Uma terra sem senhorios

Nesta questão das rendas de casa há vários aspectos que acho espantosos.
Acho espantoso que quem defende a “iniciativa” e o “empreendedorismo” acabe a defender uma actividade que de iniciativa e empreendedorismo tem muito pouco ou quase nada. Que empreendedorismo existe em gastar dinheiro em casas para alugar, em vez de fazer aplicações no banco ou jogar na bolsa? Que benefícios traz tal actividade para o crescimento da economia? Que empregos se criam? Que riqueza é produzida em concentrar-se um recurso que deve ser finito e, portanto, não produzido mais do que o necessário (a habitação nas grandes cidades) nas mãos de alguns senhorios endinheirados?
Dir-me-ão: a actual lei das rendas tem paradoxos? Pois é verdade. E conduz a situações ridículas? Pois conduz. Não sou um defensor da actual lei e nem da actual situação, mas não tenho nenhuma simpatia por senhorios ou pelo aluguer de casas enquanto ocupação permanente, e não posso apoiar nenhuma lei que estimule esta actividade. Reconheço que o mercado de aluguer é necessário, mas deve ser complementar, e baseado nas casas que não estão ocupadas por alguma razão. Não deve ser o fundamento, a razão de uma casa, pelo menos de uma casa particular. Uma segunda casa particular num raio mínimo de quilómetros deveria ser para vender e não para alugar. Deveria pagar impostos altos.
De entre as críticas que me fizeram foi a de “não conhecer bem outras realidades”. Pois nos EUA conheci dois casos de “senhorios” cuja única “profissão” era alugar quartos e estúdios a estudantes e investigadores (sem passar recibos e sem pagar impostos). Ganhavam o suficiente assim não só para comerem e eventualmente pagarem um seguro de saúde, mas para manterem as casas para alugarem e terem carros. Não faziam absolutamente mais nada. Não estudavam, não trabalhavam, não progrediam. Nem precisavam, com as casas que tinham recebido de herança. Não eram nenhuns coitados. Este modelo de sociedade ou estilo de vida não são defensáveis nem devem ser encorajados.
Há inquilinos que pagam rendas ridiculamente baixas e de coitados não têm nada, é verdade, mas a diferença em relação aos senhorios é que também há muitos casos de inquilinos com rendimentos de miséria. Nunca conheci nenhum senhorio que fosse pobre. Mesmo assim, gostam de se passar por gente “modesta” que investiu as suas “poupanças” numas “casas” para alugar como “complemento de reforma”. Pois bem, supondo que essas “casas” correspondem no mínimo a um prédio (muitas vezes correspondem a mais), receber rendas de dezenas de euros pelos apartamentos desse prédio correspondem a um bom “complemento de reforma”, pelo menos no que eu entendo por “complemento”. Quem chama a rendas de centenas de euros (a multiplicar por um prédio inteiro) “complemento de reforma” tem uma reforma muito boa! Não deve ter nenhum discurso miserabilista e nem merece compaixão. Em qualquer dos casos, tal rendimento (“complemento” ou não) não resulta de nenhum trabalho ou esforço. Eu não sou contra as pessoas enriquecerem, desde que trabalhem para isso.
O mais curioso é que os maiores defensores do arrendamento de casas têm todos casa própria! Defendem o estímulo do arrendamento, mas arrendar casa não é com eles. Quem os quer ver é nas suas casinhas próprias. Se viver em casa alugada é tão bom, por que não alugam as suas casas uns aos outros e deixam os trabalhadores terem casa própria, uma ambição justa e legítima?

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , . Bookmark the permalink.

37 Responses to Uma terra sem senhorios

  1. mariana diz:

    1. o discurso parece mais pejado de inveja pelos que, tendo mais dinheiro, optaram por investí-lo em casas.

    2. alugar uma casa ou vender uma casa antiga não cria postos de trabalho. no fundo, são duas maneiras do dinheiro voltar ao investidor. que, como deve saber, tem o dever de zelar pela casa. o que nem sempre é fácil, se este depender de rendas de 20 euros…

    3. o que se faz com o que se herda fica, suponho, ao critério de cada um. eu posso herdar 3 casas e vendê-las, ficando com os lucros para me sustentar. ou alugá-las, e ficar com os lucros para me sustentar. de qualquer maneira, não tive que me esforçar nada para ganhar o dinheiro. a tal invejazinha nota-se aqui: ai que chato, haver quem ganhe sem trabalhar! não há direito!

