dois livrinhos fantásticos

Não gosto muito de recomendar livros. Mas não resisto. Recebi-os ontem. Estou deliciado.

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7 respostas a dois livrinhos fantásticos

  1. timshel diz:

    “Hans Jonas shows how life-forms present themselves on an ascending scale of perception and freedom of action, a scale reaching its apex in a human being’s capacity for thought and morally responsible behavior.”

    porque é que será assim?

    (“por acaso” responderá a “esquerda” laica e bem-pensante, expressando assim a sua fé no seu novo deus, o acaso, tão indemonstrável científicamente como o Deus Verdadeiro)

  2. ezequiel diz:

    uma pergunta muito interessante para a qual eu não tenho resposta, caro Timshel.

  3. Luis Rainha diz:

    “its apex”… até ver, é bom de ver, estás a ver?

  4. ezequiel diz:

    pois, é isso mesmo

  5. timshel diz:

    Caro ezequiel

    A resposta à minha pergunta apenas tem importância pelas consequências da resposta que se dá. A pergunta, em si, não tem importância porque, como bem dizes, ninguém sabe a resposta.

  6. ruibarbo diz:

    permitam-me discordar: o acaso é uma constatação; deus não é.

    quanto a uma questão secundária, implicada na primeira, essa visão talvez se deva ao gnosticismo do Hans Joa.

  7. ezequiel diz:

    Meus caros,

    muito interessante
    o que escrevo a seguir não é uma interpretação de Jonas, embora possa conter elementos ou influências (díspares) deste filósofo que, confesso, não conheço como deveria conhecer…li o seu Imperative e dentro de pouco tempo (depois do Lingis) terei a oportunidade de regressar a jonas.

    Caro Timshel,

    confesso tb ter compreendido mal a tua interrogação, em parte porque falta uma virgula depois do “por acaso” …leio mt depressa..e interpretei-o mal.

    O “acaso” pode ser indemonstrável cientificamente mas isto não implica que o acaso seja indeterminado. Se o acaso fosse indeterminado teria que ser causa sui (estou a exagerar)… se é determinado por x y etc…pode ser, prima facie, demonstrável. O acaso gera um vácuo mas não é gerado por um vácuo. Penso tratar-se de uma impossibilidade lógica: se acontecesse, é porque é co-determinado, ou co-constuido. Eu acredito que até os acasos tem razões. A nossa intuição sugere que o acaso (no sentido do imprevisto, penso que é este o significado a que se refere?) nunca é, verdadeiramente, um acaso no sentido do imprevisibilidade radical. O acaso está instituido como uma possibilidade no nosso horizonte temporal e histórico.(heidegger escreve sobre isto, se bem me lembro) apesar de ser imprevisto. Sabemos que acontece mas nunca sabemos como. Ou seja, é paradoxal: é uma possibilidade continuamente materializada e reiterada (a mesma lógica do imprevisto reiterada) de formas distintas (conteúdos vivenciais)…

    Caro Rui Barbo

    e isto leva-nos ao teu comentário: o acaso, a meu ver, é uma constatação (no sentido vivencial) e uma antecipação estrutural (heidegger, outra vez), inscrita, indelevelmente, em qualquer modo de estar…

    afirmas que deus não é uma constatação. Penso que concordaria contigo. Mas o mais interessante é o seguinte: como é que algo que não é uma constatação (supomos isto, por ora) pode ser, costuma a ser, interpretado e entendido em termos de evidência, de constatação? William James escreveu coisas interessantes sobre a lógica feroz e criativa das crenças (indemonstráveis). O facto destas crenças existirem e gerarem consequências ou efeitos ou relações significa, de facto, que são materiais, ou que se corporizam em projectos e transformam-se em mundo(s) (a crença é, portanto, demonstrável…não o que a crença afirma como existente, mas a crença ela própria e o seus efeitos…

    Levinas tb poderia dizer coisas interessantes sobre Deus como um entre-nous de alteridade….que institui, se bem me lembro (se houver algum Levinaseano por estas bandas, feel free…I am no expert!) um conceito de responsabilidade infinita….face à alteridade….
    Mas isto já é muita areia para a minha camioneta. Não é fácil perceber Levinas. Eu não consigo, a maior parte do tempo. Mas não deixa de ser fascinante.

    Não sei se isto Vos interessa. Uma opinião de um curioso (esta não é a minha “área” de pesquisa, digamos assim) É a opinião de um leitor.

    cumprimentos
    ezequiel

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