A directiva da vergonha e o silêncio ensurdecedor dos europeus

Foi aprovada com os votos da maioria do Parlamento Europeu, entre os quais se contam os votos de eurodeputados do CDS, PSD e PS , a chamada Directiva do Retorno. Este texto vergonhoso prevê a prisão dos imigrantes clandestinos até 18 meses, a expulsão dos imigrantes para países terceiros (provavelmente, como aconteceu aos imigrantes de Ceuta e Melilla, para irem morrer no deserto do Sahara, longe dos olhares europeus) e , violando declarações de direitos humanos subscritas por Portugal e outros paises europeus, a expulsão de menores desacompanhados.

Assiste-se à criminalização de pessoas, que tal como gerações de portugueses, têm como único crime procurarem uma vida melhor para si e os seus filhos.

Depois da condenação de Chávez e Lula, rapidamente criticada pela ala esquerda do Insurgente, os governantes dos países da América Latina aprovaram um texto na Cimeira do Mercosul que, citando o Público, diz o seguinte:

“Os Presidentes dos Estados do Mercosul e associados rejeitam qualquer intenção de criminalização da migração irregular e a adopção de políticas restritivas, em particular visando as populações mais vulneráveis, as mulheres e as crianças”, escreveram os participantes no documento final do encontro de Tucúman, cidade a 1200 quilómetros de Buenos Aires.
Assinaram o protesto a líder argentina e anfitriã da cimeira, Cristina Kirchner, e os homólogos do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, do Paraguai, Nicanor Duarte, da Bolívia, Evo Morales, da Venezuela, Hugo Chávez, do Chile, Michelle Bachelet, e do Uruguai, Tabaré Vásquez. Puseram ainda a sua assinatura os ministros representantes do Equador, Colômbia e Peru.
Num dos parágrafos mais duros, os participantes incitam à luta contra “o racismo, a discriminação, a xenofobia e todas as formas de discriminação”. Noutro, não menos forte, pedem aos países desenvolvidos que “evitem subvenções multimilionárias que falseiam a competitividade, e a falta de abertura dos seus mercados aos produtos emergentes […], que acentuam os motivos de migrações, que são a pobreza estrutural e a exclusão”.

Como de costume, o governo do Partido Socialista assume a posição responsável dos carcereiros: calado, colaboracionista e a assobiar para o ar.

Adenda

O Tiago Barbosa vem justificar o injustificável:

– Primeiro, ninguém escreveu que a maioria dos deputados socialistas votou na directiva, apenas se disse que houve gente do PS que votou na directiva. Mas, o mais grave nem foi essa votação: o mais grave foi que o governo português não se pronunciou contra a directiva no conselho de ministros europeu que apreciou a dita directiva.

– Segundo, eu não invectivei o Tiago Barbosa, apenas o chamei a ala “esquerda do insurgente”. Parece-me ingrato que o Tiago que há anos a fio é considerado pelo o Insurgente o melhor blogger de esquerda , sendo, por isso, uma espécie de homem de esquerda de estimação dos leitores do insurgente, se sinta invectivado com isso.

– Terceiro, Chávez fez muito bem ao reagir, como outros presidentes, a esta directiva inqualificável e atentatória dos direitos de muitos cidadãos latino-americanos. É também para isto que servem os governos. Acho que o problema é que o Tiago sempre que houve falar do Chávez saliva e, como tal, ignorou no seu primeiro post a posição de Lula e o conteúdo infame da directiva.

-Quarto, fico feliz que o meu post tenha obrigado o Tiago Barbosa a tomar posição contra a directiva.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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46 Responses to A directiva da vergonha e o silêncio ensurdecedor dos europeus

  1. Luís Lavoura diz:

    Não contestando que esta diretiva é muito infeliz, pergunto no entanto:

    1) Supondo que queremos expatriar uma pessoa e que não sabemos bem de que país ela veio e/ou que não dispomos imediatamente de lugares em aviões para esse país, não teremos que, necessariamente, manter a pessoa detida?

    2) Sendo que muitos imigrantes ilegais chegam sem passaporte (porque se perdeu na viagem, porque foi confiscado pelos passadores, porque eles próprios voluntariamente o deitaram fora para não poderem ser identificados), não será natural que então, eles sejam deportados para países terceiros?

    3) Como é que menores chegam à Europa desacompanhados? Se fizeram a viagem para cá desacompanhados, não poderão também fazer a viagem de retorno desacompanhados?