    4. comprar casas, mesmo que para alugar, implica sempre um esforço económico. é um complemento da reforma? sim, e qual é o mal? se eu trabalhei, juntei dinheiro e decidi por casas a alugar, não posso ter direito a receber agora lucros pelo meu investimento no passado?

    5. é quase insultuoso insinuar que só apoia o arrendamento quem é rico. precisamente por não szer rica é que apoio o arrendamento. toda a vida vivi numa casa alugada, com rendas actualizadas. espero, assim que puder, alugar um apartamento razoável no porto. para não ter que me endividar nem ficar presa a um sítio por uma prestação de uma casa. um dia até poderei comprar uma. o bom é haver sempre mercado para tudo, ou devemos ter todos a mesma moral e os mesmos bons costumes?

  2. O meu amigo verá o seu problema resolvido, filosófico e prático, se conseguir arranjar maneira de ir viver para Cuba, não a do Alentejo, a outra, um magnífico país com um não menos magnífico povo, no qual não há mercado (pelo menos legal) e, consequentemente, nem arrendamento, nem compra, nem venda…. Suprime-se assim o problema … e pronto deixa de se chatear com os senhorios parasitas e os inquilinos miseráveis, ou vice versa! São todos (ou quase) miseráveis!

  3. “Em qualquer dos casos, tal rendimento (“complemento” ou não) não resulta de nenhum trabalho ou esforço. Eu não sou contra as pessoas enriquecerem, desde que trabalhem para isso.”

    És contra o aluguer de carros também, então?

    Ó Filipe, uma pessoa comprar uma casa para a alugar pressupõe esforço. Pressupõe que se pague bem pela casa. E repara que casas para comprar não falta, enquanto casas em condições para alugar é algo muito em falta (muito por culpa da estúpida lei das rendas).

    A tua posição parece-me completamente irracional e preconceituosa.

    Ah, já agora, eu estou a comprar uma casa que tenho alugada e vivo eu mesmo numa casa alugada.

  4. 1. Uma casa não se aluga. Arrenda-se, como qualquer outro bem imóvel.

    2. Não cabe ao Estado nem a ninguém querer incentivar ou desincentivar qualquer actividade económica enquanto ocupação permanente. Agora voltámos ao condicionamento industrial em versão ainda pior ou quê ?

    3. “Uma segunda casa particular num raio mínimo de quilómetros deveria ser para vender e não para alugar”. Fascismo puro e duro. Cada um faz da sua propriedade o que bem entender.

  5. Yoda diz:

    Chumbado!
    Casas arrendam-se!

  6. De acordo com a Mariana. Filipe, o teu discurso tresanda a inveja. E desculpa que o diga, mas também a complexos.

  7. Carlos Duarte diz:

    Caro Filipe Moura,

    E por o dinheiro no banco, num pode? Afinal, também rende e não precisa de trabalhar… Ou por em certificados de dívida pública (vulgo aforro)? Está a “explorar” os seus concidadãos via impostos!!!

    O problema em Portugal não é ter casas nas mãos de meio dúzia de senhorios / proprietários. É antes pelo contrário ter a propriedade (principalmente a urbana) pulverizada por uma enormidade de pequenos proprietários, que depois leva à existência de aberrações como os condomínios. Eu, que acho o sistema de propriedade inglês estranho, mais que compreendo e apoio um sistema ao estilo do leasehold (que basicamente não passa de um contrato de renda a 100-150 anos, ou o equivalente privado a uma concessão) para as propriedades verticais multifamiliares (i.e. apartamentos).

  8. Luís Lavoura diz:

    O Filipe Moura faz uma sugestão com muito sentido. Uma pessoa que herde umas casas, em vez de as arrendar e ficar sem fazer nada a viver à custa das rendas, deve mas é vendê-las, pôr o dinheiro no banco a pagar juro de 5% ao ano (menos 20% de imposto, sobra 4%), e ficar sem fazer nada a viver à custa do juro.

