Manual de conduta para governantes coléricos

O primeiro-ministro respondeu à crítica da deputada Ana Drago de que o governo não fazia nada de esquerda, apelidando-a de “arrogante” e referindo a sua pouca idade.
Há umas semanas, o nosso maior estadista, o mesmo José Sócrates, dirigiu-se a Francisco Louçã dizendo-lhe: ” Você não tem idade nem currículo …”.
Hoje, afirmou que os mais de 200 mil manifestantes, contra a política laboral do governo, não o impressionaram, devia ser uma questão de idade…
Confesso que estou um pouco estafado com esta contabilidade tão profunda. Talvez fosse mais interessante que o líder do PS dissesse quais são as medidas de esquerda, para reduzir as desigualdades sociais, defender o trabalho e combater a pobreza, que vai promover.
Argumentar que deu emprego a José Lello e a Vitalino Canas não conta. A caridade deve fazer-se em silêncio e sem ostentação.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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13 Responses to Manual de conduta para governantes coléricos

  1. bruno diz:

    e fernando gomes
    (importa lembrar)
    (e não é o bibota)

  2. tozé diz:

    quais desigualdades?

  3. Luis Rainha diz:

    Mas então o homem não tem currículo? Não viste os impressionantes palacetes e solares que ele edificou lá para as beiras? Não recordas a sua premiada actividade como… hmm, deixa lá ver…

  4. obscuroobjecto diz:

    Há que confessar que a Ana Drago irrita um santo. Diz aqueles lugares-comuns todos com uma convicção de fanática…

  5. me diz:

    «Argumentar que deu emprego a José Lello e a Vitalino Canas não conta. A caridade deve fazer-se em silêncio e sem ostentação.»

    Muito bem metida.

    Já agora, que agência de comunicação é que arranjou ao Lello o tacho da última página do DN de ontem e, só para esclarecer, será que queimaram o Lello ou o tipo sabia que estava a mentir por entre cada dente?

    Isto cheira a coisa do Cunha Vaz!….

  6. JPG diz:

    1. José Sócrates não tem curriculum profissional, político e cívico para ser Secretário-Geral do PS;
    2. É deputado desde 1987 de onde nunca mais saiu, a não ser para secretário de estado em 1996 e ministro em 1999;
    3. Até lá era engenheiro estagiário ( fiscal ) na Cãmara da Covilhã;
    4. desde então nunca mais trabalhou, nunca mais contactou com o mundo cívico e do trabalho;
    José Silva Cabral, militante do PS, em comentário no blog de Manuel Alegre (6 de Setembro de 2004)

  7. Sérgio diz:

    Excelente post!
    Era tão bom se a vergonha se vendesse na farmacia em pomada ou comprimidos.

  8. al diz:

    Recebi um mail com essa história do curriculum e pensei que fosse anedota e publicidade ao Louçã. Parece que não é.
    A culpa nem é dele, do Socrates. A culpa foi de quem votou no fiscal de obras da Covilhã.

  9. JPG diz:

    Esqueci-me deste dado no primeiro comentário.
    De facto, Louçã é mais novo do que J.S.: 36 dias mais novo, para ser exacto.
    (contados de 06.09.1957 a 12.11.1957)

  10. Nuno diz:

    Pois eu voto novamente no fiscal de obras pq alternativas válidas não vejo nenhuma e profetas da desgraça vejo muitos! Os partidos à esquerda, PCP e BE criticam, às vezes com razão, mas propostas realistas e concretas zero, como se viu no teatro da trindade! O outro partido à esquerda, o PP, que actualmente só fala em pensionistas e desigualdades sociais assuntos com os quais eles se preocupam muito, mas ao mm tempo querem que se baixe os impostos, na total irresponsabilidade e demagogia! O PSD com a MFL vai propor fazer o mesmo que faz o nosso fiscal mas com outra equipa, que já o experimentou entre 2002 e 2004 e fracassou a toda a linha! À esquerda querem reduzir as desigualdades, mas para isso é necessário aumentar impostos ou aumentar a base contributiva(fim do sigilo bancário JÀ!), não há volta a dar!
    À direita querem consolidações pela despesa, mas não dizem onde se corta a despesa, pois são contra todo e qq corte efectuado!
    Portanto o meu voto vai para o fiscal!

  11. Sérgio diz:

    Pois, deve pensar o nosso Primeiro que uma vaga retórica socializante à moda de Giddens chega para confirmar as suas putativas credenciais socialistas. A julgar pelos retratos sociais que cada vez mais confirmam o que já se sabia, Portugal deve ser um caso sério de inexistência de um Estado-Providência desenvolvido ou de qualquer medida séria para combater as desigualdades e a pobreza (exceptue-se o Rendimento Mínimo). Para além disso, a fraca disposição para abandonar as curas monetaristas, só podem dar razões de satisfação ao liberalismo e razões de queixa a quem se identifica com a social-democracia.
    Já agora, que terão pensado o nosso Primeiro e os ministros das finanças e da economia de uma certa carta aberta endereçada aos impérios mandantes da UE e publicada há umas semanas no «Le Monde»?

    Cumprimentos,
    S.F.

  12. Ricardo diz:

    Não esquecer o emprego que deu a Armando Vara….

    E não se menospreze o fabuloso curriculum de José Sócrates.
    Realmente, empalidece qualquer um.

  13. A.Silva diz:

    De acordo com noticia do DD de hoje,Jerónimo de Sousa terá dito que “pomos 200.000 pessoas na rua e ele não nos liga nenhuma ele quer é desmoralizar os comunistas”.Esta tentativa de reclamar sempre a paternidade de todas as formas de luta desenvolvidas pela CGTP,só prejudica a forma abrangente como uma central sindical de ve proceder para defender os interesses dos trabalhadores,alémde que já está a criar no interior da CGTP problemas internos.

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