Cromos repetidos

O extraordinário sucesso público do meu último post “Cromos da bola”, eloquentemente demonstrado pelos nove-comentários-nove que mereceu (dois dos quais foram meus e dois foram do Ezequiel a pedir o meu endereço de e-mail por alguma razão ainda desconhecida, qué pasa, Ezequiel?), mais que justificam, eu diria que exigem um regresso a Rui Santos e a exegese de duas das expressões que ele cunhou no seu texto já histórico publicado na edição da última terça-feira do “Record”: que entende Rui Santos por “empirismo-vampirista”? E por “bacoca mesmidade”? Terá Rui Santos – sempre fiel ao princípio leninista de que não existe acção revolucionária sem teoria revolucionária – procurado replicar o “Materialismo e Empiriocriticismo” de Ulianov e dotar-nos de uma nova e subversiva arma teórica para entender os fenómenos físicos do desporto-rei – ou, como se diz agora, para “ler” o jogo? E “mesmidade”, virá de mesmo? Estará para identidade como mesmo está para idêntico? O que distinguirá os dois termos? E qual o oposto de “mesmidade”? Se alteridade é o oposto de identidade, será diferencidade o oposto de mesmidade? E “bacoca” – não será barroca? “Bacoca mesmidade” será comparável a barroca identidade? E a badalhoca insanidade? Relendo ontem um livro de A.J.P.Taylor, encontrei esta pérola: “Those loud-sounding nothings of which he was a master”. Na sua presciência, o grande historiador inglês referia-se, como certamente já adivinharam, ao nosso Rui Santos.

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SEXTA | António Figueira
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