sarkozy, andrea and her sherlocks & e outros bla bla

Escrevo isto sem fazer a menor ideia se será do agrado dos meus caros-as comparsas internéticos. Foi uma coisa que me passou pela cabeça. Achei piada. Estava eu deambulando pelo luminoso mundo das notícias quando estacionei, felizmente, na france24, com a Andrea Sanke, jornalista sagaz e determinada, acompanhada por um conjunto de sherlocks, i.e. “analistas”, “especialistas.” Estavam a submeter o pobre Niklas às mais diversas apreciações…bolas, pensei eu, coisa interessante!!!…vamos lá a ver o que diz a malta, a coisa promete…não me recordo dos nomes de todos os presentes…um é Johan, o outro Paul, um outro italiano com nome de avançado do roma, enfim.. e lá estavam eles e ela a bla bla sobre os devaneios bohémios de Niklas e de outros notáveis que o precederam…só faltava um croissant e uma fotografia gigantesca, a preto e branco, do Baudrillard…eu , perplexo, mas?, como?, hellooo!… de que raio estão vocês a falar? (cá com os meus botões) Toda a gente sabe que os franciús estão-se a borrifar para a vida privada do presidente, uma decisão sensata: eu, por exemplo, nem sequer consigo imaginar o Chirac em cuecas! O que os Franceses querem, verdadeiramente, é que aquele pendor quasi Napoleónico do jovem Niklas se transforme em algo de observável, de objectivicável. Estava eu a aproximar-me desta simples constatação (não sou bem versado nos dramas da política Francesa, mas adoro croissants! ) e o programa parte para a Gb para ouvirmos a opinião de um outro notável caramelo… não apanhei o nome deste especialista, é brit, aparece numa foto ridicula e diz simplesmente isto: o Nicolau ainda não fez coisa alguma! Nada mudou, disse o brit. Ou melhor, nada começou a mudar. A conversa mudou radicalmente. O Johan , o Romagnolli, o Paul e, claro, a simpática Andrea..começaram logo a embicar para a vivência, para as condições: pois, diziam eles, é verdade, há montes de malta chateada nos arredores, muitos que se sentem “abandonados”, o PS parece uma guerra civil amistosa, a dívida camuflada não pára de crescer, o sistema de saúde é sustentado por acrobacias contabilísticas mais elaboradas do que um poema de Holderlin, enfim. Uma chatice. Devem recordar-se que Monsieur Le Président envergou, com muito empenho, uma postura quase napoleónica nas últimas eleições. Ainda não fez nada. uuh Not nice. A argúcia deste “analista” (pode ser escritor, jornalista, não faço a mínima) é notável precisamente pela sua simplicidade. Foi direitinho ao essencial da “questão” (que não é uma questão…é uma condição*, uma vivência…existem pessoas a sofrer, malta que não consegue arranjar emprego por razões sinistras, políticas sociais em descalabro quase total…e , por favor, não me venham com a ladainha que se trata de um ataque hediondo ao bendito estado social…! o facto que me interessa aqui é que está em mau estado + -)…ninguém está satisfeito!! Sarkozy prometeu mudança. Não existirá, certamente, da esquerda à direita, algum-a franciu que tenha presumido que o tal mundo novo Sarkozyene seria coisa fácil de materializar. Independentemente da sensatez ou insensatez dos Franceses nas últimas eleições, é um facto incontestável que o jovem Nicolau foi eleito com uma saudável maioria. A maioria acreditou nele. Sempre me dizeram que a legitimação exige uma correspondência salutar de interpretações, crenças, valores, percepções e acções entre cidadãos e governo eleito. Quando esta relação primordial é corroida sem dó nem piedade e com muita irresponsabilidade, a enxaqueca de ontem pode transformar-se num doloroso pesadelo, hoje. Os niveis de impopularidade do Président sobem vertiginosamente com cada semana que passa. Dá mesmo vontade de dizer: Get Real!

Não agir por vezes é pior do que agir errado. Ou melhor, não agir é um agir errado. (na política a inacção é sempre uma acção interpretada, logo, uma “acção” com consequências, suponho eu, com a ajuda de alguns filósofos, incl ricoeur e foucault) Não agir quando as circunstâncias exigem que se faza alguma coisa é de uma irresponsabilidade sem nome.

* movidas por alguma maquinação misteriosa que desconheço, muitas vezes as práticas linguísticas e as formações discursivas vigentes (foucault) induzem-nos em erro…quando se discute, estou a pensar no debate da Andrea Sanke com os sherlocks, o conceito “questão” assume proeminência… quando tentamos compreender o que sente a maioria, o conceito condição ganha primazia (estas oscilações, por vezes num mesmo acto de fala, interessantes)…quase que são dois modos de estar distintos. Não estão separados por nenhuma fissura cognitiva. Estão intrinsecamente entre-ligados. Mas são momentos distintos num olhar-ouvir contínuo. Existem momentos nas interpretações. O momento actual não parece ser muito agradável.

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