O relativismo, vindo de onde menos se esperaria

Paulo Pinto Mascarenhas está entretido a enredar-se no que parece mesmo uma defesa do indefensável: reagindo à divulgação de uma “manifestação antiautoritária – contra a repressão”, reclama para os seus organizadores a “celeridade da justiça” já empregue com o skinhead Mário Machado.
Ao que tudo indica, PPM vê no que chama “manifestação anti-polícia”, mesmo ainda antes de ocorrer, algo de homólogo à “caça aos pretos” que levou Mário Machado à cadeia. Para o líder atlante, “não há qualquer diferença entre violências extremistas”. Mesmo que os correligionários portugueses dos tais “mários-machados da extrema-esquerda” até agora se tenham limitado a vandalizar uma plantação de cereais transgénicos — sem assassínios, sem incitamentos racistas, sem concertos em que se canta poesia do calibre de “horrible jew, you’re gonna die tonight”. (Os okupas sempre se ficam pelos Blasted Mechanism; e aqui as letras têm a vantagem de ser indecifráveis.)
Para o PPM, a convocação de uma manifestação ilegal é o mesmo do que escrever coisas como “adoro a confrontação fisica, agarrar na escumalha e dar lhes pontapés na cabeça, socos, sentir a adrenalina a disparar, a emoção ao fugir á policia” ou ameaçar de morte um adversário político ou espancar um advogado a mando de traficantes.
Note-se que a malta dos djembês (e será mesmo de “esquerda”?) me parece pouco salubre; mas confundir desacatos de bêbados com organizações dedicadas à glorificação da violência e do ódio racial… só por grande distracção.

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