Algumas “delícias” sobre esses parasitas chamados senhorios

Parece que no Insurgente andam a destacar como “delícias” os meus comentários aos textos da Fernanda sobre senhorios. Porque não quero que lhes falte nada e assumo tudo o que digo, reescrevo aqui o mais relevante dos meus comentários. Quando tiver mais tempo escrevo sobre o assunto.

“A minha tia avó morreu há oito anos. Pagava cerca de mil escudos de renda. Tinha uma reforma de trinta contos. Que renda é que queriam que ela pagasse?
(…) O Salazar fez muito bem em ter congelado o preço das rendas. Só foi pena o Vasco Gonçalves, anos mais tarde, ter nacionalizado muita coisa mas não ter nacionalizado a habitação.
É claro que há sempre a hipótese (tipicamente guterrante) de subsidiar as rendas dos mais desfavorecidos. Mas digam lá para que raio hei de estar eu a pagar com os meus impostos rendas que eram baixas, para benefício de alguém – o senhorio – que tem capital e que não faz absolutamente nada de produtivo ou que traga benefício à sociedade, limitando-se a alugar casas? Em que é que o aluguer de casas por privados desenvolve a economia, estimula o crescimento? Por isso eu tenho pena de o Vasco Gonçalves não ter nacionalizado a habitação – embora esteja longe de defender um Champalimaud ou um Mello, consigo ter mais respeito por estes senhores do que por um senhorio. E por isso, aos senhorios queixosos eu pergunto: e se vendessem as vossas casas, que não vos fazem falta nenhuma? As casas são (ou devem ser) um recurso finito, que não é para ser açambarcado. De certeza que muitos dos vossos inquilinos as comprariam. Senão, as câmaras ou o estado. Desde que fosse o estado a ficar com as casas e a alugá-las a quem precisasse, eu até nem me importaria de pagar impostos (para o estado as comprar).

Por que os senhorios não vendem, simplesmente, as casas aos inquilinos (por um preço justo, de mercado)? A maioria compraria – estou certo e diz-me a minha experiência. Com sacrifícios – os senhorios têm muito mais posses e melhor nível de vida que a generalidade dos inquilinos, e quem disser o contrário é desonesto -, mas estou certo de que a maioria dos inquilinos se pudesse compraria. Se não pudesse comprar, o estado ou as câmaras interviriam, tornando-se senhorios. Se não querem ter chatices vendam as casas.

Não conheço nenhum senhorio que queira vender as casas que possui, mesmo nos casos e que a renda é ridícula. Estão sempre à espera que os inquilinos morram. E esperam a nossa solidariedade.
A única alteração que eu proporia à actual lei – que reconheço ter aspectos absurdos, como todas as leis “de compromisso”, que não querem cortar o mal pela raiz – seria dar todo o apoio aos senhorios na venda de casa. Se o inquilino não quisesse comprar a casa, comprava-a o estado por um preço justo de mercado. Só com esta transacção consumada aceitaria que se mexesse nas rendas. Estar a aumentar as rendas em benefício dos senhorios seria beneficiar um negócio feudal e os maiores parasitas dos tempos modernos, que ganham dinheiro à custa do que é absolutamente essencial para outros (uma casa), sem fazerem nada por isso.”

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