Uma decisão que se impunha

Universidades vão passar a ser responsabilizadas pelas praxes, e não as Associações de Estudantes. Mais uma vez de parabéns o ministro Mariano Gago.

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7 Responses to Uma decisão que se impunha

  1. quemfalaassimnãoé diz:

    e que tal responsabilizar-se quem as faz em vez de se criarem novos “polícias”?

    quem vai controlar, os chamados (descriminatóriamente na minha opinião) auxiliares?concerteza não esperas que professores universitários andem atrás dessas parvalheiras a fazer de controleiros…

    quando a praxe vai pra fora da escola, vão atrás deles?

    Era o que mais faltava.

    E mais, que me recorde, só recentemente houve pela primeira vez alguém responsabilizado por praxes, nunca vi uma associação de estudantes ser responsabilizada, acusada talvez….e neste caso recente na ESAS foram os membros da comissão de praxes e não da associação de estudantes, se porventura não foram estas 7 pessoas que lhe esfregaram merda no corpo (e etc etc pelo que li) então não deviam ser estes os condenados mas sim quem o fez.

  2. LA-C diz:

    Muito bem. Uma instituição tem a obrigação de garantir a segurança dos seus membros.
    Neste caso, a universidade tem obrigação de não fechar os olhos às violências cometidas na praxe, que ainda por cima são feitas em nome da universidade.

  3. quemfalaassimnãoé diz:

    “que ainda por cima são feitas em nome da universidade”

    o que é que os empregados da universidade têm a ver com o discurso estupidificante das ditas comissões de praxes?lá porque eles dizem isso não quer dizer que seja essa a realidade, estava à espera que eles dissessem que iam esfregar merda no corpo dos caloiros porque lhes dá um gozo tremendo?

  4. Luís Lavoura diz:

    Tenho as mais sérias dúvidas e que esta “medida” vá ter alguma aplicação prática, ou mesmo que seja aplicável.

    Pode uma universidade ser responsabilizada no caso de um seu estudante ser assaltado, esmurrado e roubado no meio de um corredor? Claramente, não pode. Quem pode e deve ser responsabilizado é o indivíduo que assalta, esmurra e rouba. Esse é que pode e deve ser castigado. Se esse indivíduo, eventualmente, fôr também estudante dessa universidade, a universidade pode também decidir expulsá-lo, como forma de punição adicional (pelo menos no caso de se tratar de uma universidade privada).

    No caso de o assalto e violência terem sido planeados por um conjunto de indivíduos que se albergam numa determinada associação, essa associação pode ser acusada de terrorismo ou de associação criminosa, ser dissolvida e ter os seus bens confiscados, para além de os seus mentores serem criminalmente acusados. Coisa que eventualmente seria apropriada para algumas associações de estudantes por esse país fora.

    Agora, culpabilizar a universidade, dificilmente me parece aplicável.

  5. luís lavoura, há instituições de ensino superior que integram a ‘comissão de praxe’ no acolhimento aos caloiros — o facto foi já várias vezes denunciado pelo mata (mov anti-tradição académica) — e no julgamento de membros da comissão de praxe no tribunal de santarém, o ex director do instituto de agronomia e vários professores foram defender os arguidos e a praxe. a queixosa, aliás, disse que não se tinha sentido ‘à vontade’ para expor a situação a professores. a atitude de mariano gago é, como diz o filipe, de louvar intensamente. confesso que não esperava tanto — ainda este domingo publiquei na notícias magazine um texto em que falava da possibilidade de responsabilização civil das instituições de ensino públicas e do próprio estado, graças à nova lei, mas não sabia que a responsabilidade penal também é possível nestes casos. melhor ainda.

  6. João Pinto e Castro diz:

    É a primeira coisa séria que se faz para pôr termo à cobardia moral que reina em tantas universidades. E é uma daquelas medidas que vai ter muitas consequências positivas para além do seu âmbito de aplicação directa.

  7. Ricardo diz:

    Suscita-me o maior espanto esta notícia. Estamos a falar de Universitários ou de bebés de fraldas ?

    Se os alunos com pouco civismo, humanidade e decência não são responsabilizados pelas suas tristes figuras e actos obscenos, como podem os bons alunos esperar ser respeitados, admirados ou simplesmente felicitados pelo seu trabalho e conduta?

    Quem não assume culpas, também não pode reclamar méritos. É tal e qual o que se passa com este Governo.

    Se alguma qualidade este Ministro mediocre tem, é a coerência. É coerentemente mau.

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