    Excelente, prodigiosa ideia: substituir os senhorios que vivem à custa de rendas por indivíduos que vivem à custa dos juros de depósitos bancários e da especulação em bolsa.

    Existe, no entanto, um pormenor: não existindo senhorios, as pessoas que querem arrendar uma casa, as quais são cada vez mais nos tempos que correm, não conseguirão obter casa. O Filipe Moura, por exemplo, que nos EUA viveu nas casas de uns senhorios crápulas que não faziam mais nada se não viver das rendas, pode pensar no que lhe teria sucedido se esses senhorios não tivessem existido: o Filipe teria tido que ir viver para o hotel!

    Filipe, digo-lhe uma coisa: a sociedade comunista faz sentido, mas só se fôr integralmente comunista. Impôr o comunismo num setor, sem o impôr nos setores restantes, dá desastre. Impôr o comunismo no setor do arrendamento, sem o impôr também no setor da compra e venda de casas, dos depósitos bancários, e tutti quanti, dá desastre. Se o Filipe deseja o comunismo, e tem todo o direito de o desejar, lute por uma revolução integal e imponha-o de uma vez por todas – não o faça apenas setorialmente, porque dá barraca!

  9. Pingback: Lógica da batata « O Insurgente

  10. Snowball diz:

    1- É tão empreendedor como abrir um café igual aos outros. Se abrir um café num local onde faça falta, e conseguir obter receitas suficientes para cobrir os custos e remunerar o capital e o trabalho, para um dado nível de risco, tem sucesso no empreendimento. Da mesma forma, se comprar uma casa para arrendar num local onde ela seja necessária (p.e. junto a uma universidade), e conseguir obter receitas suficientes (implica encontrar inquilino, e não demorar muito a conseguir outro quando o 1º abandona o apartamento) para cobrir os custos (impostos e manutenção), para remunerar o capital (o custo da casa) e o trabalho (arranjar inquilino e assegurar a manutenção) para um dado nível de risco (não conseguir arrendar durante muito tempo; o Estado impôr congelamento das rendas), tem sucesso.

    2- Que benefícios traz? Bem, permite o arrendamento a quem não tem necessidade, vontade ou dinheiro para comprar uma casa (p.e. estudantes universitários), aumenta a flexibilidade da economia (pois permite a um trabalhador aceitar uma oportunidade noutra cidade, pois não está “agarrado” à casa). Enfim, responde a uma necessidade que existe no país: a existência de casas para arrendamento. Na verdade, os senhorios não têm necessidade nem vontade que exista produção de casas superior à necessária, pois isso implica que deixariam de conseguir arrendar as casas ou, no limite, arrendar mais barato, o que deveria alegrá-lo…

    3- Gosto muito do seu exemplo dos senhorios que fogem aos impostos. É tão bom como os dos traficantes de droga que moram em habitação social, com os mercedes estacionados à porta. Quem está na ilegalidade não é propriamente exemplo para este caso. Embora me pareça inaceitável que quem esteja na ilegalidade tenha direito a casa subsidiada pelo Estado… De resto, o seu problema não é com os senhorios, é com as heranças.

    4- “Nunca conheci nenhum senhorio que fosse pobre.” No entanto, considera que o senhorio mais “modesto” tem um ou vários prédios para arrendar. Ou a realidade lisboeta não tem nada a ver com a do Porto, Minho ou Beira Alta (regiões que conheço bem) ou o Tiago é muito bem relacionado… A maioria dos senhorios tem um ou dois apartamentos.

    5- “Tal rendimento (“complemento” ou não) não resulta de nenhum trabalho ou esforço”. A sério? Resulta de tanto esforço como as pensões da segurança social. Nalguns casos até em mais esforço, pois há quem receba sem nunca ter descontado. Suponho que seja contra a segurança social, portanto. Ou o seu problema não será mesmo com as heranças?

    6- “deixam os trabalhadores terem casa própria, uma ambição justa e legítima?” E em que é que arrendar casa impede isso? E não ter que arrendar casa não é uma ambição justa e legítima, também? O meu irmão já viveu em 3 cidades diferentes. Deveria ter de comprar casa em todas elas?

