a pé.

  3. “Lisboa não é plana.”

    Tretas.
    O centro histórico de Lisboa não é plano. Tudo o resto (a esmagadora maioria da cidade) é pouco inclinado.

    Já agora, Lisboa tem muito melhor clima do que certas cidades onde se anda muito mais de bicicleta.

    Mas se não for a bicicleta, por que não o transporte público?

  4. Jorge v diz:

    quem acha que Lisboa não tem inclinação deve nunca sair da avenida de roma por exemplo.
    Venham de S. Bento até a s. Condestável ou do largo de alcantara até ao alto de s. amaro ou subir a rua maria pia ou a av. das descobertas ou…
    Claro que lisboa é optima para andar a pé e merece transportes publicos como os dos países europeus das bicicletas.

  5. Saloio diz:

    Senhor Filipe Moura: tem toda a razão nas suas observações, moremente, quando afirma: a) que os portugueses só vêm os exemplos vindos de fora; b) que os portugueses só começaram a andar de bicicleta por causa da escalada do preço dos combustíveis (que não é abençoada, desculpe-me lá); c) vêm-se mais ciclistas dentro de Lisboa.

    Cá para mim, que já sou velho para andar de bisca a cair nos buracos do António Costa e a fugir dos autocarros da Carris, dei-me uma prenda quando fiz 50 anos: uma scooter.

    Digo eu…

  6. Avenida de Roma, por exemplo. Areeiro, por exemplo. Avenidas Novas, por exemplo. Campo Grande, por exemplo. Alvalade, por exemplo. São Sebastião, por exemplo. Estrada de Benfica, por exemplo. Carnide e Pontinha, por exemplo. Avenida da Liberdade, por exemplo. Rato/São Bento, por exemplo. Av. Ceuta, por exemplo. Toda a zona ribeirinha de Algés ao Parque das Nações, por exemplo. Chega ou quer mais?

  7. Saloio, a crise do petróleo tem efeitos positivos, nomeadamente obrigar-nos a pensar como tornar a nossa economia menos dependente do mesmo. É claro que também tem muitos efeitos negativos, mas creio que são de curto prazo.

    Eu ando de bicicleta em Lisboa todos os dias e mantenho que é uma treta dizer-se que não se pode andar aqui de bicicleta. Agora é claro que não espero que toda a gente ande de bicicleta. Mas usem transportes públicos!

  8. JM diz:

    Estou em Paris e não quero outra coisa. Grande parte das pessoas é de bicicleta que anda. A câmara criou um serviço de bicicletas “públicas”: 30 euros por ano e temos acesso a uma bicicleta onde quisermos. Se estivermos cansados podemos simplesmente encostá-las a um qualquer dos “parques” que há espalhados pela cidade e seguir de metro ou a pé. Não sei se um projecto destes seria viável em Lisboa – sei que mesmo em Montmartre isto funciona, mesmo com os autocarros da RATP e os táxistas malucos!

  9. Filipe: de n Suecos q conheço q andam de Bicicleta pelas ruelas de gotemburgo, todos foram peremptórios em Reconhecer e Afirmar que era IDIOTA!!!!!!!!!!!!!!!!! andar de Bicicleta em LX e na minha vila!
    Pois. São só opiniões suecas. (Pessoalmente: ande quem goste … eu tenho medo.)

  10. Saloio diz:

    Quase todos os dias que percorro Lisboa de mota tenho verificado o aumento de ciclistas. Contudo, parte deles são estrangeiros.

    A semana passada estive em Santiago de Compustela e vi mutos ciclisatas de alguma idade – aí na casa dos 60 anos, eles e elas.

    Penso que a câmara devia lançar uma campanha a favor das deslocações velocipédicas mas, para isso, teria de haver primeiro uma campanha destinada aos motoristas da Carris e aos táxistas onde, muitas vezes, existem autênticas bestas – verifico isso com a minha moto, que é das grandes (pesa mais de 200 kilos e já levei um toque de um “fogareiro” que “não me viu”…).

    Quanto ao recurso aos transportes públicos motivado pela crise, Filipe moura, a minha mulher, que anda de autocarro, garante-me que desde Junho passado houve um súbito aumento de utentes. Também eu, na mota, denoto menos trânsito em Lisboa.

    Digo eu…

  11. Eu adoraria usar mais a bicicleta para me deslocar mas, para além daqueles problemas típicos que se conseguem ultrapassar (como é que levo o puto à escola, de bicicleta, tendo em conta que se trata de um percurso de mais de 20Km) empanco sempre no mesmo óbice. Eu moro na linha de Cascais, e trabalho no centro de Lisboa. O percurso faz-se, razoavelmente bem, 40 minutos a pedalar, sem muitas subidas pronunciadas. Mas, eu sou humana, e 40 minutos a pedalar fazem com que eu transpire. Como é?
    É que não faz o meu estilo cheirar mal, mesmo que ultimamente esteja na moda.

    Isso, e a condução homicida típica dos portugueses fazem com que essa hipótese ainda esteja na gaveta, e, lamentavelmente, não conto tirá-la da gaveta.