    A imigração ilegal não está criminalizada. No entanto, se queremos impedir que os imigrantes ilegais entrem no mercado de trabalho e/ou da mendicidade e/ou do crime, teremos que os manter detidos enquanto não conseguirmos deportá-los. Não é verdade?

    É claro que há uma alternativa: aceitar a entrada dos imigrantes ilegais, permitir que eles fiquem no país, que arranjem trabalho, etc. Foi o que fez a França nos anos 60 com os imigrantes portugueses. É essa a alternativa que se advoga? Que toda a imigração passe a ser, automaticamente, legal?

  2. Bom post. É agradável saber que isto não vive só de debates sobre a transexualidade, nem de amáveis referências, e sempre tão respeitosas, àquele tipo extraordinário do Governo.

  3. A Moura Pinto diz:

    Um soco bem dado no estômago a abarrotar deste clube de ricos tão zelador dos direitos humanos. Depois admiram-se que Chavez e outros consigam singrar tão facilmente…

  4. Luís diz:

    Bem, se o Chavez é contra a tal de directiva deve ter algum mérito.

  5. Nuno diz:

    Critica a directiva, está obviamente no seu direito. Não é de facto muito simpática
    E que tal sugerir a sua solução para resolver a imigração ilegal? É pq criticar é fácil apresentar soluções é que é produtivo.

  6. Citando Luís Lavoura (coment. acima):

    «É claro que há uma alternativa: aceitar a entrada dos imigrantes ilegais, permitir que eles fiquem no país, que arranjem trabalho, etc. Foi o que fez a França nos anos 60 com os imigrantes portugueses. É essa a alternativa que se advoga? Que toda a imigração passe a ser, automaticamente, legal?»

    Esta é a grande questão: estar contra esta Directiva é fácil e cómodo, mas é também intelectualmente desonesto, se não se propuserem alternativas. Eu, confesso, desconheço-as (se é que foram devidamente apresentadas).

    E isto conduz-nos a outra importante QUESTÃO DE MORAL: a Esquerda mais radical deverá promover a sua credibilização procurando apresentar sempre alternativas melhores às medidas que critica. Chama-se a isto, todos os sabemos, criticismo CONSTRUTIVO.

  7. Sérgio diz:

    Também foi aprovada uma directiva que permite o trabalho até 65 horas semanais. Esta medida, quando for implementada em Portugal, vai ter resultados trágicos, pois basicamente vai significar o fim das horas extraordinárias que são essenciais no orçamento de inúmeras famílias.

    Era bom que de vez em quando a malta se importasse um pouco com os nossos coitadinhos em vez de ser sempre com os coitadinhos dos outros.

  8. The Studio diz:

    No vejo que esta directiva seja uma forma de racismo ou atentatoria dos direitos humanos. Alem disso, se os imigrantes nao querem passar por esta situacao so’ tem que proceder de acordo com as normas legais.

    Eu concordo com esta directiva. Quanto ao Nuno, gostava de saber que medidas propoe para resolver esta situacao. Se tem solucoes melhores, excelente. Nao tem nenhumas? Pois, ja’ se sabia.

  9. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caros Vários,
    A primeira coisa que tenho a dizer é que nenhum combate à imigração clandestina pode ter como articulado medidas desumanas e criminalizadoras dos imigrantes. Prender 18 meses as pessoas. Mandá-las para a morte. Deportar crianças não é justificado por nenhum objectivo político, é apenas um crime.
    É para mim claro que o problema da imigração clandestina não se resolve com esta directiva, ela apenas castiga a parte mais fraca.
    Qualquer alternativa passa por planos e programas internacionais de desenvolvimento dos países mais pobres, e a curto prazo, criar mecanismos legais , claros e fáceis de imigração legal.

  10. xatoo diz:

    É um facto, entre os portugueses sem qualificações ou assim assim, porque são brancos e de fino recorte ocidental, ninguém quer aceitar trabalhar por baixos salários em tarefas consideradas menores. (lá fora sim)
    Na economia neoliberal o import/export de trabalhadores é uma questão de mercado. No actual momento existem em excesso. Assim, o governo tomou providências.
    Até os estrangeiros na China estão a ser alvo da não renovação de vistos de permanência; as dificuldades para os arranjar com destino a Angola são conhecidas, para o Zimbabwe ninguém quer ir, etc: Trata-se de um retrocesso civilizacional.
    Assim, quem se lembra do velho slogan “produzir localmente, consumir localmente”? é o que vai estar a dar.