    7- Por último, não sou defensor do arrendamento. Isso é tão fascista como ser contra o arrendamento. Sou a favor de que cada um faça o que entender. Defendo as vantagens da propriedade privada, mas que esta não é absoluta, e tem de ser colocada em prol da sociedade. O que significa que um bem que não é utilizado, por não criar valor, deve ser penalizado, pois impede a sociedade do seu usufruto. Daí que deva pagar impostos adicionais. Mas ficamos por aí. Ninguém deve ser obrigado a vender uma casa, ou impedido de arrendá-la, nem de o fazer a um preço que não quer. Para isso serve o imposto adicional. É o que se paga para “comprar” o direito a ter, a arrendar ou a não arrendar a casa. Simple as that. Tudo o resto, limita-se à defesa do totalitarismo. Eu prefiro defender a Liberdade.

  11. Luis diz:

    Este discurso é absolutamente indigente. Nem sei por onde começar:
    1) Toma como realidade indiscutível o cliché do inquilino de rendimento miserável e do senhorio com notas a cair dos bolsos. Sugiro-lhe uma volta por zonas nobres de Lisboa (Av.Guerra Junqueiro, Av.Manuel da Maia, Av.Roma, Av.Brasil, R.Castilho, R. Brancaamp) onde encontra casas de 8, 10, 12 assoalhadas arrendadas por tuta e meia a pessoas de altíssimos rendimentos. Por dever profissional, conheço dezenas de pessoas (inquilinos) que fizeram o negócio das suas vidas, assim.

    2) Os senhorios não são, nem têm que ser, pessoas modestas. São proprietários de um bem, que decidiram rentabilizar. Muitos deles ficaram efectivamente pobres – viram as suas propriedades desvalorizadas e foram forçados a vender aos inquilinos, a preço ridículo, porque mais ninguém as comprava. Outros, não sendo pobres no sentido estrito da palavra, também não têm capital para investir em obras, ou para indemnizar o inquilino, de forma a libertar o imóvel.
    O Filipe não conhece nenhum senhorio pobre. Sorte a sua. Se quiser, apresento-lhe vários.

    3) Só por ignorância alguém julga que ter um prédio e receber várias rendas de “dezenas de euros”, pode ser um rendimento !!!! O Filipe não vive neste mundo. Julga que é só receber rendas. Não sabe que, mesmo que o senhorio não faça obras num prédio, continua a pagar luz, limpeza, elevadores quando existem. Julga que não há impostos, seguros, taxas de esgotos e de mais isto e aquilo.

  12. Luís Lavoura diz:

    Concordo veementemente com o Carlos Duarte. O problema em Portugal é haver senhorios a menos, e não a mais. Os condomínios são um cancro e uma bomba-relógio, que a longo prazo vai rebentar, pois que, a longo prazo, não se pode gerir convenientemente, modernizar, nem demolir para reconstruir, um prédio que tem muitos proprietários. A minha opinião é que os prédios, em geral, deveriam ser propriedade de um único senhorio, o qual arrendaria os andares. Quem quisesse ter casa própria deveria ter que comprar uma moradia. A formação de condomínios deveria ser, legalmente, fortemente restringida (por exemplo, ser permitida só em prédios com um valor muito elevado e/ou com uma grande área e/ou com um número muito elevado de frações). Os condomínios são uma chaga social, que a longo prazo vai custar caro ao país.

  13. Pingback: Bombardeamento silencioso « Vasco Campilho

  14. Os teus senhorios americanos estão em situação ilegal. Podias tê-los denunciado.

    Desculpa mas o resto é mais do mesmo e o que não resulta de muita conjectura enviesada tua já foi mais que rebatido.

    DP,
    arrendatário que defende o arrendamento a senhorio e não aos bancos (vulgo, “compra”)

  15. “O Filipe Moura, por exemplo, que nos EUA viveu nas casas de uns senhorios crápulas que não faziam mais nada se não viver das rendas, pode pensar no que lhe teria sucedido se esses senhorios não tivessem existido: o Filipe teria tido que ir viver para o hotel!”

