O fantástico Santos Silva

O Alberto João do governo (o modelo de ciborg parecido com Carmona Rodrigues) explicou as suas intempestivas declarações ontem à televisão. Disse que a democracia em Portugal foi construída em duas fases: na primeira, o PS tinha lutado contra a ditadura fascista, ‘embora não tenha sido o único’, admitiu magnânino; e na segunda, o PS tinha lutado contra a ditadura de sinal contrário que os comunistas e outros esquerdistas queriam impor. Excelente raciocínio, deve ter custado umas horas de esforço às meninges do ministro, só tem dois pequenos “mas”:

1. O PS é um partido muito recente para ter lutado 48 anos contra a ditadura fascista. Estou relativamente à vontade para o dizer, tenho cinco familiares entre os seus fundadores. É um pouco abusivo atribuir a liderança do combate ao fascismo a um partido fundado em 1973….

2. A segunda parte do elaborado raciocínio do ministro é um lugar comum. Segundo o pensamento dominante, o PS teria impedido em 1975 os comunistas e esquerdistas de terem estabelecido uma outra ditadura. Não vou perder o tempo dizendo que nunca conheci um comunista que tivesse querido uma outra ditadura e que essas pessoas lutavam por uma revolução que juntasse à democracia política a construção de uma sociedade mais igualitária. Não vale a pena discutir coisas do tipo se “a minha avó tivesse asas voava”…. Apenas quero relembrar que naquele tempo Santos Silva não estava na Fonte Luminosa a lutar contra o malfadado “totalitarismo vermelho”, ele era membro de um partido da FUR (o MES) que acusava o Partido Socialista de estar a aliar-se à direita e a impedir a continuação da revolução portuguesa. A converseta do ministro das televisões devia ter começado com a autocrítica de que ele tinha lutado contra o PS e a democracia a favor de uma ditadura. Pelos vistos, está descoberto o tipo que na altura era a favor de uma ditadura. Verdade se diga que ele hoje está muito melhor: só defende a acção da Brigada de Trânsito para impedir que os autocarros dos professores cheguem a manifestação de Lisboa – uma espécie de barricadas prêt-à-porter. É o totalitarismo new wage em todo o seu explendor

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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