  11. bloom diz:

    “ala esquerda do Insurgente” Lindo!

  12. dsm diz:

    O Nuno Ramos de Almeida começa por dizer que a directiva foi aprovada com os voto “de eurodeputados do CDS, PSD e PS”. É o truquezinho: não diz “dos deputados do”, diz “de”. É como se eu escrevesse que “só um deputado do BE” se opôs à directiva; é verdade, não é? Enfim, a esquerda tablóide ataca de novo.

    Agora, na adenda, diz que “apenas se disse que houve gente do PS que votou na directiva”. Houve gente, note-se. Mas, se consultarmos a acta da sessão do Parlamento Europeu, vemos que, do grupo PSE, votaram a favor os deputados “Badia i Cutchet, Carnero González, Fraile Cantón, Garcés Ramón, García Pérez, Gierek, Glante, Golik, Grabowska,
    Gröner, Hänsch, Haug, Jöns, Kindermann, Kósáné Kovács, Krehl, Kreissl-Dörfler, Kuhne, Martínez Martínez, Medina
    Ortega, Menéndez del Valle, Miguélez Ramos, Moreno Sánchez, Öger, Piecyk, Pleguezuelos Aguilar, Rapkay, Riera
    Madurell, Salinas García, Sánchez Presedo, Sornosa Martínez, Sousa Pinto, Walter, Yañez-Barnuevo García”.

    Está lá, de facto, “Sousa Pinto”, Sérgio Sousa Pinto. Mas o Nuno Ramos de Almeida diz que “houve gente do PS que votou na directiva”. Gente? Mais um truquezinho: o Sousa Pinto também é gente, dirá NRA.

    Enfim, NRA (que é jornalista, penso) vai-nos servindo a verdade a que temos direito.

  13. Nuno Ramos de Almeida diz:

    DSM,
    Não consigo perceber, deve ser porque não sou assessor. O Sérgio Sousa Pinto não é gente e não é do PS? Já agora, o governo que não esteve contra a directiva no conselho de ministros europeu, tb não é do PS?
    Finalmente, o José Vitor Malheiros, excelente jornalista, fez uma muito boa crónica sobre o assunto em que referiu que deputados do CDS e PSD votaram a favor…eu acrescentei do PS. É isso menos verdade?

  14. Apoiado. Tal como no caso das 65 horas, sobre o qual há dias escrevi, a posição do PS em relação à directiva que criminaliza a emigração clandestina consiste basicamente em tentar escapar-se por entre as gotas da chuva. É preciso pedir-lhes contas. É preciso, para começar, que eles saibam que a gente sabe.

  15. Nuno Ramos de Almeida diz:

    João Pinto e Castro,
    És tu? Confesso que estou confuso. Deve ser mt subtil o comentário que eu não estou a perceber o segundo sentido que de certeza tem. A minha idade já não perdoa.

  16. dsm diz:

    NRA

    Acredito que não perceba, mas, francamente, acho que me expliquei com clareza bastante. E isto: “para não gostar de ser tomado por parvo, não é preciso ser assessor”, percebe?

  17. Nuno Ramos de Almeida diz:

    DSM,
    Para não gostar de ser tomado por parvo não é preciso ser assessor, mas para ser cego ajuda muito.
    Eu escrevi isto: “Foi aprovada com os votos da maioria do Parlamento Europeu, entre os quais se contam os votos de eurodeputados do CDS, PSD e PS , a chamada Directiva do Retorno”. Detecta alguma imprecisão? Já agora, não acha relevante o governo do PS não ter feito nada nas instâncias comunitárias contra a directiva?
    Parece que é o meu caro DSM que me quer tomar por parvo.

  18. dsm diz:

    NRA

    E, já agora, voltando à acta: do grupo PPE-DE, votou contra a deputada Hennicot-Schoepges e abstiveram-se os deputados Atkins, Bowis, Bradbourn, Burke, Bushill-Matthews, Chichester, Dover, Doyle, Elles, Evans Jonathan, Grosch, Harbour, Heaton-Harris, Higgins, Kamall, Karim, Kirkhope, McGuinness, McMillan-Scott, Mitchell, Nicholson, Parish, Petre,
    Purvis, Stevenson, Sturdy, Sumberg.

    Não vejo ninguém do PSD ou do CDS.

