Palhaçada é difamar os palhaços

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O nosso amigo Alberto João mostrou uma insuspeita susceptibilidade ao processar o Daniel Oliveira. Tudo porque achou que o epíteto “palhaço” é coisa insultuosa e a exigir reparação urgente.  Ora, já depois da douta sentença que condenou o Daniel dizer adeus a uns milhares de euricos,vemos toda uma classe profissional a insurgir-se de forma vigorosa contra a mesma crónica. Leiam a petição que já circula por aí, na certeza de que a nossa reprodução da mesma em nada indicia o nosso apoio às suas justas reivindicações (não vá o diabo tecê-las):

«O Sindicato dos Trabalhadores Humorístico-Circenses (STHC) vem por este meio deixar claro o seu mais veemente repúdio à publicação de uma crónica do vosso colaborador Daniel Oliveira. Este senhor teve o topete de escrever “Alberto João Jardim é um palhaço” e ainda esclareceu a sua ideia do que é um “palhaço”: alguém que “envergonha, de cada vez que abre a boca, a nossa democracia”.

Isto é claramente uma ofensa à nobre e industriosa classe profissional dos Palhaços, que o STHC tem a honra de representar. Que fique claro que estes trabalhadores não têm o hábito de envergonhar alguém. Mais importante ainda, não é Palhaço quem quer.
Além de formação especializada, é preciso ter algo que o tal “Alberto João” patentemente não possui: graça. Andar aos tombos de tasca em tasca é grotesco — mas não tem graça. Insultar meio mundo, posar de cuecas, presidir a uma pandilha sinistra, ser um soba de meia tigela armado em Estaline dos pobres…. lamentamos, mas nada disto constitui habilitação suficiente para o cargo de Palhaço. E, francamente, já ouviram o tal senhor a falar? Onde é que o homem manifestou ter um grama que seja de pilhéria? Pode inspirar uma ou outra gargalhada alarve; mas trata-se do riso meio acabrunhado que reservamos para os trastes embaraçosos que à viva força nos querem divertir, sem para tal terem técnica ou talento. Vejam bem que o senhor em apreço anda a massacrar o público — que nem tem por onde fugir, a não ser a nado — há 30 anos! Um Palhaço com noção de comédia sabe quando é que deve sair de cena, não se tornando num mono penoso de aturar e insuportável aos sentidos.

Por tudo isto, os abaixo-assinados, em total solidariedade com os membros do STHC, manifestam o seu veemente aplauso à decisão judicial que condenou o citado cronista. E exigem do “Expresso” um pedido de desculpas a toda a classe dos Palhaços, que de forma tão vil enxovalharam com esta comparação ofensiva.»

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