Ir à Feira do Livro e não ver a Caminho nem a D. Quixote

Estava à espera de encontrar na Feira do Livro de Lisboa uma “Praça Leya” muito melhor que as outras supostas “barracas”, muito mais vistosa, com muito mais espaço. Puro engano. A Leya representa algumas das editoras portuguesas com melhores catálogos (caso da D. Quixote e da Caminho). Por isso mesmo, anteriormente estas editoras tinham um merecido lugar de destaque na Feira do Livro, ocupando várias das tais “barracas” que são “todas iguais”. Mas não: uma barraquita para a Caminho, duas para a D. Quixote, semivazias, apenas com as principais novidades. Das três ou quatro barracas que cada uma destas editoras costumava ocupar, a atafulharem com todo o seu catálogo, nem sinal. É para isso que eu e, creio, a maioria das pessoas vão a Feiras do Livro: as “novidades” encontram-se em qualquer livraria. Tanto barulho causado pela Leya e, afinal, o resultado é ir à Feira do Livro e não encontrar a Caminho e nem a D. Quixote. Se era esse o objectivo da Leya (desconfio que sim), poderiam ter dito logo, e escusavam de ter vindo com os estafados argumentos do “direito à diferença” e da “liberdade” contra o “igualitarismo” do modelo tradicional. Os “liberais” da Leya, sob o argumento hipócrita da “liberdade individual” de cada editora ter o espaço que quiser, não estão nada interessados na Feira do Livro. Tal como outros liberais falam muito mas não estão nada interessados na escola pública e nem no sistema nacional de saúde.

O José Saramago, que nos outros anos era presença obrigatória na Feira do Livro de Lisboa a dar autógrafos, este ano (segundo li) não vai lá nem um dia.

Para ler mais: Francisco José Viegas (subscrevo inteiramente este texto) e José Mário Silva.

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10 Responses to Ir à Feira do Livro e não ver a Caminho nem a D. Quixote

  1. PJMODM diz:

    Vivi exactamente a mesma experiência. A passagem na feira do livro, foi este ano abreviada em algumas editoras, além das referidas não posso esquecer a Asa. Umas barracas abertas, ao invés das outras, em que esse facto não era o mais importante, pois a diferença marca-se na circunstância de não terem praticamente títulos… Será que o negócio do livro é isto? Foi para assegurar esta coisa que a CML ameaçou a não realização da feira?

  2. Luís Lavoura diz:

    Se a Leya quer ter uma merda de stand na Feira, deve ser livre de o ter. Aliás, não é o facto de o formato do stand ser igual ou diferente dos restantes que assegura a sua qualidade.

    Se a Leya não está interessada na Feira e por isso não põe lá material de qualidade, é livre de o fazer.

    A solução correta será, provavelmente, o Filipe Moura fazer como o José Saramago (e como eu): deixar de ir à Feira.

  3. Ricardo Santos Pinto diz:

    Tem toda a razão, principalmente quando diz que os liberais nada querem saber da educação e da saúde públicas.
    Veja-se o que este Governo está a fazer à escola pública e ao Sistema Nacional de Saúde…

  4. Oh! Filipe Moura lembraste do Carol Voitila?? O Papa. O João Paulo II?
    Então!? O Saramago está de saúde frágil, aguentar um sol e um dia de feira a rabiscar beijinhos e o nome dele seria uma penitência dispensável, ou não é?
    Quanto à feira, o ir e o não ir. … Há uma espécie de código secreto entre quem gosta mesmo de livros que é fazer questão da sua ausência na feira ( uma coisa de amor-aos-livros, como sabes amor e dinheiro é uma coisa que é obrigatório não se juntar nesta coisa do amor-aos-livros … outro princípio – meio-secreto – é: e se for à feira que o livro seja roubado!).

    Já agora, defendo: total boicote à compra de livros dos cangalheiros da Língua Portuguesa: esses pseudo-poetas e esses escritores-de-prosa-cerelac.

  5. Luis Moreira diz:

    Fui á Feira do Livro.Uma bela tarde de sol.Um passeio maravilhoso.Gente bonita.Comprei dois livros que apresentei á minha mulher como prova.Quinta ou sexta vou lá outra vez.Sempre adorei ir aos livros.Não estraguem esta maravilhosa feira.Palavra que não vi nada de novo.Na próxima vou com a minha mulher.Prometo!

  6. Pois já cá faltava a sugestão que o Luís Lavoura nos dá: deixar de ir à Feira do Livro, algo que faço desde miúdo (e nunca a notei com menos movimento)! Bendita liberdade esta (a dos empresários e capitalistas), que não nos deixa fazer as coisas de que mais gostamos.

    Ricardo Santos Pinto, considero que este governo está a fazer o melhor que pode pelo sistema nacional de saúde e pela escola pública. Não me viu hoje no Teatro da Trindade. Os liberais diriam que era melhor acabar com tudo.

    De Puta Madre, os cangalheiros que se f***m!

  7. Custardoy diz:

    Assim: os “cangalheiros” multiplicam-se ainda mais…

  8. alu aluano diz:

    Nas notícias de hoje diz que o Saramago vai à Feira do Livro esta tarde e parece que mais três datas. Hoje está lá às 17h no “espaço Leya”. Eu vou…

  9. jt diz:

    Não posso estar mais de acordo. Gostava apenas de acrescentar que os preços são elevadíssimos, mesmo nos (pouquíssimos) livros que não são novidade.

  10. Alu aluano, então apostam no efeito surpresa ou o Saramago não quis programar. Quando lá estive este fim de semana estavam anunciados os autógrafos todos, e nenhuma sessão com o Saramago (estava o Lobo Antunes).

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