    Portanto, eu, se fosse jornalista, era capaz de dizer que a directiva tinha merecido o apoio “dos (dos!) deputados do PSD e do CDS e de um deputado do PS”. Mas, por essas e por outras, duvido que tivesse muito êxito nessa profissão. Se calhar ainda acabava em assessor.

  19. xtremis diz:

    Mas porquê complicar o que é simples?!

    Os nossos emigrantes são sempre “gente esforçada, honesta, corajosa, limpinha, que procura lá fora o que não tem cá dentro”.

    Os imigrantes a que se refere esta directiva são “uma corja infecta, maliciosa, gatuna, podre, que só vem causar problemas e tirar o trabalho dos locais”.

    Como é evidente, entre estas duas visões muda apenas a perspectiva de quem a profere: se está no país “de origem” ou se está no país “de destino”.

    Ah, e como em todas as generalizações, ambas as visões são injustas e passíveis de serem manipuladas para o que der mais jeito…

  20. Nuno Ramos de Almeida diz:

    DSM,
    Eu não vi a lista dos deputados que votou contra. Mas, tem razão, podia ter escrito:”deputados do PS votam contra a opinião do governo Sócrates, em relação à directiva do retorno. Só Sérgio Sousa Pinto apoia o chefe”. Era muito mais correcto.

  21. António Figueira diz:

    Nuno,
    Tu não precisas de ajuda, porque já és crescido que chegue, mas esta conversa de “des” e “dos” é patética: o Governo (PS) apoiou, o Sérgio Sousa Pinto (PS) votou a favor, e o resto é apenas má consciência ; por estas e por outras, é que eu nunca percebi a diferença entre a Feira do Relógio e os hipermercados do Belmiro.

  22. António, tu não percebes a diferença, mas quem recebe o rendimento mínimo percebe. Há coisas que se entende melhor sem estudos.

  23. JOE BALZAC diz:

    MAS ALGUEM AQUI LEU O TEXTO DA DIRECTIVA? Alguem aqui sabe o enquadramento legal existente hoje em dia na UE 27? Alguem pode defender a situacao presente onde NAO EXISTE um regime legal comum na Europa? Quem esta contra esta Directiva apenas esta a favor da perpetuacao dos guetos e dos regimes onde os imigrantes em situacao irregular sao colocados em campos (sem a vigilancia do direito comunitario) por tempo indeterminado e uma vez expulsos nao podem mais regressar (mesmo pedindo visto ou nao) a UE para o resto da vida. Com esta directiva (que nao e perfeita mas e o compromisso possivel nos tratados actuais – que venha o TRATADO DE LISBOA e DEPRESSA) o Direito Comunitario acrescenta um nivel de proteccao juridico a todos os imigrantes em situacao irregular/ilegal. Esta na hora de acabar com este populismo anti-Europa e PEDIR RESPONSABILIDADES (POIS AS TEM) A TODOS OS QUE VOTARAM CONTRA ESTA DIRECTIVA E QUE TAMBEM VOTARIAM CONTRA O TRATADO DE LISBOA. QUEREM EUROPA MAS NADA FAZEM PARA A CONSTRUIR, SO DESTRUIR.

  24. João Pinto e Castro,
    Conheço muitos desempregados e gente modesta que também não percebe, se calhar é porque também sabem pensar.

  25. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Joe Balzac,
    Disseram-me que esta foi a tese do Sérgio Sousa Pinto. Li a directiva conheço a situação em Malta, mas permita-me não concordar. Uma directiva injusta é uma directiva injusta, ainda por cima com a chancela dos 27. As três medidas mais graves não são um compromisso são um crime.

  26. Aires diz:

    De facto, é uma vergonha a juntar a outras que infelizmente a Europa vai somando, ao longo de passados dolorosos de colonização…

    Recentemente as guerras civilizacionais do iraque e afganistão, patrocinada pelos srs. bush e blair e barroso e aznar, origiranam radicalismos do outro lado

    de que não nos podemos queixar em termos do que continuamos a fazer nos países do terceiro mundo, alguns destes já considerados emergentes

    Parece que nesta crise mundial da energia e materias primas, Europa não percebeu ainda como desenvolver relações equitativas com america latina, óbviamente um continente com quem devemos preservar afinidades de varia ordem, incluindo as economicas.

    abraço

  27. Lidador diz:

    “Qualquer alternativa passa por planos e programas internacionais de desenvolvimento dos países mais pobres, e a curto prazo, criar mecanismos legais , claros e fáceis de imigração legal.”