    Luís Lavoura, depois disso vivi em França (um país socialista, apesar do Sarkozy) em alojamento da universidade. Muito bom. E nada barato. O bom estado social francês, para além de me pagar uma bolsa, ainda me dava um complemento de alojamento. Bons tempos.

    “Só por ignorância alguém julga que ter um prédio e receber várias rendas de “dezenas de euros”, pode ser um rendimento !!!! O Filipe não vive neste mundo. Julga que é só receber rendas. Não sabe que, mesmo que o senhorio não faça obras num prédio, continua a pagar luz, limpeza, elevadores quando existem.”

    O senhorio dos meus pais não faz obras no prédio, não tem elevadores e limpeza… nenhuma! Vive num palacete no Restelo.

  16. cristã diz:

    “Eu não sou contra as pessoas enriquecerem, desde que trabalhem para isso”. Mas então como é que os senhorios arranjaram dinheiro para comprar as casas que agora alugam? Ai não foi com o dinheiro do trabalho? Então? Se o Filipe conhece o truque diga-me, por favor.

  17. Luis Rainha diz:

    O que tu “conheces” ou não é perfeitamente irrelevante para a realidade. Poderia dar-te exemplos opostos aos teus, mas não me parece que adiante.
    Vires para aqui a expandir a tua má experiência com slumlords até englobar todo o mercado de aluguer de casas é actividade que não te leva a lado algum. E essas generalizações estranhíssimas acerca de prédios inteiros, etc., tampouco me parecem produtivas. Diz-me: se tu, proprietário de um imóvel, casasses com alguém que já fosse dono de um outro apartamento, sentir-te-ias obrigado a vender o imóvel excedentário? Ou irias alugá-lo, se daí resultasse algum proveito, justo e livremente negociado entre as duas partes? É que além do dinheiro, a tua parceira ficaria com a garantia de ter onde habitar, em caso de separação.Estás a ver como a realidade às vezes até não é tão simples como a imaginas?

  18. Luís Lavoura diz:

    Ao exemplo do Luís Rainha (comentário das 13:36) eu acrescentaria um exemplo que se tornará cada vez mais comum no futuro: se os teus pais morressem e tu herdasses o apartamento onde eles viviam e não tivesses o que lhe fazer, uma vez que tu mesmo já és dono da casa onde vives, não considerarias a hipótese de arrendar o apartamento dos teus pais em vez de o vender?

    O Filipe Moura ainda vive no modelo, que era o de há uns decénios atrás, do senhorio que possuía um prédio inteiro arrendado. Hoje em dia, como o Filipe deve saber, a posse de apartamentos está extremamente espalhada entre os portugueses, pelo que cada vez mais os senhorios são pessoas que têm apenas um apartamento arrendado – o apartamento que era dos pais, ou o apartamento de solteiro, etc.

  19. Luís Lavoura diz:

    “vivi em França […] em alojamento da universidade […] nada barato”

    O Filipe Moura acha bem que uma universidade ganhe dinheiro sem fazer nada, assim desta maneira, explorando gananciosamente, com rendas astronómicas, os estudantes oriundos de países pobres? Não considera isso vergonhoso, que a universidade lhe tivesse cobrado uma enorme maquia por um apartamento? O Filipe não vê que os proprietários da universidade estariam, provavelmente, a enriquecer à sua custa, sem terem feito qualquer esforço ou trabalho produtivo que justifique tal enriquecimento? O Filipe não acha que a univesidade deveria ser obrigada a vender esses apartamentos, em vez de os arrendar por esses valores vergonhosos?

  20. “Mas então como é que os senhorios arranjaram dinheiro para comprar as casas que agora alugam? Ai não foi com o dinheiro do trabalho? Então?”

    Cristã, acha que as pessoas enriquecem trabalhando? No tempo em que se compravam prédios inteiros não era assim que se enriquecia. Hoje recebem os prédios como herança.

