ZIZEK ESTÁ HOJE NA FÁBRICA

Só mesmo o filósofo Slavoj Zizek conseguia encontrar em Donald Runsfeld, ex-secretário da Defesa dos Estados Unidos da América, um contributo notável no domínio da filosofia.
Rumsfeld fez a seguinte declaração no início da ocupação do Iraque: “há coisas que sabemos que sabemos, há coisas que sabemos que não sabemos e há coisas que não sabemos que não sabemos”. Estas declarações que fizeram rir muita gente, levaram Zizek a valorizar este esforço neuronal e acrescentar: ‘muito bem, só falta definir, nesta séria cartografia do conhecimento, que “há coisas que não sabemos que sabemos”, isto é o “inconsciente”‘.
Zizek, um dos mais importantes pensadores contemporâneos, estuda o papel da ideologia nas nossas vidas, afirmando que ela é a razão porque apesar da situação desastrosa do mundo, consideramos mais provável que uma catástrofe destrua a terra de que o capitalismo seja ultrapassado. Faz uma síntese original do pensamento de Lacan, Hegel, Marx e Lenine, tentado descobrir os mecanismos que condicionam a nossa forma de ler a realidade e que impedem a sua transformação.
O pensador mantém a vontade de não aceitar o fim da história, mas confessa não ter nenhuma receita. Para ele, estamos no tempo de inverter a célebre 11ª tese de Marx sobre Feuerbach e dizer: é necessário pensar o mundo, em vez de fazer esforços vãos para o transformar. Zizek não acredita numa política pós-moderna e numa esquerda rendida às teses do multiculturalismo, das identidades e da tolerância. Nos seus escritos, o Estado continua a ser um lugar de poder e a economia tem de ser politizada. Provoca os activistas LGBT, entre outros e outras, dizendo que a forma permissiva da sexualidade contemporânea é aquela que melhor se adapta ao capitalismo tardio.
Hoje, às 17:45, quem for à Fábrica do Braço de Prata pode escutar Slavoj Zizek.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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