    Concretamente o que têm a propor?
    “Melhores políticas”.
    Quais?
    “Políticas diferentes”
    Sim, mas concretamente?
    “Políticas alternativas, políticas para as pessoas, porque as pessoas não são números”
    E fazer o quê?
    “Alguma coisa, obviamente”

    É esta a “solução” do NRA.
    Moralismo de pacotilha e pena a abarrotar de palavras vazias.
    Só cá falta algum ” “social” pelo meio, entremeado com “guerra do Iraque”, “voos da CIA” e o habitual solilóquio.
    O grau zero .

  28. Lidador diz:

    “produzir localmente, consumir localmente”

    O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, chamava a isto “autarchia”.

    E atrás dela vem o Lebensraum.

    Há socialismos e socialismos, mas no fim, regressam todos ao ovo da mesma serpente.

  29. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Lidador,
    Estanho muito, que você que é conhecido pela sua imensa inteligência e pela capacidade impar de analisar a realidade sem propor soluções sempre iguais, não tenha percebido o que eu escrevi.
    Volto a repetir, agora em letras GRAAAAANDES. É um esforço grande mas tem as suas compensações: quando você perceber, quer dizer que toda a gente já percebeu.
    O PROBLEMA DA IMIGRAÇÃO CLANDESTINA SÓ SE RESOLVE COM O DESENVOLVIMENTO DOS PAÍSES DOS MIGRANTES E ATÉ LÁ COM REGRAS CLARAS QUE TORNEM A IMIGRAÇÃO FÁCIL E LEGAL E DESARTICULEM OS CIRCUITOS DE IMIGRAÇÃO ILEGAL.
    É NESTA DIRECÇÃO POLÍTICA, DIVERSA DA ACTUAL, QUE O PROBLEMA PODE SER RESOLVIDO. Percebeu? Duvido.

  30. The Studio diz:

    Quanto a se a imigracao ilegal e’ crime e se esta directiva e’ crime, ja’ vimos que o NRA tem opiniao oposta ao codigo penal. Portanto o que conta e’ a opiniao do NRA.

  31. Lidador diz:

    Ok, NRA, já percebi. Desculpar-me-á, mas a minha limitada capacidade para ver o mundo do alto da estratosfera, leva-me sempre a duvidar de soluções divinas.
    Mas se você diz que para o mundo ser melhor, é necessário que o mundo seja melhor, quem sou eu para o contradizer.

    De resto essa sua abordagem fenomenológica , assim a voo de pássaro, já me deu várias soluções para outros problemas do mundo.
    Por exemplo, para os homens voarem, são necessárias políticas que facilitem o voo livre e que avancem na direcção de dotar de asas toda a gente.
    Para acabar com a fome, são necessárias políticas que acavbem com a fome e que avancem na direcção de colocar comida à frente de cada homem.

    Ou seja, melhores políticas, políticas diferentes, políticas humanas políticas alternativas que “eles”, não querem tomar porque, ao contrário de nós, são maus, feios, porcos, cúpidos e cheiram a cebola.

    Chamem já a Miss Bombarral…tem um discurso idêntico mas ao menos é mais bonita.

  32. Lidador diz:

    “O PROBLEMA DA IMIGRAÇÃO CLANDESTINA SÓ SE RESOLVE COM O DESENVOLVIMENTO DOS PAÍSES DOS MIGRANTES ”

    Como?
    Qem manda?
    Quem faz os decretos?
    Quem os impõe?
    E quem paga?
    Eu?
    E quem me obriga?
    O NRA?

    P.S. De qq modo concordo que se o mundo não tivesse esfomeados não havia fome e que no dia em que não houver fome, não haverá esfomeados e que é preciso dar de comer a quem tem fome.
    Não sei é como isso se faz.

    Mas o NRA sabe.
    Apenas se esqueceu de explicar.