    Luís Rainha, o que eu disse sobre “prédios inteiros” não são “generalizações estranhíssimas”. Desde o princípio que deixei bem claro que sou contra o açambarcamento de casas, ou seja, comprar-se casas de que não se precisa, com o único fito de as alugar. É o caso dos donos de prédios inteiros. Não é o caso que referes. O que escrevi (“Uma segunda casa particular num raio mínimo de quilómetros deveria ser para vender e não para alugar. Deveria pagar impostos altos.”) também se aplicaria progressivamente e de forma agravada à terceira, à quarta casa e assim sucessivamente. Se quiseres não se aplicaria à segunda – é só uma sugestão.

    Luís Lavoura, nessa situação, se não precisasse do apartamento vendia-o. Dou-lhe a minha palavra de honra.

    De restos os exemplos que vocês dão – senhorios que alugam um apartamento -, para além de serem necessários (eu nunca disse que o mercado de aluguer era desnecessário) não se aplicam ao principal tema em discussão, que são as rendas antigas. Esses casos de aluguer de um apartamento, na maioria dos casos sã temporários e feitos a rendas “do mercado”. A discussão que temos tido aplica-se principalmente às rendas antigas, em que tipicamente os senhorios possuem o prédio todo. Embora reconheça que há casos absurdos de inquilinos protegidos com essas rendas antigas, não tenho pena nenhuma desses senhorios e considero que o seu “negócio” deve ser desencorajado.

  21. cristã diz:

    Não há quem tenha comprado um prédio com o dinheiro proveniente do trabalho? Não? Então conte lá como foi…

  22. Luis diz:

    “O senhorio dos meus pais não faz obras no prédio, não tem elevadores e limpeza… nenhuma! Vive num palacete no Restelo.”

    Óptimo para ele. Em contrapartida, de certeza que os seus pais pagam uma fortuna, por 2 assoalhadas a 80 km de Lisboa.

    “Cristã, acha que as pessoas enriquecem trabalhando? No tempo em que se compravam prédios inteiros não era assim que se enriquecia. Hoje recebem os prédios como herança.”
    Jà era de esperar. Fique sabendo que grande parte de Lisboa foi construída dos anos 30 em diante, com o objectivo de arrendar. Sim, foi a aplicação de poupanças. Deu emprego a muita gente e permitiu a muito mais ter habitação.

    “sou contra o açambarcamento de casas, ou seja, comprar-se casas de que não se precisa, com o único fito de as alugar. É o caso dos donos de prédios inteiros.”
    Engana-se. De forma geral, os prédios foram construídos com esse fim específico. Não existiriam se assim não fosse.

    “os exemplos que vocês dão – senhorios que alugam um apartamento -, para além de serem necessários (eu nunca disse que o mercado de aluguer era desnecessário) não se aplicam ao principal tema em discussão, que são as rendas antigas. Esses casos de aluguer de um apartamento, na maioria dos casos sã temporários e feitos a rendas “do mercado”. A discussão que temos tido aplica-se principalmente às rendas antigas, em que tipicamente os senhorios possuem o prédio todo.”

    Engano seu. Seria assim em meados do século passado. Nesta altura a propriedade está já bastante disseminada (herdeiros de herdeiros, sabe). Como a ALP lhe poderia explicar, o típico proprietário tem cada vez menos propriedades .

  23. Respondendo ao Luís Lavoura, comentário das 14:50:

    Não. De todo. A Universidade não “enriquecia” ao alugar quartos e apartamentos aos seus alunos e investigadores de pós doutoramento. O dinheiro que ganhasse investia-o em melhores condições de trabalho para alunos e professores. Não era lucro dos seus “donos”. As universidades não devem ter “donos” (o que não significa que tenham que ser uma empresa pública como as outras). Em França seguramente não têm donos.

    Não sei o que o Luís quer dizer com “países pobres”. No meu caso a bolsa que recebia de França chegava perfeitamente (tinha complemento de renda e tudo, como disse). Para quem tinha bolsa de Portugal, pois bem: Portugal não é um país pobre, e as bolsas da FCT para o estrangeiro são tudo menos curtas. Mas isso é outra conversa.
    É uma situação completamente diferente, Luís.

  24. Dinis diz:

    tinha feito aqui um comentário. Foi censurado. não era insultuoso nem ofensivo. Era um comentário. A indigência mental tembém se prescruta nestas atitudes.

