Filosofia a peso

Era uma vez um filósofo tão, mas tão amante da liberdade que até defendia os fumadores com prosa do quilate de “properly used, tobacco makes a real and positive contribution to health” e “even the World Health Organisation, devoted to the seemingly blameless cause of helping the developing nations to overcome contagious diseases, spends far more time and energy trying to legislate against smokers”. Depois, descobriu-se que o senhor recebia uma mesada da indústria do tabaco para inspirar semelhantes louvaminhas. E que até andava a mendigar mais dinheiro, tendo em vista a excelência da sua colaboração para a fumarenta causa.
Mas ainda há quem leve Roger Scruton a sério. A atlante mais cândida recomenda um artigo onde este filósofo de aluguer acusa Foucault de, entre outras malfeitorias, “dar autoridade à rejeição da autoridade”. Defecando de passagem o seguinte comentário: “a sua morte de SIDA trouxe um fim às suas predações”.
Pergunta Scruton, talvez angustiado pelo fim do estipêndio: “o que aconteceu à razão?” Perguntaria eu o que é feito do bom-gosto e do bom-senso. Mas acho que nem vale a pena.

PS: é escusado comentarem o tal post, que a senhora é mais dada à leitura de badanas do que de comentários alheios.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 Responses to Filosofia a peso

Os comentários estão fechados.