  33. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Lidador,
    Peço desculpa de me esquecer que você só percebe a vulgata neoliberal do Consenso de Washington. Vou por passos, para além das medidas contantes nas críticas do Mercosul que você concordará, lembro-lhe a passagem da notícia: “Num dos parágrafos mais duros, os participantes incitam à luta contra “o racismo, a discriminação, a xenofobia e todas as formas de discriminação”. Noutro, não menos forte, pedem aos países desenvolvidos que “evitem subvenções multimilionárias que falseiam a competitividade, e a falta de abertura dos seus mercados aos produtos emergentes […], que acentuam os motivos de migrações, que são a pobreza estrutural e a exclusão”.
    Eu acrescentaria, várias medidas , constantes em livros de autores como o prémio Nobel Stiglitz: Recuperar a lógica keynesiana de organismos como o FMI e Banco Mundial, desenvolvendo planos de investimentos nesses países.
    Dissuadir a especulação financeira, tornar mais trasparentes os mercados bolsistas e limitar o tipo de acções sobre mercados futuros, erradicar os paraísos fiscais, estabelecer uma taxa Tobin sobre os movimentos especulativos nos mercados câmbiais e fazer reverter esse dinheiro para investimentos produtivos nos países do sul, estabelecendo fundos de coesão.
    Finalmente, a regularização das migrações e legalização dos migrantes(são apenas 3 por cento da população mundial), permitiria o afluxo aos países do sul das remessas dos seus migrantes.
    Para além, evidentemente, da mudança política que você não percebeu.

  34. Lidador diz:

    NRA, vamos então por partes:

    “incitam à luta contra “o racismo, a discriminação, a xenofobia e todas as formas de discriminação”.

    Toda a gente incita contra qq coisa. É fácil, barato e fica bem. Na dúvida incita-se e já se ganhou o dia.
    Há aliás muito por onde incitar, com resultados igualmente garantidos: pode-se incitar contra o genocídio, o fratricídio, o roubo à mão armada, as derrotas do Benfica, etc,etc.

    Acontece que no mundo real, existem estados-nação que, todos eles, discriminam os nacionais dos estrangeiros, justamente em função desse facto. Têm de o fazer, é a natureza das coisas, os “cidadãos do mundo” são abstrações muito giras, dão motes para grandes poesias sobre as utopias que hão-de vir, mas entretanto é preciso viver com os pés na terra.
    E é natural que os governantes legítimos de cada país adoptem políticas que em primeiro lugar considerem os interesses dos seus cidadãos, aqueles que os elegeram justamente para isso.
    Tão natural como a Natureza. Você, na sua casa, alimenta 1º os seus filhos e só depois de isso garantido, pratica as boas acções que todo o bom escuteiro deve praticar. Na prática está a descriminar, o que o coloca na alçada dos incitadores. De resto, entre esses incitadores, constam curiosamente aqueles que passam a vida a “nacionalizar” recursos, alegando que são para o respectivo povo. Estão a descriminar, portanto.
    Mas pronto, já que incitam, desculpa-se o pecado.

    “, pedem aos países desenvolvidos que “evitem subvenções multimilionárias que falseiam a competitividade”

    Boa medida. Só é pena que logo a seguir avancem com os perdões das dívidas, o que corresponde exactamente a uma subvenção milionária a fundo perdido. Ratsiraka, por exemplo, ri-se a bandeiras despregadas e Mengistu Mariano viveu que nem um nababo com as quantias do Live Aid.

    “, e a falta de abertura dos seus mercados aos produtos emergentes”

    Tb estou de acordo que é necessária mais liberalização e mais trocas livres. Mas veja, os incitadores que citou estão, quase todos eles,contra o NAFTA, que é justamente um acordo de livre comércio.
    Se o NRA está a convocar um comércio mais livre, estou de acordo. Não sei é como é que isso se consegue com incitações, se os governos dos respectivos países são contra. O Conselho de Segurança manda a tropa resolver o caso e prender os recalcitrantes?
    Ou faz mais umas “incitações”?
    E se alguém vetar? Convocam-se as legiões celestiais? As tropas galácticas?

    “ acentuam os motivos de migrações, que são a pobreza estrutural e a exclusão”.

    As migrações são causadas por maus governos e más políticas nos países de onde se emigra. O resto é conversa da treta.
    Mas que fazer?
    Ocupar o Zimbabwe e correr com os malucos no governo? Com que tropas? As de Federação Galáctica? Os amigos do NRA?

    “Eu acrescentaria, várias medidas , constantes em livros de autores como o prémio Nobel Stiglitz: “

    O que escrevia isto?
    “os países em desenvolvimento (…) devem eliminar as barreiras proteccionistas que garantem abundantes benefícios a alguns, mas forçam os consumidores a pagar mais pelos bens….os países em desenvolvimento necessitam (…) responsabilidade democrática, abertura e transparência, e devem livrar-se da corrupção que tem asfixiado a eficácia do sector público e o crescimento do sector privado”

    Concordo.
    Quanto à “ lógica keynesiana”, informo-o que está atrasado mais de 30 anos, em matéria económica. Esse foi chão que deu uvas…há para aí uns gráficos tramados.
    De resto acha que o FMI faz dinheiro?
    De onde pensa que vem o dinheiro do FMI?
    Não será dos seus bolsos?