  25. toni diz:

    tanta gente que sabe o que os outros devem ou nao fazer.
    é so donos da superioridade moral e intelectual.
    cretinismo em aglomerados politicos.
    chama-se esquerda portuguesa.

  26. Carlos Duarte diz:

    O que o Filipe Moura não percebe é que o modelo antigo, em que um senhoria era dono de um “bloco” de apartamentos (de um edíficio) é infinitamente melhor que o actual em que cada um é dono de um apartamento.

    O “segredo” do mercado de arrendamento lá fora (e para não bater no ceguinho do RU, vou para o caso alemão) baseia-se exactamente nisso mesmo: senhorios “grandes proprietários” que, por causa disso, possuem toda uma estrutura de suporte (as obras são feitas a tempo e horas, os contratos assinados sem delongas) e um regime de arrendamento que “mistura” arrendamento de longo prazo (MAS COM UM PRAZO, ou seja, eventualmente termina e não é ad eternum) sólido, que dá garantias ao inquilino que não será despejado sem mais nem menos, complementado por um regime de “curto prazo” para inquilinos móveis (estudantes, jovens profissionais) com uma elevada disponibilidade de opções no mercado.

    Resultado? Prédios devolutos quase zero, os que existem são normalmente “antigos” (pelos nossos parâmetros), mas em excelente estado de conservação e regularmente renovados. A escolha no mercado é elevada, as rendas são acessíveis (principalmente quando comparadas com a opção de compra) e toda a gente ganha.

    Cá em Portugal temos exactamente ao contrário: um regime de propriedade pulverizado por “n” pequenos proprietários, com um regime extremamente rígido de aluguer em que, caso não se precavenha, o proprietário pode ficar “apanhado” num regime de rendas baixas sem prazo, em que os desgraçados que não usufruem dessas rendas acabam por “pagar” a falta de segurança do sistema com rendas muito elevadas. O resultado é um mercado de arrendamento práticamente inexistente, esquizofrénico (com rendas ou muito altas ou muito baixas), prédios devolutos ou com baixa ocupação…

  27. cristã diz:

    Mas para ser senhorio é preciso ser rico??? Filipe, o nosso mundo não é propriamente o Mundo, nem podemos fazer regra dos casos que conhecemos. A facilidade com que generaliza a partir do que apenas conhece, é notável.

  28. Luís Lavoura diz:

    “o modelo antigo, em que um senhorio era dono de um “bloco” de apartamentos é infinitamente melhor que o actual em que cada um é dono de um apartamento”

    Exatamente.

    Esse modelo é superior porque, nele, o proprietário de casas é um PROFISSIONAL que sabe do seu ofício e faz as coisas com economias de escala e com eficiência.

    Além disso, esse senhorio profissional pode, facilmente, fazer melhorias no seu prédio (instalação de rede de gás, instalação de coletores solares, fechamento de varandas, transformação do rés-do-chão em garagem, seja o que fôr) que, no sistema de condomínios, são praticamente impossíveis de fazer, ou exigem complicados acordos entre os condóminos.

    O senhorio comum de um prédio pode também, finalmente, quando vê que o seu prédio já está desadaptado dos novos gostos e necessidades, demolir o prédio e construir no seu lugar um novo, mais adaptado aos gostos modernos. Coisa que, no atual sistema português de propriedade pulverizada em condomínio, é pura e simplesmente impossível.

  29. Luis diz:

    Não digam isso, que o Filipe é contra. Porquê ? Porque sim.

