Apologia ao terrorismo

dotbgrd2.gif

Banksy

Sem rede. Todas as hipóteses foram ontem. Se cairmos não nos levantamos mais. Nunca como agora, se cheira o medo e nos sentimos a viver exactamente sem rede. Acomoda-te senão lixas-te. Faz o favor de não dar nas vistas. Olha para o lado. Vê. Há tantos sem emprego. Tropeças na rua em alguém que chora. Diz-te que não lhe apetece continuar a acordar. Não lhe olhes nos olhos, talvez isso se pegue. Cala-te. Não te indignes. Antes cair em graça do que ser engraçado. Lês a história de uma caixa do supermercado licenciada que ouve uma cliente a dizer para a filha: “tens que estudar, para não acabar como esta senhora”. Acabar. As notícias garantem-nos que há sítios piores. Pois, deve haver, mas a minha vida só vai piorar. Restam-me as prestações. O petróleo vai atingir os 175 dólares o barril, prevêem. Fixe. Os gajos todos que se fodam.
O ministro das polícias pretende inventar o crime de “apologia ao terrorismo”. Para quando o crime de propagandear o desespero. Queima. Sinceramente, a violência está a tornar-se simpática. Morder em vez de apanhar sem responder. Tropeço num texto em que se faz o elogio a um terrorista morto (colocava bombas em comboios nazis): “um matemático carregado de explosivos, um lúcido e temerário, um resoluto sem optimismo. Se isso não é um herói, o que é que é um herói?”. Bum! Bonito. Como são lindos os sonhos pequeno-burgueses. Vou ver o Fight Club e jogar no euromilhões.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

12 Responses to Apologia ao terrorismo

Os comentários estão fechados.