    Na verdade, meu caro, muitas das críticas de Stiglitz ao FMI e ao BM, (do qual aliás foi despedido por indecente e má figura), já tinham sido levantadas antes dele por distintos liberais.
    Mas é deveras estranho que o bom do Stiglitz chame “fundamentalista de mercado” a uma organização criada, financiada e gerida por Estados, que empresta dinheiro a Estados, que só trata com Estados e que exige até que estes subam impostos, o que não é nada liberal, penso eu de que…..
    Consegue entender a contradição?

    “ erradicar os paraísos fiscais”

    Com as tropas galácticas?
    Mas você não entende que não basta enunciar grandes princípios. Explique por favor QUEM é que deve acabar com os paraísos fiscais.
    Apre, assim tb eu sou capaz de inventar “soluções” para tudo.
    É preciso fazer isto, e aquilo. Mas QUEM e COMO?
    É esse o busílis da questão.

    E quanto a isso, o NRA, nada….
    Limita-se a incitar e a recitar soluções impessoais.

    Eu acho tb que para haver paz é preciso acabar com a guerra.

    E pronto, está resolvido o problema…acabe-se com a guerra.
    Já incitei, já estou bem.

  35. Lidador diz:

    P.S. Nos caos em que está escrito “descriminar” deve ler-se “discriminar”.
    Obviamente….

  36. Sérgio diz:

    O Lidador costuma dizer muitos disparates, mas desta vez nem por isso…

  37. Aires diz:

    Acho que está aqui uma boa discussão pela qual felicito o autor NRA.

    Também o Lidador,

    que me parece no entanto lidar mal com diferentes, das suas, perspectivas de análise das coisas.

    As suas questões, primeiras, sendo bem postas, não anulam outras que outras gentes valorizam mais.

    Não posso deixar de lhe lembrar que sempre fomos, e somos, um país de emigração

    e que ainda agora, no plano das nossas exportações e economia,

    tem importantes ligações com varios destes países emergentes.

    Mas não deixo de referir que as questões englobantes que menospreza,

    são questões básicas no precipitar, e desenvolvimento, da crise que se vive,

    onde estas questão são postas, e bem postas digo eu, pelo NRA, creio, e muitos dos comentadores aqui intervenientes.

    abraço a todos

  38. 37 comentários! Estamos a progredir.

  39. The Studio diz:

    So’ algumas questoes muito simples ao NRA:

    – Diz que devemos facilitar a imigracao. Em Portugal, por exemplo, temos dezenas de milhares de imigrantes no desemprego. Os novos imigrantes a legalizar viriam fazer exactamente o que? Viriam engrossar o numero de desempregados? Se temos empregos para os imigrantes, porque nao comecamos por dar esse emprego aos que ja’ ca’ estao?

    – Sabe que o governo Espanhol de Zapatero vai pagar a mais de um milhao de imigrantes LEGALIZADOS para abdicarem da autorizacao de residencia e regressarem aos seus paises? Vamos facilitar a legalizacao para depois lhes pagar para abdicarem da legalizacao?

  40. Miguel diz:

    Lidador
    “Com que tropas?”
    Tropas não faltam… o problema esta no interesse. No “O que é que eu ganho com isso?”

  41. Joe Balzac diz:

    ao NRA
    Crime é deixar os ilegais sem proteção e abrigo; nas mãos das redes de criminais que continuam a lucrar com o tráfico de seres humanos e trazerem clandestinos para a UE (com a ilusão de que devido às posições panfletárias do estilo”directiva da vergonha” podem ser ficar na UE à vontade e claro serem explorados até ao tutano por aqueles que aproveitam a condição de ilegais). Apresente soluções e fique sabendo que esta directiva e a política de retorno está em discussão na UE desde 2002. Estranho que apenas agora é que a Esquerda caviar desperta para essa realidade. Agora derrotada, em vez de apresentar soluções para uma política eficaz para regular os fluxos migratórios na UE, apenas acusa (de criminoso) quem apresenta propostas. Assim também eu seria esquerda de papo cheio e sem responsabilidades governativas ou sentido de Estado.