  30. TersaFM diz:

    Nalgumas Ruas do Porto (a realidade que eu conheço), como por ex. a Rua Mártires da Liberdade ou a Rua do Pinheiro (zona histórica), existem prédios inteiros da propriedade de um só senhorio. Sim, é verdade. Acontece, porém, que encontram-se esses prédios em completo estado de degradação. Os senhorios são (nos prédios que eu conheço, claro está), na generalidade, idosos. Os inquilinos também. As rendas são baixissimas – conheço casas T4 com rendas de € 25,00. Os senhorios, que investiram (ou herdaram) nas casas, não tiram rendimentos provenientes suficientes delas, para melhorar o locado. Os arrendatários, porque a casa não é deles (é essa a mentaliade) também não fazem nada.
    As casas degradam-se e degradam-se e os arrendatários acabam por sair dessas casas, pois que já nem o preço compensa.
    E por tudo, há hoje muitos senhorios, donos de prédios, que têm uma única casa arrendada, com uma renda ridícula de € 20,00 mais ou menos.
    Os senhorios (os tais riquissimos), porque são idosos, têm umas reformas normalíssimas, gastam imenso dinheiro em medicamentos e outras extravagâncias, não têm possibilidades de aguentar o encargo de um prédio urbano (como pagar impostos e outras coisas mais), e vendem-nos a preços, também eles ridículos, a investidores que, aproveitando-se da má situação económica dos senhorios, vão reonstruir e VENDER a bons preços (ah, isso já não faz mal, porque os investidores trabalharam para tirar lucros dos prédios).
    A situação é má, é sim senhor, mas quanto aos senhorios, venham eles – soubesse eu o que sei hoje nunca tinha “comprado” uma casa – o pior senhorio continua a ser o banco.

  31. Chico da Tasca diz:

    Pronto, não se pode chamar parasitas aos Manuéis Alegres, nem aos Louçãs, nem aos Jerónimos. Mas é isso mesmo que eles são ! São parasitas, inúteis e empecilhos ao desenvolvimento do país.

    Quanto a este post é de uma imbecilidade a toda a prova.

    Era o que faltava que um cidadão não tivesse a liberdade de poder investir onde muito bem queira, desde que em algo que não seja ilícito .

  32. Pingback: cinco dias » Comentários avulsos sobre o que o Filipe escreveu sobre as rendas

  33. A. Laurens diz:

    Investir as economias do trabalho e investir em casas para alugar é bem mais louvável que por o dinheiro em paraísos fiscais. Além demais é útil. Se a habitação tivesse ficado mais por aí a economia teria outros rumos mais interessantes. Que acha dos países, como a França por exemplo, cuja proporção de casa própria e aluguer é inversa à situação portuguesa? Sabe outra questão interessante, que se passa com amigos meus estrangeiros? Começaram muito novos com aluguer de pequenos estúdios e foram mudando de sitio e tamanho de casa conforme ia progredindo nas suas carreiras. E sabe mais? Promove a independência dos jovens e sobretudo a dos jovens cujos pais não lhes podem comprar o ditoso ninho. Sabe o que isso representa? Uma juventude mais livre e ambiciosa. Pois é … às vezes a esquerda fica cega.

  34. Agora o Luís Lavoura deu em totalitário. Era o que mais faltava fazer restrições dessas ao direito de propriedade.

  35. MPR diz:

    O que ainda me custa mais a perceber é esta aversão ao “açambarcamento” de casas como lhe chama o Filipe. Não há falta de casas em Portugal, há excesso. Não estamos num mercado imobiliário com falta de oferta, mas com falta de procura, ninguém fica sem casa por haver senhorios com “prédios inteiros”. E porque não a revolta contra o aluguer de espaços comerciais, ou o trepasse? Porque não dizer que todo o pequeno comerciante teria que ser obrigado a comprar a sua loja? E porque não ser contra os hoteis, estalagens e hospedarias de todos os géneros? O que qualquer actividade hoteleira faz é alugar espaço imobiliário, normalmente quartos em prédios em vez de casas, e com um preço muito superior ao que qualquer aluguer de apartamento possa alguma vez custar.

  36. Snowball diz:

    Em termos históricos, uma terra sem senhorios é uma terra de barracos e favelas. Depois dos senhorios terem financiado o esforço de edificação necessário para alojar significativa parte da população portuguesa é fácil chamar-lhes parasitas. E hoje, que subsidiam grande parte dos inquilinos, grande parte dos quais pobres, também é fácil chamar-lhes parasitas.

    No entanto, foram e são os senhorios quem presta a função social que o Estado se revelou incapaz de prestar. Pelo que me parece, é o Estado que é parasita dos senhorios.

  37. Pingback: Uma terra sem comunismo « O Insurgente

Os comentários estão fechados.