Como destruir um partido

Conselho para o dr. Menezes: evite as enormidades, no sentido próprio e no pejorativo. Pelo menos nos próximos tempos. Os seus adversários internos têm o anseio natural de derrubá-lo até ao Verão, prazo após o qual será difícil impedi-lo de chegar às eleições. Menos natural é o comportamento dos seus partidários, que parecem exceder-se para cumprir com o calendário dos opositores. Propor mudar a Constituição, como fez há uns tempos, não é uma enormidade no sentido pejorativo, mas é pelo menos uma coisa enorme. Principalmente para um partido cujas intenções de voto andam abaixo de um terço. Após as próximas eleições, há a possibilidade de o PS nem precisar do PSD para mudar a Constituição. Essa correlação de forças aconselharia o dr. Menezes a não mencionar o assunto. E no entanto, fala. Por outro lado, Rui Gomes da Silva é uma enormidade política – no mau sentido. A pátria lembrá-lo-á como alguém que oscilava entre a insignificância e a falta de vergonha e, como um pêndulo, oscilou duas vezes. Por duas vezes na vida foi Rui Gomes da Silva notável. Da primeira vez tentou silenciar Marcelo Rebelo de Sousa e o resultado foi o descrédito do seu governo, o ridículo generalizado e o escárnio na via pública. Depois desapareceu. E regressou agora à consciência pública, para contestar que a jornalista Fernanda Câncio possa colaborar com a RTP por, segundo ele, esta ter “um relacionamento com o primeiro-ministro”. Por uma questão de justiça, convém lembrar que o primeiro companheiro de partido a entrar neste território escorregadio foi Agostinho Branquinho. Mas Rui Gomes da Silva reapareceu para provar que ninguém como ele sabe concitar o enxovalho colectivo. E como não há duas sem três, há uma nova estrela nesta constelação da bizarria: Ribau Esteves.

Estranho partido este: uma semana depois de querer mudar a Constituição, vive agora obcecado com a carreira e a vida pessoal de uma jornalista. Sobre a carreira, posso falar: já eu era um admirador do jornalismo de Fernanda Câncio muito antes de saber – tempos felizes! – quem eram estas três inexistências do PSD. Rui Gomes da Silva, pelo seu lado, só está interessado na vida pessoal de Fernanda Câncio e até legitimamente se duvida que alguma vez tenha aprendido alguma coisa com uma das suas reportagens. Até porque Rui Gomes da Silva, como a chefia do seu partido, não está interessado em aprender. Rui Gomes da Silva não aprendeu nada com o “Caso Marcelo” – e demonstrou-o agora com o “Caso Câncio”. E o PSD não aprendeu nada com Rui Gomes da Silva – e demonstra-o deixando-o falar em nome do partido. É um ciclo de inaprendizagem, uma espécie de eterno retorno do disparate, mas em espiral descendente. Rui Gomes da Silva repete os disparates de Agostinho Branquinho, e Ribau Esteves insiste nos disparates de ambos, e a Comissão Política oferece “total solidariedade e apoio” aos disparates dos três. De cada vez que isto acontece, eleitores do PSD decidem que não podem votar neste partido. Conselho para o dr. Menezes: se quer sobreviver, marque férias de Verão antecipadas. Para si, e para os três estarolas também.

16.04.2008

Sobre Rui Tavares

Segunda | Rui Tavares
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11 Responses to Como destruir um partido

  1. Falta só um nome para que os “Três Mosqueteiros” passem a “Bando dos Quatro”. Eu tenho um palpite sobre o nome do quarto personagem, que por acaso tem andado caladito. Quem arrisca?

  2. The Studio diz:

    As intervencoes do Rui Gomes da Silva tiveram o seu aspecto positivo: tocou numa vaca sagrada e deixou os intelectuais de elite do nosso pais que nem baratas tontas ao ponto dos seus comentarios se confundirem com o contra-informacao.

