Leitura obrigatória para cavaco-catastrofistas

Já pelo menos desde os tempos da Grécia antiga que anciães inquietos choram o desinteresse cívico da juventude e prevêem fins do mundo mergulhados num caldo de apatia e anomia. Platão deixou-nos uma destas visões apocalípticas: “as crianças de agora amam os luxos; têm más maneiras, desprezo pela autoridade; mostram desrespeito pelos mais velhos e adoram tagarelar (…) devoram a comida nas mesas e tiranizam os seus professores.” Soa a litania familiar?
Este texto clássico de W. Lance Bennet é um pouco menos antigo (data de 1998) mas serve de antídoto às visões menos informadas e mais apressadas. Na realidade, novas formas de participação cívica e política têm despertado um pouco por todo o mundo. E alguma desconfiança dos jovens face às instituições e organizações da política tradicional não parece impedi-los de buscar outros empenhamentos, outras maneiras de agir, de influenciar a polis. Chamar-lhes “ignorantes” e desatar logo a distribuir culpas ou a redigir decretos-lei é que não parece grande ideia.

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