Ter ou não ter cão

O universo de Paulo Tunhas continua sereno, simples e cristalino. Ali, tudo é fácil de simplificar. «Ou os camionistas tinham razão, e o governo foi incompetente, desde o princípio, em não ter a razão deles em conta (mais: em não a prever)»; «Ou os camionistas não tinham razão – razão politicamente ponderada, entenda-se -, e o governo, estando-se nas tintas para os contribuintes, tira do bolso deles o necessário para se safar.»
Portanto, o governo teria sido incompetente por não prever a evolução – ditada pelo santo mercado, aliás – do preço do petróleo, e por não amortecer, com algum estratagema proteccionista, o seu impacte no mundo dos transportes rodoviários.
A alternativa apresentada é ainda mais estrambótica: o governo deveria ter deixado tudo escorregar para o caos ou para intervenções policiais provavelmente sangrentas, para não ser acusado de ceder para “se safar”.
Em resumo, ir antes da crise ao bolso do contribuinte seria prova de competência, fazê-lo agora é certificado de inépcia terminal. Ainda haverá casas vagas neste mundo tão singelo quanto divertido?

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