Max Mosley e os traseiros açoitados

No meu texto Viva a liberdade, viva a igualdade, viva a democracia referia-me a liberdades cívicas e, exclusivamente, a liberdades que interferem com as liberdades de outros. (Nos comentários dei o exemplo da liberdade de circular de carro dentro de uma cidade quando existem transportes públicos, o exemplo acabado de uma liberdade burguesa.) Restrições a esse tipo de liberdades são necessárias se se quer combater as desigualdades e lutar por um mundo mais sustentável.
Nada disso tem a ver com liberdades pessoais, de comportamentos que só digam respeito ao próprio indivíduo (e a adultos que voluntariamente se associem). Pertence a este grupo a privacidade sexual, incluindo fetiches que nos possam parecer repugnantes e que estejam associados a uma simbologia e a factos históricos que repudiamos. É este o caso das fantasias sexuais de Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Desporto Automóvel, que mais uma vez faltou a um Grande Prémio de Fórmula 1. O passado político do seu pai não se recomenda mesmo nada, mas tal não torna legítimo julgar as suas fantasias sexuais, e muito menos pedir a sua demissão por um caso que não tem nada a ver com a Fórmula 1. Sobre este assunto, recomendo uma das recentes colunas “Piedra de Toque” de Mário Vargas Llosa.

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