  42. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Lidador,
    Eu não vou perder mt tempo com as suas questões pq são básicas. As instituições económicas internacionais têm poderes. Algumas têm mesmo poder de impor coercivamente a sua agenda, veja-se o caso do FMI e da OMC. E o conhecido caso da disseminação do chamado consenso de Washington, acordado pelo FMI, Banco Mundial e Reserva dos EUA, nos países da América Latina. Fundos, planos e acordos internacionais são feitos muitas vezes. Sobre a transparência das aplicações das bolsa dos valores e a intervenção nos mercados futuros, não sou o único a pensar que é fundamental. O G8 pediu ao FMI uma investigação sobre a especulação no mercado petrólífero. O presidente da GALP afirmou que o preço do petróleo devia ser 70 dólares o barril, sem a especulação e que os poderes públicos deviam intervir para regulamentar o mercado bolsista de forma a diminuir a especulação, etc, etc… Só os fieis do monetarismo puro e duro é que não perceberam que os tempos mudaram e que já todo o mundo procura outras saídas, pq as receitas cor-de-rosa do monetarismo só enriqueceram os mt ricos e estão a levar o mundo a uma recessão profunda.
    Compreendo que não goste de Stiglitz, é um brilhante economistas que ganhou um Nobel com estudos sobre a informação assimétrica nos mercados. Percebo que lhe incomode alguém, com dois dedos de testa, que prove que os mercados não são como nos modelos da microeconomia, com ceteris paribus no fim.
    Por “indecente e má figura”, literalmente, foi corrido o seu amigo Paul Wolfowitz . Acho que mesmo no Banco Mundial não gostam de gajos que aumentem o ordenado das pessoas que dormem com eles. Mas, é a vida.

  43. Lidador diz:

    “Eu não vou perder mt tempo com as suas questões pq são básicas”

    Pois são. Mas não lhes respondeu. E sem respostas, até as questões mais básicas levam ao chumbo.
    Antes de fazer cálculo diferencial, tem de saber somar e subtrair.

    “Compreendo que não goste de Stiglitz”
    Hummm, não é bem isso.
    Stiglitz aconselhou Clinton, por exemplo, sobre o NAFTA que é um um acordo do mais puro “neoliberalismo”.

    Stiglitz esteve muito bem e só começou a passar-se depois de ter sido despedido do Banco Mundial.
    A partir daí encetou uma deriva ideológica a que não será alheia a raiva de se ver corrido por indecente e má figura e também pela “vanitas vanitatum” de se ver adulado por todo um conjunto de “intelectuais de esquerda” que nunca entenderam bem aquilo que ele escreve e se limitam a aspirar as frases que lhes parecem estar de acordo com os seus preconceitos ideológicos

    Uma deriva para a senilidade ideológica parecida com a do Dr Freitas, que ficou muito ressabiado com a Madeleine Albright e a partir daí começou ao peido e coice com tudo o que lhe cheirasse a stars and stripes. É humano…

  44. Sérgio Pinto diz:

    Stiglitz esteve muito bem e só começou a passar-se depois de ter sido despedido do Banco Mundial.
    A partir daí encetou uma deriva ideológica a que não será alheia a raiva de se ver corrido por indecente e má figura e também pela “vanitas vanitatum” de se ver adulado por todo um conjunto de “intelectuais de esquerda” que nunca entenderam bem aquilo que ele escreve e se limitam a aspirar as frases que lhes parecem estar de acordo com os seus preconceitos ideológicos

    Uma vez mais, o caro lidador fala do que manifestamente não sabe.

    Diz o bom do Stiglitz, num artigo do passado mês de Maio (para o Project Syndicate), o seguinte:
    Advocates of trade liberalization touted its advantages; but they were never fully honest about its risks, against which markets typically fail to provide adequate insurance. Over a quarter-century ago, I showed that, under plausible conditions, trade liberalization could make everyone worse off. I was not arguing for protectionism, but rather sounding a cautionary note that we must be aware of the downside risks and be prepared to deal with them.

    Portanto, veja lá se deixa de papaguear baboseiras antigas sobre ‘derivas ideológicas’ e afins. Essas parvoíces já foram desmontadas antes, noutro local.

    Ah, e aproveite para ler algumas das coisas que o Stiglitz já referiu sobre o NAFTA. E sobre o papel que ele teve enquanto leia o “The Roaring Nineties” em vez de largar postas sobre o que julga que foram os conselhos dados à Administração Clinton.

    E isso da “indecente e má figura” é má fé ou simplesmente ignorância em estado puro?

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