    Quanto ao Rui Tavares, nao sei se ja’ lhe disse, e’ o meu vendedor de banha da cobra preferido, mas desta vez excedeu-se no arrazoado de mentiras. Vejamos:

    “E regressou agora à consciência pública, para contestar que a jornalista Fernanda Câncio possa colaborar com a RTP por, segundo ele, esta ter “um relacionamento com o primeiro-ministro”. ”

    Ora bem, isto e’ pura e simplesmente mentira. Nao foi essa a razao invocada por Rui Gomes da Silva nem e’ evidentemente essa a razao de fundo das suas declaracoes. O que nao falta por ai sao mulheres que fizeram a sua carreira na horizontal, porque raio haveria ele de estar preocupado com os relacionamentos da menina Cancio? Se quiser eu posso explicar-lhe com um desenho bonitinho, mas acho que o Rui nao precisa. O Rui mente deliberadamente para chegar ‘as conclusoes que deseja.

    Por fim, ha’ duas questoes que ja’ coloquei anteriormente e que gostaria de ver respondidas aqui, o que parece estar dificil.

    1: O que diz o codigo de etica dos jornalistas? Que devem ser objectivos, isentos, idoneos… ou diz outra coisa qualquer?

    2: Qual seria a reaccao das virgens ofendidas que tanto criticam o PSD, caso alguma namorada do Santana Lopes tivesse sido premiada com uma serie na RTP durante o governo deste?

  3. Maria João Pires diz:

    É mesmo preciso escrever o nome do Pedrinho, Carlos?

  4. Foi tiro e queda, Maria João! De momento o Pedrinho está na incubadora, a receber miminhos das “santanettes”. Quando sair, não sei não…

  5. Maria João Pires diz:

    The Studio, não seja injusto e não chame mentiroso ao Rui. Por muito inacreditável que tal justificação possa parecer foi mesmo a usada. Ora espreite aqui http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1325819
    E se ainda ficar com dúvidas procure nos sites de vários rádios, as declarações do senhor foram passadas até à náusea no sábado passado.

  6. esquerda diz:

    E,o sr.é de esquerda?Devia estar contyente com o espectáculo dessa burguesia sem representação de jeito.E ,mais deveria dar dicas a que essa escumalha se aniquilasse de uma vez por todas!!!!
    Essas lá grimas não ficam bem e, quem vai pagar já sabe…

  7. The Studio,

    Não conheço o código deontológico dos jornalistas mas até dou de barato que diga o que refere. And? (e nem me dou ao trabalho de apelar aos diferentes tipos de peças jornalísticas)

    Quanto ao segundo ponto… bom, já que me parece não saber o que significa “a mesma coisa”, aqui vai uma definição: é a introdução anal, simultânea, de dois dedos e cheirar um de cada vez. Espero ter sido clara na resposta que tão ansiosamente aguardava.

  8. The Studio faz jus ao nome… acaba de escrever um argumento para um filme que pretende rescrever a História. Talvez dê um bom filme. Quase me apetecia recomendar-lhe a leitura dos meus posts “Rochedo das Memórias”.
    Nem todos os jornalistas são objectivos, isentos e idóneos, é verdade, mas não podem ser acusados quando se limitam a transcrever as parvoíces de alguns políticos de vão de escada.
    A hipótese de alguma namorada de Santana Lopes vir a ser convidada para fazer um programa na RTP parece-me simplesmente académica. As namoradas dele gostam mais doutros programas ( não me refiro apenas ao genuíno enlevo por uma fotografia de capa na “Caras” ou similar).
    Ao admitir que Santana Lopes tem namoradas jornalistas, The Studio demonstra que gosta de hipóteses absurdas. Fica bem a um candidato a cineasta.

  9. Este P. S. D. merece tudo o que está para lhe acontecer muito em breve e mais ainda.

  10. is a bel diz:

    O Carlos com este comentário às namoradas (ou possíveis) do Santana, às suas preferências e ao talento do The Studio ( na variante argumentista candidato a cineasta), acabou por destruir qualquer teoria do absurdo e assumir inequivocamente um arquétipo que eu pensava tão extinto como os dinossauros. Isso é de Homem!
    Excelente momento humorístico aqui nos comentários do 5 dias.
    Rui Tavares, não podia concordar mais com o seu conselho e até juntava mais uns quantos…. Este episódio só pode ser consequência de um esgotamento colectivo (do tipo viral) no PSD. Tem toda a razão, férias recomendam-se!

  11. Saloio diz:

    Sr. Dr. Rui Tavares: acaba de dar em directo a pública demissão do Dr. Luís Filipe Meneses.

    Digo eu…

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