Pobres ricos

João Miranda segue de tal forma empenhado na sua cruzada contra os malefícios do Estado, dos mandriões, dos intervencionistas em geral, que nada o consegue parar. Nem os factos. «Todos concordam que o Estado Social é insuficiente. Os “novos pobres” precisam de novos mecanismos de combate à pobreza porque os que custam todos os anos metade do PIB não chegam», escreve ele, em tom saltitão e irónico.
Insignificante parece ser que na realidade o gasto com a Segurança Social se fique por menos de um quarto do PIB. O que coloca Portugal abaixo da média europeia e mais ou menos a meio da tabela. Ou que essa verba não sirva apenas para combater a pobreza – mas talvez o João Miranda se recuse a receber o dinheiro da baixa se por acaso adoecer nos próximos tempos. Palpita-me é que o nosso economista amador predilecto julga que todas as funções do Estado, da Defesa à Justiça, entram nessa sinistra conspiração de assistência aos madraços dos pobres.
Enquanto isto, quem vai mesmo sofrendo, na dimensão alternativa habitada pelo simpático blasfemo, é o pessoal da massa: «Ser rico não compensa o trabalho que dá enriquecer.» Benditos os pobres em espírito, já dizia o outro.

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