O Zenit lava mais branco

O Clube russo Zenit, de São Petersburgo, ganhou a final da taça UEFA. Jogaram melhor, mas mereciam perder. Há poucos dias, o treinador do Zenit, Dick Advocaat, declarou que é impossível o clube contratar um negro. “Eu gostaria de contratar qualquer pessoa, mas os adeptos não gostam de negros. Honestamente, não entendo porque é que eles prestam tanta atenção na cor da pele. Na nossa equipa é impossível ter um negro”, disse ao site scotsman.com.

Os adeptos do clube não gostam de negros com a camisola do clube. Para falar verdade, eles não gostam de negros, ponto final.

Durante a partida contra o Olympique de Marseille, adeptos do Zenit insultaram repetidamente três jogadores negros do Marselha. O clube francês enviou queixa à UEFA.

Os russos negaram tudo em comunicado oficial: “O Zenit une jogadores de diferentes nacionalidades e religiões. O nosso clube tem milhões de simpatizantes, em diferentes países. O clube e os seus jogadores participam frequentemente em programas anti-racistas”. Enfim, o treinador do Zenit afirma que não pode contratar negros, mas o clube participa em acções anti-racistas ao fim de semana.

No seu livro “Futebol, ao Sol e Sombra” , Eduardo Galeano escreveu o seguinte: “ Em 1921, a Copa América ia ser disputada em Buenos Aires. O presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, redigiu um decreto de brancura. Ordenou que não se enviasse nenhum jogador de pele morena, por razões de prestígio pátrio. Das três partidas que jogou a selecção perdeu duas.
Nesse campeonato Friedenreich não jogou. Naquela época era impossível ser negro no futebol brasileiro e ser mulato era difícil. Friedenreich entrava no campo sempre tarde, porque demorava no vestiário meia hora a esticar o cabelo, e o único mulato do Fluminense, Carlos Alberto, branqueava a cara com pó de arroz”.

O Zenit ganhou a taça UEFA, mas o seu racismo torna-o infinitamente inferior as milhares de equipas que jogam todos os dias com gente de todas as cores.

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