  12. Ricardo Santos Pinto diz:

    Acho piada às pessoas, do Porto e de Lisboa, dizerem, sempre que lhes é perguntado, que os transportes públicos não prestam. Essas pessoas são exactamente as mesmas que não andam de transportes públicos e que, por isso, simplesmente não sabem.
    Metro e comboio funcionam muito bem, tanto no Porto como em Lisboa. A CP melhorou muitíssimo o serviço nos últimos anos. Quanto aos autocarros do Porto, os que conheço, são melhores do que os de muitas cidades europeias, como Dublin.
    Quanto às bicicletas, claro que nem sempre são solução. Pelo menos numa cidade como o Porto, em que é só subidas e descidas. Mas nem que fosse solução: a maioria dos portugueses é demasiado comodista para largar o seu carro.

  13. Nik diz:

    Olha, eu hoje almocei numa esplanada do Rossio e não acho nada «duvidosos» o bom ar que lá se respirou e a boa onda que por lá se sentiu, em parte devido também à quantidade de bundinhas afro-americanas que por lá desfilaram à minha frente.

  14. Marta diz:

    “O “Dia sem carros” é presentemente uma iniciativa simbólica que não incomoda ninguém”

    Vê-se mesmo que não passou pela marginal hoje de manhã. A fila começava muito antes do Jardim do tabaco e só acabava depois do Cais do Sodré. Acho que nunca vi, ali, tanto carro junto.

  15. Luís Lavoura diz:

    “andar de carro, em Portugal, é uma questão de status”

    Esta frase, assim tão absoluta e genérica, é falsa.

    É verdade que muitas pessoas andam de carro por uma questão de status. Mas esse não é o caso para a generalidade das pessoas.

    A generalidade das pessoas vivem deveras longe do local de trabalho e têm, frequentemente, que levar filhos à escola e outras coisas que dificilmente lhes deixam outra opção que não o automóvel.

  16. Tárique diz:

    Caro “de Puta Madre”: o eng. Paulo Santos encontrou 20 suecos que, a andar de bicicleta em Lisboa, confirmam o que diz o Filipe e que o que os seus suecos dizem é “um disparate”.

    Luís

    A generalidade das pessoas vivem deveras longe do local de trabalho e têm, frequentemente, que levar filhos à escola e outras coisas que dificilmente lhes deixam outra opção que não o automóvel.

    … excepto a opção de terem escolhido uma casa mais perto do trabalho e escolas dos filhos, não? O problema é que o ciclo:

    carro->status->morar longe de tudo porque se tem carro-> construção de infraestruturas apenas acessíveis por carro porque “toda a gente tem carro” -> toda a gente precisa de carro porque os serviços são inacessíveis a quem não tem -> quem tem carro está melhor do que quem não tem -> quem tem carro tem status -> etc. -> encasinamentos, falta de lugares para estacionar -> estradas cada vez mais largas e estruturas cada vez mais afastadas umas das outras , etc. etc.

    A generalidade das pessoas vivem deveras longe do local de trabalho e têm, frequentemente, que levar filhos à escola e outras coisas que dificilmente lhes deixam outra opção que não o automóvel.

    Esta frase, assim tão absoluta e genérica, é falsa. Em Portimão, que é a maior cidade do Algarve, ninguém mora a mais de 20 minutos a pé do emprego e das escolas, e “toda a gente” tem carro. A mesma coisa repetir-se-á em qualquer cidade fora das áreas metropolitanas de lisboa e porto.

  17. Pingback: cinco dias » dia sem quê?

  18. Tárique
    Sou a; olhe que não deve ser, é a opinião deles … Por acaso, são mais do que 20 ( distribuídos por 10 anos de verões …) e ter em conta q só andam de bicicleta nos dias em q n chove muito. … Andar de bicicleta tem também esse detalhe. Nos dias de calor abrasador … tb deve ser cá uma coisa muito saudável, penso eu.

    (PS.: Pessoalmente, o carro é para mim uma verdadeira extensão da possibilidade de tornar o tempo elástico. Moro num sítio meio isolado, a partir das 16 horas a aldeia encerra e só reabre às 7 horas da manhã do outro dia … só se pode ir a pé, bicicleta, carro …; O carro só representará essa coisa de status se as pessoas sacrificarem a barriga & a cabeça ( cultura) em detrimento de possuírem um carro Top de Gama. Hummm, no verão, p.ex., nunca lavo o carro … ando sempre por estrada de terra batida ( n é um jipe!) … e é engraçado ver os olhos esbugalhados dos citadinos LX’s quando vou aí, com um ar como se desconhecessem o fenómeno poeira. Isso é que me espanta: as litradas de água desperdiçadas na lavagem exterior dos carros! …

    PS.: Se há que INVESTIR que seja em algo viável. A coisa das Bicicletas por exemplo numa cidade com características de Serra da Arrábida ( que tem tb muitas zonas planas, mas que os declives que as intercalam são inevitáveis) isso é que me parece um disparate!

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