A mestre-escola está de volta

Ouvi ontem na TSF um apontamento de um encontro entre Manuela Ferreira Leite e alguns jovens, não sei muito bem onde. Às tantas, lá disse a senhora que “precariedade” era uma palavra que devia desaparecer dos nossos dicionários. Quase comovido com tanto desvelo social da candidata-a-líder-do-PSD-nos-próximos-6-meses, fiquei à espera de uma continuação do tipo de “temos de acabar com a insegurança que impede os jovens de iniciar carreiras, famílias, vidas produtivas normais”.
Mas não. Afinal, temos de extinguir o maldito substantivo porque a precariedade é de tal forma omnipresente que se tornou “normal”. Tudo é precário e os jovens bem podem desistir de procurar emprego com características diversas. Ou seja, entre o 80 do emprego para a vida e o 8 dos recibos verdes sem qualquer tipo de estabilidade ou horizontes, MFL não sente falta de bom senso, moderação ou  decência nas relações laborais. Para ela, o 8 está mais do que bom: habituem-se, que isso de ter férias, um mínimo de estabilidade ou, em muitos casos, protecção social, é coisa de antanho. Mas as vacas sagradas do costume podem continuar a pastar, não se sabe bem é em que prados: claro que a candidata vê “a família como um pilar fundamental da sociedade”.
A realidade tem um ar desagradável? Para esta casta de “políticos”, tudo se resolve modificando umas quantas entradas no dicionário da sua Novilíngua. Se deixarmos de mencionar os problemas, pode ser que eles se tornem “normais”. E acabam-se as reclamações num instante.

PS: só para evitar comentários idiotas, eu sou empregador e sinto, por experiência própria, que a actual legislação é demasiado restritiva. Mas nada disso implica que agora só passe a contratar malta a recibos verdes, para empregos que podem terminar, sem mais aquelas, amanhã.

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